A jovem cineasta Eva Randolph tenta um bis na competição internacional de curtas-metragens no Festival Internacional de Cinema de Locarno. Depois de já ter ganhado um Leopardinho de Ouro na mostra Cineastas de Amanhã com o curta-metragem Dez Elefantes, Eva trouxe aqui para Locarno os 19 minutos do Bom Comportamento.
Com exclusividade, ela fala do seu novo curta e de seus projetos.
O que você fez depois da vitória dos Dez Elefantes ?
Eva - Depois dos Dez Elefantes, fui estudar fora (mestrado na Universidade Pompeu Fabra, na Espanha) e fiz um curta encomendado pelo Centro Cultural de Barcelona - Al anochecer ya murmura el bosque (5 minutos), que passou em diversos festivais brasileiros mas algo bem singelo, em super8. A seguir, fiz Menino Peixe, que estreou no Festival de Brasília e passou na Suécia no Upsala Film Festival e outros pelo mundo.
O atual curta, aqui em Locarno, O Bom Comportamento, concorreu na Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro, em 2012, e foi contemplado com um financiamento. A seguir, foi preciso captar mais dinheiro para fazer e aproveitei para reescrever o roteiro original com René Guerra, um diretor com o qual me dou muito bem, e fiz uma pesquisa com a Daniela Santos e fomos para uma colônia de férias nos arredores do Rio de Janeiro e como esse material foi elaborado o roteiro utilizado. Terminamos um maio-junho e enviamos para Paulínia, onde ganhamos o Prêmio Especial do Júri, e o curta foi selecionado para Locarno.
Tem alguem longa-metragem para fazer ?
Eva - Eu ainda tenho programado um outra curta, para o qual falta ainda o financimento. Depois, terei um longa mas preciso ainda escrever o roteiro.
Como pode descrever o curta O Bom Comportamento ?
Eva - ´Tudo se passa numa colônia de férias, mas não ficou muito claro que tipo de ambiente era o desse lugar. É um filme fragmentado e a personagem deslocada quer fazer parte de um grupo ali existente. No meio disso, tem uma história de fantasmas, coisas que costumam existir em geral nas colônias de férias. E o filme vai se construindo a partir da concepção fragmentada da personagem, vai ganhando corpo e, ao mesmo tempo, existe no filme a relação com esse fantasma. Eu quis fazer um filme que eu gostasse de ver assim como os espectadores.
E como é fazer cinema no Brasil ?
Eva - A situação é crítica, meu filme teve um apoio num edital de 2013 mas até agora não houve outros novos financiamentos. Não existe também um comprometimento maior da Rio Filmes e da Secretaria da Educação, como ocorre, por exemplo, em Pernambuco e São Paulo. Temos de lutar muito para poder continuar existindo.
O produtor Eduardo Ades do filme de Eva Randolph aproveitou para contar que o curta teve um orçamento de 70 mil reais e acentuar a atual dificuldade de se obter financiamentos públicos, que mesmo mínimos são essenciais, pois com eles é difícil mas sem eles não se pode fazer nenhum filme. Os últimos editais de financiamentos foram há dois anos e não se sabe se este ano haverá algum. No Brasil, o mercado de filmes só é ocupado por 15% de filmes brasileiros. Quem quer viver de cinema tem de propor principalmente comédias, diz Ades, mas quem quer outro gênero preciso ser muito corajoso.
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