O grande torturador

O grande torturador

Hoje, quando aparecem os saudosos da ditadura militar  brasileira, é bom que se lembre o que elas significaram para as populações sul-americanas, mais especialmente as do Cone Sul

Há uns 10 anos, quando movimentos populares conseguiram eleger presidentes afinados com suas políticas na América do Sul, principalmente no Brasil, Argentina, Uruguai e Chile, veio à luz toda a barbárie de que os longos períodos de ditaduras militares trouxeram para estes países.

Um ajuste de contas com esse passado de horrores teve início, principalmente na Argentina, onde a ditadura militar parece ter sido a mais cruel de todas.

Embora a ditadura tenha sido construída para servir aos interesses econômicos dos Estados Unidos, ele assumiu uma face pública representada por comandantes militares e entre eles, seu maior símbolo pela sua crueldade mórbida, foi o almirante Emílio Eduardo Massera, morto em 2010 em decorrência de uma hemorragia cerebral.

Massera participou de dois golpes de estado, em 1955, contra Juan Peron e 1976, contra Isabelita Peron (Maria Estela de Martinez).

Membro do triunvirato militar que governou a Argentina (com o general Jorge Videla e o brigadeiro Orlando Agosti) Massera comandou o centro de clandestino de torturas da Marinha, em Buenos Aires, conhecido como ESMA (Escola Superior de Mecânica da Armada)

Em 1985, com o retorno da democracia, Massera foi condenado à prisão perpétua, mas em 1990 foi indultado pelo presidente Carlos Menen.

Em 1998, voltou a ser preso, acusado de seqüestrar e ocultar a identidade dos filhos dos presos mortos na ESMA, crimes não passíveis de prescrição.

Em 2.005, Massera foi declarado "incapaz" para ser julgado, "por motivo de demência". Mesmo quando o Supremo Tribunal da Argentina confirmou a revogação de todos os indultos, Massera continuou protegido pela declaração de incapacidade mental.

Quando da sua morte em 2010, a deputada Victoria Donda, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara de Deputados da Argentina lamentou que Massera morresse sem uma sentença: "O ex-ditador Emilio Eduardo Massera morre impune, o que representa uma afronta à democracia e suas instituições, a todos aqueles que pensam que o único lugar possível para o genocida seja a cadeia. Finalmente, uma afronta a toda a humanidade. No memorial deste povo, Massera aparecerá sempre como um homem nefasto, tido como representante da época mais escura da nossa História"

Recentemente, Massera voltou a ser lembrado no filme "Eva não dorme" de Pablo Aguero, interpretado por Gael Garcia Bernal, que narra o desaparecimento do cadáver de Eva Peron (Evita).

O Massera do filme é um personagem soturno, que se coloca como o perseguidor de Evita, mesmo depois de morta, sempre em busca de um ajuste de contas final.

Marino Boeira é jornalista, formado em História pela UFRGS

 

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