Brasil, país com maior número de mortes por armas de fogo

Brasil, país com maior número de mortes por armas de fogo

Brasília, 31 dez (Prensa Latina) Brasil aparece hoje como o país com maior número de mortes por armas de fogo ao somar 43.200 mil, de acordo com um estudo que analisou o período compreendido entre 1990 e 2016.

Atrás do gigante país sul-americano situou-se os Estados Unidos, com 37.200 mortes, informa o portal Brasil 247, que cita dados da pesquisa global de mortalidade por armas de fogo (Global Mortality from firearms, 1990-2016), do Institute for Health Metrics and Evaluation.

Entre inícios da década de 1980 a 2016, a percentagem de homicídios nesta nação, cometidos com armas de fogo, subiu de 40 por cento a 71.

A mostra revelou também que Brasil, Estados Unidos, México, Colômbia, Venezuela e Guatemala são os países que juntos somam a metade das mortes por arma de fogo em todo o mundo. A cifra corresponde a um total de 126.990 mil.

O estudo aponta que as perdas de vida relacionadas com as armas superaram as provocadas por conflitos e terrorismo, a cada ano de 1990 a 2016, com exceção de 1994, quando ocorreu o genocídio de Ruanda.

Ademais, 87 por cento das mortes totais no mundo (218.900 mil) foram de homens, entre os quais 34.700 mil tinham entre 20 e 24 anos.

O portal recorda que em 2003 foi aprovada no país a Lei Federal do Estatuto do Desarmamento, ratificada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Tal disposição proíbe o porte de armas por civis, com exceção dos casos nos quais tenha necessidade comprovada.

Segundo o pesquisador David Marques, do Foro Brasileiro de Segurança Pública, sem a medida, o Brasil poderia ter ainda mais homicídios que os 43.200 mil registrados.

'Há uma estimativa de que o Estatuto do Desarmamento, apesar de nunca ter sido implementado integralmente, mesmo assim conseguiu ser responsável por uma espécie de freio de contenção do crescimento dos homicídios', afirmou à Agência Brasil.

O pesquisador acrescentou que, sem essa legislação, as taxas de homicídios seriam 12 por cento superiores às atuais.

Apesar do cenário de mortes e o risco do uso indiscriminado de armamento, o presidente eleito Jair Bolsonaro segue na contramão.

Declarou no sábado que pretende garantir por meio de decreto a posse de armas de fogo a cidadãos sem antecedentes penais.

'Por decreto, pretendemos garantir a posse de arma de fogo para o cidadão sem antecedentes penais, bem como fazer seu registro definitivo', afirmou o ex-capitão do Exército na rede social Twitter.

Brasil 247 sublinha que a posse de armas é uma das principais bandeiras de Bolsonaro, que também é favorável à pena de morte para criminosos.

O político de extrema direita ainda não deixou claro que mudanças pretende fazer no Estatuto do Desarmamento.

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