O novo PM de Portugal

Enquanto José Manuel Durão Barroso se prepara para assumir a Presidência da Comissão Europeia, Jorge Sampaio exprime a sua preferência por Pedro Santana Lopes em vez das eleições que o povo pedia.

Presidente Jorge Sampaio decidiu ontem pedir ao número 1 do Partido Social Democrata, o maior partido na coligação governamental (juntamente com o Partido Popular, Conservador), formar um governo, poupando a coligação duma derrota quase certa numa eleição antecipada. Pedro Manuel Santana Lopes aguarda o aval (certo) do seu partido para apresentar um novo governo ao Presidente na função de Primeiro-ministro.

Nasceu em Lisboa no dia 29 de Junho de 1956. Pedro Santana Lopes interessou-se pela política na sua infância, conversando com seu pai e avô. Entrou na faculdade de Direito de Lisboa em 1974, trabalhando como professor a noite e vendendo livros de dia para ajudar nos custos do seu curso.

Foi na faculdade de Direito que Pedro Santana Lopes começou a revelar as suas capacidades como orador, liderando um movimento estudantil (Movimento Independente de Direito) antes de se ingressar no Partido Social Democrata (PSD) em 1976.

Tendo terminado seu curso em 1978, ganhou uma bolsa de estudos do governo alemão para estudar Ciência Política e Estudos Europeus. Um ano depois, entrou na equipa do Primeiro-ministro Sá Carneiro, fundador do PSD, como conselheiro legal e em 1980, foi eleito Deputado da Assembleia Nacional, com 24 anos.

O Primeiro-ministro Cavaco Silva nomeou Santana Lopes como Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, posto que foi interrompido durante dois anos (1987-1989) quando foi membro do Parlamento Europeu. De volta a Portugal, foi Secretário de Estado de Cultura entre 1989 e 1994.

Foi daí que Pedro Santana Lopes deu provas daquilo que era capaz, restaurando edifícios degradados, lançando iniciativas múltiplas que testemunharam a criação de três orquestras, 48 bibliotecas, a modernização de numerosos espaços públicos – cinemas, anfiteatros, salas de exposição para pinturas e fotografias e financiamento público e privado para companhias e iniciativas suportando as áreas da dança, teatro, música e artes plásticas.

Pedro Santana Lopes cresceu com o posto, presidindo sobre o Conselho Europeu de Ministros de Cultura em 1992.

Em 1995, num breve intervalo da vida política, Santana Lopes se candidatou com êxito para a Presidência do Sporting Clube de Portugal, dando continuação ao trabalho de Sousa Cintra, estabilizando as finanças do clube e nomeando o pessoal que iria nos anos seguintes trazer os primeiros troféus a este clube lisboeta durante décadas.

Em 1997, tornou-se Presidente da Câmara da Figueira da Foz, ganhando louvores como o Presidente mais energético e com mais êxito de sempre. Melhorou a acomodação escolar, a rede rodoviária, melhorou áreas residenciais, parques públicos, a rede sanitária, criou empregos, aumentou o turismo e atraiu visitantes para os numerosos eventos culturais que patrocinou ou organizou.

Passado quatro anos, ganhou a eleição para a Câmara de Lisboa de forma brilhante, iniciando um programa ambicioso para melhorar os problemas de trânsito e uma série de iniciativas para dar mais-valias aos espaços urbanos e à vida dos lisboetas.

Acusado por alguns de aplicar soluções cosméticas em vez de estratégias de longo prazo, Pedro Santana Lopes é talvez o único membro desta coligação com o carisma suficiente para lhe dar qualquer hipótese eventual de vencer as eleições daqui a dois anos.

Como Primeiro-ministro, é justo dar a Pedro Santana Lopes uma folha em branco para ele escrever o seu destino.

Timothy BANCROFT-HINCHEY PRAVDA.Ru

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