Author`s name Timothy Bancroft-Hinchey

Oftalmologista alerta para riscos da dengue à visão

O aumento dos casos de dengue que se alastra no país também pode afetar a visão. De acordo com o oftalmologista do Instituto Penido Burnier, Leôncio Queiroz Neto, a demora na busca por tratamento pode causar graves distúrbios oculares que nem sempre são percebidos.

Perigo está relacionado a hemorragias e formação de depósitos de anticorpos nas artérias. Diabéticos e portadores de doenças vasculares correm mais perigo. O aumento dos casos de dengue que se alastra no país também pode afetar a visão. De acordo com o oftalmologista do Instituto Penido Burnier, Leôncio Queiroz Neto, a demora na busca por tratamento pode causar graves distúrbios oculares que nem sempre são percebidos

De acordo com o oftalmologista do Instituto Penido Burnier, Leôncio Queiroz Neto, a demora na busca por tratamento pode causar graves distúrbios oculares que nem sempre são percebidos; O médico destaca que existem quatro tipos diferentes de sorotipos do vírus do dengue. O risco é maior quando a pessoa é exposta a dois tipos diferentes do vírus. Isso porque, pode causar  hemorragia na retina, camada de células nervosas que fica no fundo do olho e transmite as imagens para o cérebro.   Mesmo a dengue clássica, considerada menos perigosa, pode afetar o revestimento interno dos olhos, coroide e a retina. Por isso a recomendação é consultar um oftalmologista antes de completar 7 dias do diagnóstico.  Isso porque, explica, para combater o vírus nosso sistema imune forma anticorpos que alteram a corrente sanguínea. As principais mudanças no sangue são:

  • Diminuição do número glóbulos brancos e linfócitos responsáveis pela defesa do organismo.
  • Queda das plaquetas que respondem pela coagulação.

O especialista diz que a queda de plaquetas aumenta o risco de hemorragia subconjuntival ou intraocular, inclusive em quem nunca foi contaminado pela dengue.  Já a oclusão vascular, precipitada pelo depósito de anticorpos nas paredes internas das artérias e vasos. aumentam o risco de derrame intraocular.

Sintomas e Tratamentos

De todos os distúrbios oculares decorrentes da dengue, só a hemorragia subconjuntival altera o aspecto do olho, deixando a esclera (parte branca) congestionada de sangue. Pode estar relacionada a um trauma e por isso é mais comum entre crianças, comenta. Apesar de a aparência impressionar, não se trata de um problema grave e desaparece em semanas sem uso de medicação. Em caso de dor nos olhos ou visão turva, a recomendação é consultar um oftalmologista imediatamente.

O médico destaca que a oclusão vascular (trombose) decorrente do depósito de anticorpos nas paredes das artérias pode deixar a visão embaçada. O diagnóstico é feito através de exame de fundo de olho. Quando são detectadas alterações vasculares o tratamento é feito com aplicações de laser para impedir o sangramento.  Em caso de hemorragia, o oftalmologista afirma que  é indicada a vitrectomia. Trata-se de um procedimento cirúrgico feito com micro incisões para eliminar o sangramento que provoca cegueira irreparável quando atinge a mácula (parte central da retina).

Grupos de Maior Risco

Queiroz Neto adverte que entre fumantes a dengue dobra a chance de hemorragia intraocular por conta do aumento da obstrução vascular provocada pelas substâncias do cigarro.  Portadores de diabetes e colesterol alto que provoca aterosclerose também correm maior risco. O especialista alerta os pais para o alto índice de crianças que têm estas doenças não diagnosticadas. Isso porque a expectativa é de que 1 em cada 4 casos de dengue ocorram na população infantil. Manchas vermelhas na pele, febre, dor nas articulações, olhos e músculos são os primeiros sinais de alerta da doença. Mesmo quem nunca foi infectado deve passar por consulta com um oftalmologista

Eutrópia Turazzi

LDC Comunicação

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