Alagoas, do bem e dos maus

Bem antes desta data marcante, já se destacava no cenário mundial, chegando a incomodar a coroa portuguesa, numa pequena localidade na zona da mata alagoana, um grupo de guerreiros em busca da tão sonhada liberdade, se tratava da República dos Palmares, liderada por um homem cansado e indignado com tantas atrocidades e injustiças. Zumbi morreu em batalha no dia 20 de novembro de 1695, porém, nascia naquele momento, o primeiro grito de revolta, do negro, injustiçado e vilipendiado, que viria universalizar-se mais tarde unindo-se aos de Malcolm X e Desmond Tutu, hoje ecoado por todo o mundo.


Esta semana, o Estado de Alagoas divulgou o número de assassinatos do último mês de novembro, foram 160 mortes, uma média de cinco por dia, a grande maioria eram jovens entre 18 e 25 anos. São favelados, sem a mínima perspectiva de trabalho, lazer e outros prazeres que seria "normal" a vida oferecer a todos indiscriminadamente. Jovens desorientados e condenados por uma sociedade que já os teria execrado, levando-os à miséria absoluta.

Assim como Zumbi, que foi tirado de sua comunidade a seu bel prazer, para servir aos colonizadores do novo mundo, que buscavam o "desenvolvimento", junto com milhares de irmãos, todos os dias, centenas de jovens são obrigados a saírem da zona rural alagoana e se deslocarem para as novas senzalas (favelas) a fim de darem continuidade ao "progresso", muitos nem tiveram a chance de irem as senzalas, pois nem chegaram a adolescência, foram as muita crianças que morreram este ano prematuramente, pois, o nosso Estado, também, se destaca com o maior índice de mortalidade infantil do país. Ao chegarem as suas novas moradas os homens vão para a construção civil, e as mulheres para as cozinhas (são as novas mucamas), ou, se forem de "boa aparência" podem vender seus corpos em anúncios de jornais. E no momento que esses jovens não aceitam essa condição e se rebelam, eles logo arrumam um "domingos Jorge velho" de plantão e, assim como Zumbi, são exterminados e jogados em cova rasa.


Na década de 20 se destacava no Brasil um político alagoano que viria a ser alguns anos mais tarde um dos maiores escritores deste país. Graciliano Ramos, natural de Quebrangulo é considerado o Pai da Gestão Fiscal Responsável. Ao redigir os famosos relatórios da administração, o prefeito de Palmeira dos Índios (1928/1930) dava exemplo de austeridade, respeito e ética no trato com o dinheiro do povo e chamavam a atenção pela lisura e probidade administrativa. Veja parte de um dos relatórios, enviados ao Governador:


- Iluminação?A prefeitura foi intrujada quando, em 1920, aqui se firmou um contrato para o fornecimento de luz. Apesar de ser o negócio referente à claridade, julgo que assinaram aquilo às escuras. É um bluff. Pagamos até a luz que a lua nos dá. (Graciliano Ramos).


O fato é que todo esse cuidado e presteza levaram posteriormente o Mestre Graça à prisão, depois de ser acusado de conspirar contra a República. No entanto o ano passado, vários deputados estaduais roubaram (alguns preferem o termo, desviaram) mais de R$ 300 milhões de reais do povo alagoano e apesar disso nenhum deles foi para a cadeia, pelo contrário, gozam de todas as benesses que os "escolhidos" merecem.


Os índices de analfabetismo em Alagoas são também os maiores do país, mesmo depois de inúmeros apelos, através dos escritos, desde a década de 40, de mais um grande alagoano, da cidade de Matriz do Camaragibe, o lexicógrafo Aurélio Buarque de Holanda.


Para que não precisemos ficar sempre para trás, dizendo Bye Bye Brasil, em relação aos outros estados, quem sabe possamos sonhar, que o titulo de um dos tantos filmes, do alagoano de Maceió, cineasta de renome internacional, Cacá Diegues, possa ser uma realidade: Dias melhores Virão.

Por Sérgio Campos

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