No Brasil, Festa da Independência vira protesto nacional contra a corrupção

Por ANTONIO CARLOS LACERDA

PRAVDA.RU

No Brasil, Festa da Independência vira protesto nacional contra a corrupção. 15588.jpegBRASILIA/SÃO PAULO/BELO HORIZONTE/BRASIL - Exatamente no dia da Festa da Independência, 7 de Setembro, eclodiu no Brasil um movimento apartidário contra os escândalos de corrupção em órgãos públicos nos governos federal e estaduais brasileiros. As manifestações de protestos aconteceram em 59 cidades de 19 estados brasileiros e no Distrito Federal.

 A corrupção no Brasil ultrapassa a casa dos R$40 Bilhões, o equivalente a economia inteira de toda a Bolívia. Mesmo assim, políticos e funcionários públicos acusados de corruptos continuam impunes e nem chegam a presos, devido o poder econômico, político e de influência que têm nas mãos.

 Em Brasília, e em várias capitais brasileiras, a 'Marcha contra a Corrupção', movimento que ocorre paralelamente ao desfile de 7 de Setembro, reuniu milhares de pessoas, segundo a Polícia Militar. A Marcha contra a Corrupção deste 7 de Setembro trouxe à memória do brasileiro o movimento social que derrubou do poder o ex-presidente Fernando Collor de Mello.  

Apitos, máscaras, nariz de palhaço e caras pintadas de preto foram os símbolos escolhidos pelos manifestantes para protestar contra a corrupção no país. As faixas carregadas ao longo da marcha falam de corrupção em geral e do caso específico da deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF), livrada da cassação pelos colegas no fim do mês passado.

Em Brasília, a marcha de protesto contra os corruptos saiu do Museu da República e caminhou até o Congresso Nacional, de um ponto a outro da Esplanada dos Ministérios. Jovens representam a maior parte dos manifestantes, mas também há crianças e idosos.

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) comparou o movimento às Diretas-Já e aos protestos pelo impeachment do então presidente Fernando Collor de Mello, hoje senador da República pelo Estado de Alagoas, no Nordeste do Brasil.

 "Essa é uma forma de dizer que país queremos, com moralidade e justiça. É um grito que precisa ser ouvido (...) A classe média saiu de casa e veio para a rua. Foi assim com as Diretas-Já e com o impeachment. É assim que começa", disse a OAB. Junto da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), a OAB lançou um manifesto em que apóia o movimento popular e destaca a necessidade de aprimoramentos nos Três Poderes da República, entre eles, a aplicação da Lei da Ficha Limpa e a transparência nos gastos do Executivo federal.

Bate-Boca

Durante a manhã deste dia 7 de Setembro houve bate-boca acalorado entre integrantes do PSOL - partido político contra o PT do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidente Dilma Rousseff - e os organizadores da marcha.

Dirigentes do PSOL levaram camisetas e bandeiras da legenda ao protesto. Os organizadores da marcha, que haviam pedido para os participantes não fazerem menções a partidos, pediram que as camisetas e as bandeiras fossem retiradas do local.

Os membros do PSOL reagiram, chamaram os manifestantes de "juventude do Sarney" e criticaram a ausência de faixas contra o PT, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidente Dilma Rousseff. Entretanto, a confusão foi abafada.

Força das redes sociais

Pela rede social Facebook, mais de 500 mil pessoas confirmaram presença pelo site, mas, segundo os próprios organizadores, o número de manifestantes nas ruas foi bem menor. O mesmo usuário do Facebook, por exemplo, pode ter confirmado presença em mais de um ato.

Pelo tamanho da mobilização na internet, as passeatas serão um teste importante para a capacidade de mobilização política via redes sociais.

"Nossa expectativa está girando em torno da metade dos confirmados", afirma o bancário Rodrigo Montezuma, organizador da Marcha contra a Corrupção, que acontecerá na Esplanada dos Ministérios, em Brasília.

O movimento contra a corrupção se tornou tão importante que a OAB, CNBB e senadores da oposição pegaram carona no ato. Mas os organizadores afirmam que os protestos não têm relação com partidos políticos. Outras bandeiras comuns nos protestos são o fim das votações secretas no Congresso Nacional, a validação da Lei da Ficha Limpa e as suspeitas de irregularidades nos governos Lula e Dilma Rousseff.

Em São Paulo, o movimento fez uma passeata na avenida Paulista no período da tarde, onde outro grupo protestaram pela manhã. O grupo Anonymous, criado por hackers, sugere que os manifestantes usem a máscara popularizada pelo filme "V de Vingança", de 2006.

Já os atos organizados pelo Movimento dos Caras Pintadas propõem reeditar a mobilização que pediu o impeachment do então presidente Fernando Collor Mello, no início dos anos 90, e que serviu de inspiração para o grupo.

ANTONIO CARLOS LACERDA é correspondente internacional do PRAVDA.RU

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