Lado certo

Às vezes penso como poderia ter sido penoso não ter estado do lado certo em 1976. Não ter estado do lado certo quando o golpe militar de 1976 instaurou o terror de Estado, o roubo, a matança, a tortura, a mentira, a sistemática ocultação da verdade. Teria sido muito ruim não ter estado do lado certo, disto tenho certeza.

Estar agora, como estão os genocidas, escondendo provas, ameaçando testemunhas, tentando obter a impunidade. Isto teria sido muito ruim, tenho certeza. Ter-se transformado num delinqüente da pior espécie, desses irrecuperáveis. Um assassino, um torturador, um canalha, um vendepátria. Um matador profissional. Isto teria sido muito ruim.

Não foi fácil ter estado do lado que a canalha atropelou em 1976. O lado certo. Sei que tivemos razão de trabalhar por uma Argentina fraterna, justa, democrática, honesta, sã, respeitadora das diferenças. Isto foi o que quisemos, o que nos custou o que custou.

È melhor isso do que ser um canalha, um assassino, um ladrão, um sequestrador, um mentiroso, um terrorista, um usurpador, um traidor, o que são os delinqüentes de 1976. Estou certo, estive do lado certo. Estivemos do lado certo. Teria sido muito ruim, ruim mesmo, ruim de verdade, ter estado do lado dos que atropelaram tudo que é valioso, tudo que é bom, tudo que é verdadeiro, a decência, a honradez, a verdade, a pátria, a família, o trabalho, a dignidade. Isso sim é que teria sido muito ruim.

Por Rolando Lazarte em 03/01/2010

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