Basquete – Oscar Moglia: o maior jogador da história segundo o grande Amaury

Na segunda 05 de Outubro, lembram-se 20 anos da morte do maior jogador na história do basquete segundo o grandíssimo Amaury e o Lolo Sainz, Gerente Esportivo do Real Madrid. Foi cestinha Olímpico em Melbourne 1956 sendo fundamental no Bronze uruguaio e furou a rede brasileira em Córdoba – Argentina com 48 ponto em um Sul-Americano.

Uruguai ainda tem privilégios no basquete mundial pois teve dois cestinhas Olímpicos. O Adesio «Magro» Lombardo (Londres 1948 e Helsinski 1952) e segundo os amantes mais idosos do esporte da bola laranja, o grande OSCAR MOGLIA, em Melbourne 1956. Lembramos 20 anos da morte do melhor jogador no histórico do basquete uruguaio com o filho e ex jogador internacional uruguaio, Oscar «Osky» Moglia.

PRAVDA : Moglia, sobrenome que exprime basquete no Uruguai. Mesmo tendo sido Campeão Sul-Americano duas vezes 1995 (Montevidéu - Uruguai) e 1997 (Maracaibo – Venezuela), teu sobrenome começou brilhar no decênio de 1950 de mãos dadas com os sucessos internacionais do teu pai...orgulho ou inveja?

OSKY : Pode ter certeza absoluta que tudo quanto tem a ver com o pai para mim exprime orgulho e tanto, nem só pelos comentários daqueles que assistiram aos jogos que ele participou na carreira esportiva senão na fase pessoal pois por incrível que pareça meio século depois do instante de maior brilho como basquetebolista, não tem cantinho no mundo que aqueles que conseguiram assistir um jogo do pai, não façam um comentário salientando a valia dele. Porém, para mim, o pai exprime orgulho puro.

P : Apresenta o Osky para o mundo lusófono agora, idade, altura, carreira?

OSKY : Nasci o dia 03 de Janeiro de 1965, completei 44 anos e sou do berço do Club Welcome de Montevidéu. As categorias de bases aconteceram nesse clube, tive a estréia em Primeira Divisão e logo tendo completado 17 anos deu o primeiro pulo para o exterior, jogando no Clube Obras Sanitarias de Buenos Aires no decorrer de um ano, voltei no Uruguai e joguei cinco Torneios Federais com a camisa alvi-celeste do clube Cordón, logo veio minha fase em Barcelona durante cinco anos, voltei de novo para Montevidéu, no time Neptuno alguns meses só; mais logo, mais uma vez com a camisa alvi-vermelha do Welcome, o próximo degrau foi na Associação Hebraica y Macabi de Montevidéu, mais dois anos e no finalzinho, o Welcome até pendurar as basqueteiras. O resultado dessa carreira quanto tem a ver com canecos ganhos, meia dúzia com clubes e mais dois com a seleção.. Em 1986 no clube Cordón, em 1995 na Associação Hebraica y Macabi e o Tetra de 1997 até 2000 no Welcome. Também conquistei dois Vice-Campeonatos Sul-Americanos com o Hebraica y Macabi em Bucaramanga, que o Campeão foi o Rio Claro (Brasil) e vestindo a camisa do Welcome, na cidade de Tarija, na Bolívia perante o Vasco da Gama. Com a camisa da seleção uruguaia, Campeão Sul-Americano em Montevidéu 1995 e em Maracaibo – Venezuela em 1997.

P : Houve jogos inesquecíveis pra você no Pre-Olímpicos de Argentina perante o grande Brasil de Oscar Schmidt? Mas também sofreu o Oscar num jogo que Uruguai «tinha» no bolso no Pré-Olímpico rumo a Seul 1988 após tempo suplementar? Lembranças dos jogos.

OSKY : Acontece que o Brasil é sempre potencia no basquete e na hora da minha estréia na seleção uruguaia, eles tinham uma geração que estava na cimeira de rendimento, um timaço mesmo, com Oscar como o grandíssimo destaque mas com grandes jogadores como o caso do Marcel, Maury, Pipoca, Israel, Gerson, Paulinho Vilasboas, Cadum, imagina só!!! Infelizmente topamos esse time brasileiro nessa época e foi difícil mesmo vencê-lo. Aliás, o grande jogo que consigo me lembrar agora perante o Brasil foi no Pre-Olimpico de Neuquém – Argentina em agosto de 2001, pois tínhamos conquistado o caneco de Campeão nos Sul-Americanos de Montevidéu 1995 e Maracaibo 1997 mas nunca tínhamos conseguido a vitória nos jogos perante os brasileiros, fora que o Oscar e o Marcel, não tinham participado desses eventos. Logo tínhamos na frente o Pre-Olimpico de Neuquem com todos os craques do Brasil em campo e dava para imaginar que a vitória ia ser extremamente difícil mas acabou ocorrendo e foi muito importante para todos nós pois tratava-se de craques mesmo que tínhamos como rivais.

P : Quanto pendurou as basqueteiras? Por quê? Estava-se sentindo idoso ou começava a trabalhar com agente dos jogadores de basquete uruguaio?

OSKY : Pendurei as basqueteiras na temporada 2001-2002 e tinha decidido me «aposentar» mas o pessoal do Welcome, meu time do peito pediu para mim que ficasse mais uma ano como jogador e fiquei, mas estava percebendo que com o decorrer dos anos, mesmo não tendo lesões graves, meu corpo não era o mesmo que alguns anos atrás. Logo veio o Osky agente de jogadores mas juro que na hora que me aposentei não era parte dos meus planos, chegou só por acaso. Logo, no início desta minha profissão atual, foi muito importante os anos da minha carreira de jogador no exterior, de jeito específico na Espanha, em Barcelona, foram muitos os contatos feitos e acabei aproveitando tudo para montar a minha nova profissão.

P : Faz 20 anos, teu pai faleceu com apenas 54 e você tinha completado 24. Quanto teve a ver esse sangue do pai nessa «formatura» como jogador internacional de basquete?

OSKY : O pai foi tudo para mim, sem dúvida; essa pessoa que admirei mais na minha vida. Como jogador, não me lembro dele mas ficam na minha cabeças as lembranças daqueles que assistiram jogos nos quais ele participou. Na fase pessoal, o pai foi demais, com uma raça incrível, deixando como herança a paixão por tudo quanto tentei na vida. Orgulho mesmo de ter tido o grande privilégio de ser o filho dele. Esse sobrenome MOGLIA que ele o fez famoso e respeitado no mundo inteiro. Minha pele exprime orgulho pelo pai!!!

P : Você mede 2,05 m. Qual foi o ensino que ele transmitiu pra você? Como quicar a bola, o jeito de pular, se posicionar na hora de procurar um rebote ou o estilo de arremesso?

OSKY : O pai foi sempre muito exigente, pode imaginar que comigo pior ainda. Fora ter sido sempre um grande torcedor da gente, salientando tudo quanto eu fazia de bom, ele mostrava para mim quais eram os meus erros como jogador e tudo quanto poderia aprimorar. Foi importante para mim esse jeito de ser dele e extremamente importante no arremesso de longa distância, pois na hora que eu estreei na Primeira Divisão media 2,05 m sendo o armador do meu time e da seleção e não dava nem da para imaginar um armador com essa altura e o meu estilo de jogo baseava-se nas penetrações no garrafão rumo ao cristal pois meu arremesso ainda era fraco. Foi na hora que o pai falou para mim que caso não aprimorasse o arremesso de meia e longa distância, ia ter maiores obstáculos na frente na minha carreira profissional. Por enquanto, antes de gente emigrar para Espanha, foi meu «treinador» na quadra dando polimento ao arremesso, que tendo chegue lá, o arremesso de três pontos foi o meu grande parceiro, daí para frente.

P : Na época que teu pai jogava o tempo de posse não era 24 e nem sequer 30 segundos, também não tinha arremessos de três pontos. Como conseguiu o recorde de 68 pontos em um jogo? O arremesso de três pontos estaria no cardápio dele?

OSKY : Nunca imaginei quantos pontos poderia ter conquistado o pai nessas noitadas de recordes que aconteceram na mesma semana, com 61 pontos e 68 logo, levando em consideração que os armadores costumavam quicar a bola até «morrer» pois não tinham limite quanto ao tempo de posse de bola. A bola desse jogo dos 68 pontos ainda está comigo em casa. Como eu não me lembro dele na fase de jogador, não consigo imaginar o que terá feito em quadra, 20 anos depois de ter falecido e no eixo do meio século do instante de maior brilho da carreira. Incrível mesmo!!! Sem 24 segundos de posse, sequer 30, sem arremesso de três pontos e foi cestinha num jogo com 68 anos. Acho que não teria quem conseguisse marcá-lo, não da para acreditar!!!

P Fala-se que após cirurgia no joelho, ele sentava em uma cadeira na quadra e arremessava com grande sucesso tendo a ajuda de um moleque que dava a bola de novo para mais um arremesso. Profissional da gema em uma época amadora, não é?

OSKY : Nessa época, não existiam os profissionais no basquete, e no caso específico do pai, nunca levou um tostão no bolso por ter jogado basquete. Era a paixão que ele sentia pelo esporte que encaminhou a carreira nesse sucesso que acabou conquistando. Na hora que ele focava um alvo no horizonte, o cara tinha como objetivo ser o melhor, seja qual for á escolha da atividade que ele ia segurar e tudo quanto acabou fazendo foi pelo prazer de ser o melhor, não tinha nada a ver com verba. Assim que aconteceu essa cirurgia no joelho, que não eram tão simples quanto as atuais, ele ficava o dia todo sentado numa cadeira na quadra arremessando com pessoal amigo do clube como o Dardo Orlando que alcançava a bola para ele voltar arremessar. Mais logo em pé, pedia para os caras que sustentasse uma folha de jornal impedindo ele olhar a argola e o cristal e continuava arremessando. Obsessão pura, imagina, meu!!!

P : É mesmo o jogador uruguaio que vestindo a camisa celeste furou as redes da seleção brasileira com 48 pontos em um jogo? Uma loucura antes, hoje e amanhã.

OSKY : Acho que no Sul-Americano de Córdoba – Argentina em Março de 1960, Uruguai jogou perante a seleção brasileira e o pai acabou conquistando 48 pontos, e na hora que os colegas dessa seleção batem um papinho comigo, eles me confirmam que nesse jogo o pai foi um craque mesmo, não tiveram como contê-lo. Ora bem, lembre-se que nessa época e como sempre aconteceu na história, o Brasil tinha um timaço, com Amaury, Vlamir, Mosquito, todos eles jogadores que «conheço» pelos inúmeros comentários que o pai compartilhava comigo. Todos eles Campeões do Mundo nessa época. Veja só, agora vou compartilhar com os teus leitores um bate papo que mantive em São Paulo em 1997 ou 1998 que acho pinta o que foi o pai como jogador de basquete. Nessa data, a seleção uruguaia que eu integrava viajou para jogar dois quadrangulares no Maracanazinho no Rio e no Ibirapuera de São Paulo junto com a seleção anfitriã, a mexicana a e russa. Assim que o quadrangular em São Paulo encerrou, o Governador dessas cidade convidou as delegações numa reunião de confraternização. Em um instante, um cara magrinho, alto e careca, na faixa de idade do pai, aproximou-se perto de mim. Ele acabou me cumprimentando e logo falou que ele era o Amaury, só que achou que eu não sabia nada da rica história dele no basquete mas ficou surpreso pois o pai tinha falado um bocado pois tinha admiração pelo Amaury. Foi aí, que o Amaury confirmou para mim que o pai tinha sido o melhor jogador de basquete que ele tinha visto na vida. Que um destaque no basquete mundial como o Amaury confirmasse ao vivo e as cores que segundo ele o pai tinha sido o melhor jogador de basquete, puxa vida!!!

P : Qual foi a frase mais marcante que o pai disse para você quanto ao basquete e à vida? O que foi marcante na vida dele, o Bronze Olímpico?

OSKY : Ele sempre falou que ter participado dos Jogos Olímpicos de Melbourne 1956 foi atingir a cimeira na sua carreira esportiva. Nesses jogos, ele foi o cestinha do torneio e foi escolhido como parte do quinteto ideal do evento. Ele repetia sempre que tudo quanto eu tivesse vontade de fazer, que tentasse mas com paixão, com raça, realizando o maior esforço possível e caso eu tivesse qualidade, esse acréscimo que ia colocar no projeto, ia marcar a diferença. Porém os objetivos para mim vão ser aqueles pelos quais trabalhei.

P : Um jogo que o pai tinha lembrado sempre? Um jogador rival?

OSKY : Imagina só, ele falou desse assunto inúmeras oportunidades, e com uma carreira internacional por muitos anos como basquetebolista, também foram muitos os jogos importantes que ele participou mas nessa lista de jogos, acho que um dos marcantes para ele foi esse pelo Sul-Americano em Córdoba com 48 pontos perante o Brasil. Logo vieram as partidas na fase final dos Jogos Olímpicos Melbourne 1956, que Uruguai tendo perdido um jogo só ficou com o Bronze e a Rússia com duas derrotas no torneio, acabou ficando com a prata. Os EUA ficavam fora do alcance dos outros times mas a Rússia não era aquele timaço e ficou sempre imaginando o que poderia ter acontecido caso tivessem tido um confronto perante os russos. Uruguai acabou vencendo a França pelo Bronze e esse foi mais um dos jogos que marcaram as lembranças do pai. Houve mais alguns nessa tabelinha de jogos lembrados com carinho, talvez perante os argentinos.

P : Quanto ao Osky, agente de jogadores de basquete, representa brasileiros ou no mínimo tem montado parcerias com agentes do Brasil?

OSKY : Vamos ver, trabalho pelo mundo todo sendo agente de jogadores uruguaios mas faz pouco tempo que fiquei em contato com alguns jogadores brasileiros. Foi na hora que o Esteban Batista, o único jogador uruguaio que foi NBA, sendo parte do time Macabi Tel Aviv, ele conhecia o Murilo Bécquer que era companheiro do Esteban e montamos um relacionamento ótimo, conversamos um monte e hoje mesmo que não posso te confirmar que seja o agente do Murilo, continuamos mantendo contato, ficando á par de tudo quanto vai ocorrendo no decorrer da carreira dele, e caso possa-lhe dar uma colher de chá, ele sabe que vou ficar de seu lado pois confio na qualidade dele.

P : A herança dos Moglia continua? Além de amigo e agente, é professor dos filhos?

OSKY : Temos herdeiros, claro!!! Continua com os dois filhotes, o mais velho Santiago Moglia que completou 19 anos e joga na Liga Uruguaia de Basquete faz alguns anos e agora faz parte do time Anastasia da cidade de Fray Bentos e o caçulo, Martin Moglia que fiz 17 que joga no time de Welcome. Os dois medem 1,96 m já. Tento xerocar o ensino que o pai me deu, levando-o para os meus filhos. Estou querendo ser com os meus filhos do jeito que o pai foi comigo. Isso reflete quanto foi a minha admiração pelo pai, dentro da quadra e na vida. Tento ficar sempre do lado da quadra a cada partida que os filhos jogam, lhes faço comentários para que eles possam progredir, indicando-lhes os erros, além de salientar o que fazem de bom no parquê. Eles têm vontade de continuar jogando basquete como profissionais e acho que tem condições para atingir os objetivos.

P : Duas alegrias? Dois momentos marcados pela tristeza na vida e no esporte?

OSKY : Uma grande alegria na vida, sem dúvida, ter formado uma família desse tamanho, minha esposa, María del Carmen, os filhos, Santiago e Martin e a minha mãe que após o pai ter falecido mora conosco. No esporte, cada torneio que conquistei, seja vestindo a camisa da seleção ou com os times nos quais participei, gostei!!! Uma tristeza, também sem dúvida, a perca do pai foi marcante para mim. Esportiva, nem sei, acabei perdendo torneios incríveis do jeito que também conquistei...me lembro ter ficado fora de um Torneio Mundial com Uruguai perante o Brasil no Cilindro Municipal de Montevidéu faltando apenas 4 segundos (isso provocou um enfarte ao treinador uruguaio Víctor Hugo Berardi), ter perdido o Penta com o Welcome no último segundo. Mas todos aqueles que compartilhamos o dia-a-dia com o basquete não temos nada a reclamar, na hora que mergulhamos neste negócio, sabemos que pode acontecer. Esporte são momentos de alto e baixo astral, gozando dos grandes momentos e corrigindo o que deu errado.

P : O grande jogador de basquete no mundo? Oscar, o gigante do basquete brasileiro? Para o pai? Manu Ginóbili?

OSKY : O pai falou sempre do Amaury como o grande jogador mas fora isso ele salientou a valia daquele timaço que confrontou inúmeras vezes, com o Amaury mas também o Vlamir e Mosquito sendo que o Amaury, foi o «chefão» desse time. Mas gostou muito do Oscar. A carreira dele foi em paralelo coma minha. O Oscar foi exemplo nem só na quadra, senão na vida. Quando temos uma conversa com os filhos e tenho que salientar uma pessoa, o Oscar sempre está na cume dessa escada. Quanto ao argentino Manu Ginóbili, fica em uma outra atmosfera, ele foi parte da NBA, o Oscar ficava pertinho de você numa quadra, bem mais real, trata-se de um grandíssimo jogador mas conseguia marcar-lo. Ele poderia furar tua rede inúmeras vezes e até conquistar a vitória no jogo mas ficava dentro da mesma quadra que você estava.

P : Viajou para o Pre-Mundial em Porto Rico no finalzinho de agosto. Brasil conquistou o caneco de Campão com justiça? Uruguai porque ficou fora do Mundial Turquia 2010?

OSKY : O Brasil foi justo Campeão. Um grande time, lotado de destaques e pode acrescentar que o treinador Moncho Monsalve é um grande mesmo do basquete mundial, fora isso um amigo que foi o responsável que eu jogasse na Espanha. Sou admirador do Moncho e tinha certeza que ele ia tirar o maior benefício possível dessa grande seleção brasileira. Não fiquei surpreso pela conquista do título da seleção brasileira. Quanto á seleção uruguaia mostrou que fora ter muitos problemas á resolver ainda, pode ganhar ou perder os jogos com todos os rivais que participaram. Ou seja, tem qualidade e pode acreditar no futuro e na classificação para um evento como uma Taça do Mundo ou Jogos Olímpicos daqui a pouco. Com meia dúzia de jogadores é missão impossível, nesse programa que envolve jogos a cada dia no decorrer de dez. No finalzinho do evento, á medida que o esforço vai aumentando, sem rotação na quadra, é difícil mesmo!!! Com muita raça e esforço, tentou sempre atingir o alvo da classificação mas foi muito cansativo para todos eles. Embora, os uruguaios amantes do basquete teríamos que ter ficado felizes pela tarefa da seleção.

P : Como agente de jogadores, vai viajar para o Mundial da Turquia 2010?

OSKY : Acho que vou viajar, é provável, viajo sempre para todos os torneios importantes internacionais.

P : O Gustavo «Panchi» Barrera, acabou quase jogando em um time brasileiro faz pouco tempo?

OSKY : Alguns times brasileiros mostraram interesse pelo progredir do «Panchi» querendo-o como jogador, negócio que adorei pois admiro o basquete brasileiro, conheço a grande valia desse basquete é foi motivo de orgulho para nós que tivessem ficado de olho em um dos meus representados como é o caso do Panchi. O mercado brasileiro é um horizonte super interessante para nós e tomara que em um futuro muito perto, um jogador uruguaio consiga dar um mergulho no basquete brasileiro. O Paulistano foi o time que focou a atenção no Panchi mas saiba que tinha muitos agentes e times brasileiros pesquisando e averiguando.

P : O que acha da Liga Uruguaia de Basquete 2009-2010?

OSKY : A Liga Uruguaia 2008-2009 foi uma Liga muito boa, e acho que passaram muitos anos para que a Liga explodisse, com jogadores de valia, com times muito fortes, com ianques de qualidade, com investimentos de verba interessantes e acho que a retrasada então foi uma das melhores do Continente Sul-Americano. A Liga atual que acabou de iniciar-se perdeu alguns jogadores destaques mas temos ianques de boa valia, e o potencial dos times é muito semelhante, porém a faz bem interessante. O basquete uruguaio continua progredindo, negócio fundamental para que continuem surgindo novos destaques.

P : Compartilhe o último comentário quanto ao pai. O que aconteceu no Estádio Santiago Bernabeu na hora que foste acompanhar o Esteban Batista para assinar o contrato com o Real Madrid?

OSKY : Essa aí é boa. Em 2003, acompanhei o Esteban para assinar o contrato com o Real Madrid. Entramos nos escritórios do Santiago Bernabeu, e junto com nos dois, compartilhavam a Sala o «Lolo» Sainz, que nessa data era o Gerente Esportivo do Real Madrid, levando uma mochila gostosa nas costas pois é o treinador com mais títulos ganhos na Europa no histórico, um craque mesmo e o assistente dele, o Alberto García Chapuli. Os quatro dentro da sala e tínhamos que começar falar do contrato do Esteban e sua assinatura. Pode acreditar que desses 45 minutos que estivéramos dentro da Sala, 35 o «Lolo» falou maravilhas do meu pai e apenas 10 minutos levou a assinatura do contrato do Esteban. Foram 35 minutos que o Lolo não parou de falar do pai, do jeito que ele falou, salientando tudo quanto ele fazia na quadra, pois tinha sido rival jogando na seleção espanhola. Conversas como essas me deixam ainda hoje orgulhoso pelo basquetebolista que foi o pai, bem mais vindo de destaques do basquete mundial como o caso do Lolo, que no Real Madrid ficou do lado dos melhores jogadores do mundo e quase meio século depois ainda lembrava-se do pai com admiração. Após cada papo desses, nasce mais uma vez essa minha dúvida. O que foi que o pai conseguiu fazer dentro do retângulo? Quanto grandes jogadores passaram na história e ninguém lembra deles alguns anos depois de ter pendurado as basqueteiras.

P : A foto que tirei da Medalha de bronze ganha pelo GRANDE OSCAR MOGLIA nos Jogos Olímpicos Melbourne 1956 foi o apito final da reportagem com o Oscar Filho (bem mais conhecido com o «Osky») e sua mãe Irma De Pazos que compartilhou algumas pérolas. Logo num ambiente sem gravadora compartilhamos um refrigerante e uma conversa por mais meiahora na residência do Osky no bairro Malvín de Montevidéu.

Foto: Irma De Pazos (esposa do Grande Oscar), Andrea Barceló (namorada do neto Martín), Martín Moglia (neto), María del Carmen Alonso (nora) e Osky (filho).

Encerrando a homenagem que o PRAVDA montou para o maior jogador da história do basquete uruguaio, com a minha pele arrepiada, peço para o Campeão que quase vinte anos depois da despedida, desça um instante para autografar esta reportagem que montei com o filhote, que vai ser o presente mais importante que jamais tivesse imaginado receber. Seu Oscar, lá cima, pode continuar furando redes com forma de nuvens, cristal você não precisa, sempre arremessou com extrema precisão.

Correspondente PRAVDA.ru

Gustavo Espiñeira

Montevidéu – Uruguai