Author`s name Edu Montesanti

Kaká, Chomsky e a Simplicidade Encantadora da Vida

O ex-jogador Kaká, último brasileiro considerado o melhor do mundo do futebol em 2007, revelou recentemente estar dedicando-se às provas de maratona. "Saio de um esporte coletivo e vou para um esporte individual; sou eu comigo mesmo, os desafios são meus," disse em entrevista ao jornal brasileiro O Estado de S. Paulo o ex-meio campista, que encerrou a carreira futebolística em 2017 atuando pelo americano Orlando City.

Mas, em um mundo crescente e assustadoramente perturbado além de fortemente apoiado nas melancólicas aparências com forte apelo até a coisas como marketing pessoal, vale mesmo destacar as seguintes palavras do Kaká, ser humano de possui dentro de si raros valores muito superiores às habilidades esportivas, em resposta ao diário paulista sobre as memórias da Copa de Mundo vencida pelo Brasil em 2002, com presença do atleta natural de Gama (DF) naquela conquista (último mundial vencido pela seleção brasileira):

"Conforme foram passando os anos, e até hoje depois que deixei de jogar, consigo entender bem melhor o que era aquilo. Eu tinha dois anos de profissional, e estava conquistando um título mundial! Não tinha tanto a ideia, a dimensão do que era aquilo. Hoje, consigo ver o privilégio que foi, aos 20 anos [de idade] participando daquela conquista."

Enquanto diversas personalidades mundo afora, por muito menos, creem-se e/ou portam-se como muito superiores àquilo que tem em determinado momento, particularmente o Kaká nunca se comportou como um grande craque que foi. Ele nem sequer se sentia isso, ao longo de toda a carreira.

Muito pelo contrário, e as palavras acima não supreendem quem o conheceu pessoalmente algum dia, ou conviveu em seus círculos sabendo bem quem e o ser humano Ricardo Izecson dos Santos Leite - o Kaká.

Apans hoje, aos poucos enquanto se mete a correr pelas ruas como maratonista, acaba tendo alguma noção do que alcançou e do que significou ao mundo (lamentavelmente, das ilusões e dos mesquinhos interesses materiais).

E o verbo no pretérito acima destacado, explica o sentimento de felicidade no ser interior do ser humano braziliense: quando tudo passa, rapidamente em um mundo inevitavelmente passageiro, a estrutura psicológica/espiritual do Kaká permite que seja ele mesmo para muito além dos dentes artificialmente branqueados dos grandes astros do futebol de hoje - feliz por ser o que é, quem é de verdade independente do ser/fazer/ter/poder.

Livre das depressões, amarguras e toda sorte de enfermidades "da moda", que na verdade são do espírito, e seu consequente, evidente, inevitável "sorriso amarelo" na essência, em um mundo desesperadamente moribundo.

Verdadeiros amigos

Tanto quanto adorado por seus verdadeiros amigos, que sempre o adoraram por aquilo que o Kaká é, e não pelo que possui materialmente, ou pelas vantagens materiais que o ex-jogador pode proporcionar aos que o rodeiam. 

Faz lembrar o incrível americano Noam Chomsky: mente incomparavelmente brilhante, considerado nada menos que o pai da linguística moderna, o também sociólogo, filósofo e politógolo natural da Fildélfia (PA) não se comporta nem se sente a personalidade que é capaz de, literalmente, fazer o mundo parar - ou tremer, denunciando os podres poderes.

Pelo contrário: considerado o intelectual mais importante vivo hoje simplesmente por The New York Times, entre tantos reconhecimentos dos mais notáveis em todo o mundo, Chomsky, antes de mais nada reserva moral mundial, porta-se como o mais pobre dos mortais. 

Manter contato com o "professor doutror" Chomsky, por sua postura singela e marcantemente doce, torna-se até complicado chama-lo de "professor", mais ainda "doutor".

Falar com Noam Chomsky acaba causando até vergonha por, algum dia, em algum momento ter-se considerado a si mesmo "aguma coisa" por "algum feito", ou determinado nível de conhecimento.

Mundo perdido

Em um mundo tão perdido quanto este, dando mostras de apenas piorar a passos apavorantemente largos, e consolador e animador ter Kaká e Noam entre nós. Uma honra poder falar deles, apontando tantas qualidades e agradecendo pelo que são, e pelos exemplos que transmitem. 

À dona Simone Leite, ao seu Bosco Leite, à linguista brasileira, doutora Valéria Chomsky: nosso muito obrigado pelos seres humanos que este mundo tem, pelo amor e cuidado especial de vocês a estas joias raras da humanidade. Os guardem para nós, pois a graca da vida esta em sua simplicidade - e Kaká e Noam são um pouco da graça que resta neste mundo tenebroso.

Que os agradecimentos, as justas homenages se deem enquanto seres como estes estão entre nós. Nem tudo é desgraça neste mundo, felizmente. Obrigado por existir, Kaká e Noam!

 

 

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