Extrema-unção no segundo turno

Depois das manifestações antidemocráticas criadas para fortalecer a bolha bolsonarista e tentar ameaçar o ministro do STF Alexandre de Moraes, o presidente Bolsonaro deu um passo largo no rito que levou ao impeachment do ex-presidente Fernando Collor. 

As chamadas para que os bolsonaristas fossem às manifestações, muito parecia com a convocação que Collor fez para que a população saísse às ruas com roupas verdes e amarelas. À época o prestígio de Collor despencava no Congresso, partidos que o apoiavam no início retiraram o apoio, a reprovação ao seu governo atingiu 68%. 

“Não me deixem só”, implorou pateticamente ao povo, mas o clamor saiu pela culatra com a população vestida de preto nas ruas. Após o evento, o impeachment subiu no telhado. Bolsonaro, meio que surtado, convocou o Conselho da República, que se reúne para deliberar sobre intervenção federal, estado de sítio e estado de defesa, mas não foi atendido. 

Embora corrupção não se meça pelo volume, os escândalos de Fernando Collor revelados por Pedro Collor, seu irmão, é um riacho diante do oceano de lama que cerca Bolsonaro. Nas bolsas de apostas, Bolsonaro é muito mais corrupto que Collor.

Com os ataques que fez à democracia, de manhã em Brasília e à tarde em São Paulo, Bolsonaro encaminhou seu pedido de impeachment, que não sairá de imediato. O Centrão ainda tem muito o que sugar do presidente até o início das campanhas eleitorais em 2022, o que significa que a extrema-unção pode ficar para o segundo turno. 

Durante esse período iremos às ruas combater o cadáver político de um presidente sem empatia, sem viço, que flerta com o genocídio e com o fascismo, que tem uma rede competente em fabricar notícias falsas com apoio de extremistas norte-americanos. 

Inquérito, prisão, CPI, rejeição, esse será o cardápio e o caminho até as eleições para Bolsonaro e a quadrilha formada por seus filhos. 

Ricardo Mezavila 

Pravda.Ru

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