MST S/A

Aparentemente, o desejo da liderança do MST de que o seu “Setembro Vermelho”, fosse uma reedição do “Abril Vermelho”, que consistiu em um movimento nacional de manifestações e invasões de terras, não se realizou plenamente, pois o objetivo é sempre o de chamar a atenção da mídia e, conseqüentemente, da opinião pública, para que o governo assim, seja pressionado a atender suas reivindicações.

Em abri, o MST conseguiu, ao menos, atingir o objetivo de chamar a atenção pois ainda não havia mensalões e similares, o que fez com que o “Setembro Vermelho” se transformasse em “Setembro Laranja” pois a atenção da opinião pública está claramente focada em outra direção e, sendo esta a única forma de pressionar o governo que, só age quando algo aparece com destaque, na imprensa, principalmente no Jornal Nacional, ou então quando alguém importante morre defendendo uma causa, no caso da freira Doroty Stang, é improvável que o movimento consiga que alguma de suas reivindicações, seja atendida, ao menos, no momento.

O MST foi criado em 1984 mas tinha pouca representatividade. Teve um grande impulso no início do governo FHC, graças a política de juros que obrigou muitos agricultores a entregarem suas terras para o pagamento de dívidas, O movimento então, muito mais forte, tornou-se uma pedra no sapato do governo FHC pois usa a mobilização de massas para executar invasões de propriedades e prédios públicos o que, inevitavelmente, atraia a atenção da mídia. Houve até mesmo uma tentativa de invasão da propriedade do próprio Fernando Henrique Cardoso, no interior do estado de São Paulo.

Para isso, o movimento sempre contou com o apoio incondicional do barulhento PT oposicionista, pois o MST provocava instabilidade política e isto era o que o PT mais apreciava que se fizesse e, o que o PT mais cobrava do governo Fernando Henrique, era uma ampla reforma agrária.

Estas táticas de guerrilha, aparentemente, geraram resultados, especialmente, no caso de governos fracos como foi o de FHC e agora é o governo de todos, de Lula que, se tivesse conhecimento de que também em seu governo, os meses seriam vermelhos, não tivesse apoiado tão fortemente o movimento.

A propósito, não é de se admirar que haja táticas de guerrilha nas ações do movimento se um dos líderes é o senhor José Rainha Júnior e onde um ativista presenteia, com a bandeira do movimento, o ex-terrorista Yasser Arafat. Além disso, o movimento, hoje em dia, não se compõe somente de agricultores que perderam suas terras. Obviamente, um movimento que atingiu tais dimensões e que tem contribuído, através de suas ações, para que o governo implemente um programa de reforma agrária com o assentamento de milhares de famílias, atrai toda sorte de oportunistas, muitos que, talvez, nem saibam como cultivar a terra, mas que sabem usar de violência e invadir propriedades e prédios públicos.

Estes oportunistas, juntamente com alguns agricultores que recebem os títulos de propriedade de suas terras, uma vez que não conseguem obter apoio do governo para iniciar o empreendimento, aliado ao fato de que pouco valor se é dado ao que não é conquistado, simplesmente, vendem a propriedade pela primeira oferta, que é algo que vem ocorrendo com certa regularidade, no entanto, a liderança do movimento já se declarou contrária a tal prática. Obviamente que não poderia se declarar favorável.

As propriedades vendidas por assentados, bem como todas as das, aproximadamente, 350 mil famílias já assentadas, têm um custo.muito alto, pois cada propriedade é desapropriada pelo valor de mercado quando não são supervalorizadas, se pertencentes a algum vereador ou deputado ou algum apadrinhado de algum político.

Obviamente que entre os milhares de famílias já assentadas haja muitas que realmente desejam ter um lote de terras para cultivar ou criar gado e que necessitam, não somente de uma sede para morar, mesmo que seja de plástico ou de lona, como no assentamento “Lulão”, mas também, necessitam de crédito para iniciar a produção, uma estrada para escoar a produção, escolas e postos de saúde, mas, o importante para Lula de todos, é dizer, com orgulho, que, somente este ano, cerca de 50 mil famílias foram assentadas, mesmo que tais famílias não tenham nem luz elétrica ou água encanada, assim como aprecia dizer que 5 milhões de famílias já foram beneficiadas com o programa Bolsa-família, mas não esclarece que destas 5 milhões, apenas uma parte, das famílias realmente necessitadas do benefício, o recebe regularmente.

O MST hoje, é grande. Grande na estrutura, grande no numero de filiados e também, grande no orçamento que, graças as contribuições que recebe espontaneamente e não cobradas, segundo declarações, pode ser considerado uma pequena empresa ou talvez seja melhor dizer, uma pequena igreja evangélica, já que se trata de doações. Isto acaba por fazer com que o movimento se desvirtue um pouco de seus ideais, como ocorre com a organização Greenpeace que, hoje, está mais interessada em administrar as contribuições dos sócios que lutar por questões ambientais.

É de se estranhar, no entanto, que até o presente momento, o MST não tenha se transformado no “PMST”, como fez a Igreja Universal do Reino de Deus, pois, se engajar na política seria natural para um movimento extremamente politizado e certamente geraria muitos frutos para o movimento, ter uma bancada “sem-terrista”, no Congresso.

Enquanto isso não ocorre, o MST prefere colorir os meses de vermelho. E, uma vez que o Setembro Vermelho, não deu resultado por causa das CPI’s, agora que elas perderam seu brilho, seja melhor iniciar a campanha pelo Outubro Vermelho, o que lembra o filme “Caçada ao Outubro Vermelho” (The Hunt for Red Octover), com Sean Connery.

Para que não haja mais meses coloridos de vermelho, se o Brasil tivesse um governo forte, haveria uma condição para que uma família conseguisse ser agraciada com o título de propriedade: não estar envolvida em invasões. E ainda, para evitar oportunistas, a propriedade deveria ser entregue a título de usufruto por 25 anos de regular produtividade com índice de produtividade nos mesmos moldes que o MST deseja que seja imputado às propriedades passíveis de desapropriação.

Jose Schettini Petrópolis BRASIL

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