Situação normalizada até ao final da semana

O líder do golpe de estado militar em São Tomé e Príncipe, Major Fernando Pereira, afirmou hoje que a crise será resolvida ainda esta semana e que o presidente, Fradique de Meneses, poderá voltar à ilha logo que se tenha concluído as conversações com os mediadores internacionais.

Major Pereira até hoje tinha recusado a entrada do presidente no país, acusando o governo de corrupção, uma opinião partilhada por muitos residentes do país. Porém há sinais de que as conversações com os países mediadores (Brasil, Portugal, Angola, Moçambique e Cabo verde do CPLP e os EUA, Nigéria, Congo e Gabão). Os ministros foram libertados, mas permanecem sob prisão domiciliária, uma medida descrita por Major Pereira como “um acto de boa vontade”.

O Presidente Fradique de Menezes por sua vez impôs condições para o seu retorno, nomeadamente que os militares voltem para os quartéis e que a constitucionalidade seja reposta. Um fonte da PRAVDA.Ru entre os mediadores informou que as conversações prosseguem bem e que se espera uma repetição da situação de 1995, quando um golpe militar terminou depois de uma semana, quando os mediadores de Angola convenceram os militares a voltarem aos quartéis.

Muitas publicações internacionais falam da importância do petróleo. De facto, as reservas são potencialmente vastas e São Tomé e Príncipe irá receber 40% dos proveitos, os outros 60% sendo a parte da Nigéria. Uma primeira fase de exploração trará para São Tomé e Príncipe cerca de 100 milhões de USD, o que para uma população de 170,000, deverá beneficiar os habitantes e aumentar substancialmente o nível de vida.

Eis a questão: não é o dinheiro do petróleo que está em causa, mas o que será feito com ele. Major Pereira e um crescente número de habitantes, de acordo com as nossas pesquisas no terreno, temem que se este governo continuar no poder, os proveitos serão reencaminhados para fins que não irão beneficiar o cidadão comum.

O papel do presidente Olesegun Obasanjo da Nigéria tem sido muito importante na resolução desta crise, em conjunto com a Comunidade dos Países da Língua Portuguesa, que se mantiveram firmemente contra o golpe de estado desde o início. O Presidente nigeriano está mantendo neste momento conversações com representantes da ONU.

Sejam quais forem as reclamações dos golpistas, São Tomé e Príncipe é um estado de direito e cabe aos cidadãos mudarem o seu governo, se quiserem, num acto democrático devidamente constituído. Major Pereira só pode fracassar porque São Tomé e Príncipe não é uma república das bananas.

Leonor M. MARTINS PRAVDA.Ru SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE

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