A ciência ainda é o caminho

A ciência ainda é o caminho

 

Adilson Roberto Gonçalves

 

Lembrando a música de Chico Buarque de Hollanda que completa 50 anos, apesar do Ministério da Educação e do desgoverno que assola o país, as universidades brasileiras crescem nos rankings internacionais. E falamos das universidades públicas, na essência, que é "nosso coro a cantar na sua frente". Os reitores das Universidades Estaduais Paulistas têm esclarecido sobre as atividades das instituições de ensino e pesquisa e em defesa de sua autonomia. É preciso insistir nessa comunicação à população, pois a forma articulada como está sendo promovido o desmonte do patrimônio público é notória. Gente é o maior ativo e o maior produto que temos. No mais, há que se informar que no cômputo das despesas estão os hospitais universitários, sempre importantes cuja atuação é realçada nesta pandemia. A palavra final da defesa estampada em alguns veículos de comunicação é o símbolo de nosso trabalho: resiliência.

Quanto às vacinas, há de se considerar que tal guerra é muito dinâmica, pois vemos o limite de eficácia da chinesa, a suspensão dos estudos da inglesa e o anúncio midiático e político da russa. Junto à verdade, muitas pessoas serão as primeiras vítimas desse descaso científico.

A liberdade individual não pode se sobrepor ao bem estar da sociedade. Por mais que queiramos, não podemos sair matando presidentes ignorantes e negacionistas, ainda que a vontade pessoal - e até a lógica - assim determine. A obrigatoriedade vacinal foi uma das conquistas modernas e os efeitos dos grupos antivacina não são tão pequenos assim, haja vista a volta de doenças como o sarampo.

Antes que haja vacina segura, certos estudiosos da filosofia e sociologia têm partido de um sofisma para seus argumentos, uma vez que um cidadão com boa informação é aquele que a obtém conforme lhe convém. De gestores a demais políticos, de pais a professores, todos fazem cálculos para a decisão sobre a volta ou não às aulas. Não são ouvidos os fortes estudos científicos que mostram a altíssima taxa de propagação da contaminação cruzada - até 800 pessoas em dois dias - a partir de uma sala com 20 alunos.

E outra batalha se alevanta nessas instituições de pesquisa e conhecimento, pois, se conseguimos achatar a curva dos mortos pela Covid-19 a partir do trabalho ali desenvolvido, teremos de bloquear o avanço do movimento antivacina, capitaneado por você sabe quem.

 

 

Adilson Roberto Gonçalves, pesquisador na Unesp [email protected]

 

Foto: https://en.wikipedia.org/wiki/File:CMB_Timeline300_no_WMAP.jpg

 

Foto: By ESA/Hubble, CC BY 4.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=17212495

 

 

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