Trump e Kim Jong-un: uma conversação farsesca

Trump e Kim Jong-un: uma conversação farsesca

Creio que o ditador da Coreia do Norte, Kim Jong-un, tem claro para si os quatro pontos arrolados a seguir.

Iraci del Nero da Costa *

1. Sua aplicação ao desenvolvimento de armas as mais poderosas não visa a uma eventual guerra contra os EUA mas, sim, a afirmar-se perante os vizinhos do seu entorno e da região em que se localiza sua nação.

2. No momento presente e tendo em vista esta primeira hipótese, Kim Jong-un já alcançou os objetivos respeitantes às suas forças bélicas no que tange ao desenvolvimento de armas nucleares, pois chegou a lançar mísseis que foram além do território japonês.

3. É possível que o estardalhaço que promoveu contra os EUA tenha sido motivado pela eleição de Donald Trump de quem é de se esperar atitudes as mais espalhafatosas e mirabolantes que imaginar se possa.

4. A proposição segundo a qual a China teria imposto restrições ao ditador da Coreia do Norte de sorte a fazê-lo entender-se com Trump parece-me absolutamente descabida tendo em vista as observações acima postas.

Destarte, as atitudes do ditador com respeito a conversações com os EUA e sua promessa de interromper suas experiências nucleares são perfeitamente inteligíveis: alcançados seus objetivos nada melhor do que um "grandioso" e internacionalmente notável entendimento com o presidente da maior potência mundial. Como se vê, tal reunião não passa de uma espalhafatosa farsa da qual, certamente, nada resultará a não ser a "afirmação" dos dois potentados.

Falo em afirmação porque a Donald Trump o enquadramento de Kim Jong-un - em relação ao qual Trump também sabe ser um mero jogo circense - pode  parecer ao mundo e a seus conterrâneos norte-americanos uma vitória de sua ação no âmbito da política internacional. 

Estamos, pois, em face de um quadro mundial, que se coaduna plenamente com as duas personalidades em jogo. Quadro esse que deve ser do conhecimento da maioria absoluta dos políticos de todas nações, mas que tem a aparência e o sabor de uma ação vitoriosa para ambas as partes envolvidas: Trump, por impor-se perante um adversário que pretendia atingir o território norte-americano com um míssil nuclear; Kim Jong-un por merecer o reconhecimento de que fechou um acordo com o país mais potente do planeta, entendimento este que garante a livre sobrevivência de sua nação e de sua "dinastia". 

 

* Professor Universitário aposentado.

 

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