Author`s name Timothy Bancroft-Hinchey

Semana Nacional de Ciência estima 15 milhões de visitantes em todo o País

Semana Nacional de Ciência e Tecnologia  "Foi instituída em 2004 e está crescendo. A partir de então, todos os anos, durante uma semana em outubro, fazemos essa mobilização em todo o País. O Ministério da Ciência e Tecnologia dá apoio financeiro e logístico a muitas entidades. Os números vêm crescendo. Neste ano, o evento está em cerca de 450 cidades, totalizando aproximadamente dez mil eventos. Em Brasília, por exemplo, é esperada a visita de 100 mil pessoas, principalmente estudantes. É lógico que em alguns eventos haverá uma participação bem menor. Mas se calcularmos em cada evento cerca de 1.500 pessoas visitantes, nos dez mil eventos teremos 15 milhões de pessoas. Esse número representa quase 10% da população brasileira. Temos informações concretas que mostram que o interesse tem aumentado muito."


A Semana e os jovens - "Sabemos que o Brasil é um país de grande produção de talentos para o futebol. Isso acontece em grande parte porque em qualquer lugar do País tem um campo de futebol. Desde cedo, os jovens praticam esse esporte. Com a ciência e tecnologia pode não ser diferente. Se o jovem tiver a oportunidade, uma grande parcela se interessará. A ciência é um caminho para fazer com que o jovem perceba que ali tem uma atividade interessante e desafiadora. O jovem que se interessa por uma atividade sadia não é levado para atividades perniciosas e negativas."


Assuntos técnicos e científicos - "O Brasil começou a desenvolver um sistema de ciência e tecnologia apenas na década de 1960. Somente naquela década foram instituídos programas de pós-graduação para formar pesquisadores no Brasil. Os países mais industrializados já têm isso há centenas de anos. A China já tem isso há milhares de anos e hoje passa por um processo de revigoramento grande e crescimento da economia. Ela não está fazendo isso só porque o governo assim decidiu, mas porque tem uma tradição em ciência. O Brasil não tem essa tradição. Muitas das atividades que o nosso ministério tem promovido têm o objetivo de fazer com que a sociedade brasileira perceba que nós também temos competência para desenvolver ciência e tecnologia. Mas para isso precisamos atrair os jovens para as carreiras de ciência, precisamos ter apoio às atividades científicas e tecnológicas não só nas universidades, mas também nas empresas, porque é nelas que vemos o conhecimento ser transformado em riqueza e tecnologia. Estamos avançando muito, mas ainda temos um longo caminho a percorrer."

Olimpíadas de Matemática - "A prova é organizada em três níveis. O primeiro nível é para alunos da quinta e sexta séries do ensino fundamental, o segundo nível é para alunos da sétima e oitava séries e o terceiro é para alunos do ensino médio. Todos os inscritos fazem a primeira prova. Eles foram 18,3 milhões de estudantes e fizeram a prova no mês de agosto. Desse total, são selecionados 800 mil através de uma prova objetiva para fazer a segunda prova. É um evento que mobiliza milhões de pessoas. A segunda fase acontece no dia 8 de novembro, dentro de duas semanas. Então, nós conheceremos os medalhistas de bronze, de prata e de ouro."


Estímulo - "O mais importantes nessas Olimpíadas é que ela está despertando nos alunos a vontade de estudar matemática para competir. A competição é uma atividade que estimula as pessoas, porque todo mundo quer vencer. Mas ex istem alguns outros benefícios diretos para os premiados. Estamos oferecendo, por meio do CNPq, bolsas de iniciação científica júnior para os três mil primeiros colocados. Temos, em todo o País, 200 centros que promovem aulas durante os finais de semana, para que eles tenham a oportunidade de aprender mais. Também realizamos cursos para os professores. Ou seja, temos vários benefícios diretos. Mas o maior de todos é fazer com que o estudante perceba que estudando matemática ele se torna mais capaz. A Olimpíada é um evento muito bem-sucedido porque está mobilizando milhões de estudantes brasileiros e melhorando o ensino da matemática, que é a primeira das ciências."


Resistência à Matemática - "Isso é porque as pessoas não compreendem. Quando a gente não compreende algo, não gostamos. Uma vez que o aluno seja estimulado e tenha um bom professor, quando percebe que é capaz de desenvolver um raciocínio ele passa a gostar daquilo. A Olimpíada de Matemát ica serve para desmistificar a matemática."


Divulgação - "Uma das dificuldades que área de ciência e tecnologia enfrenta é a falta de uma maior divulgação por parte dos sistemas de comunicação - rádio, televisão, jornais. A ciência não está na cultura do brasileiro."


Orçamento MC&T - "Nos últimos anos, o orçamento de ciência e tecnologia vem crescido substancialmente. O projeto de lei de orçamento que o governo mandou para o Congresso Nacional há dois meses prevê para o Ministério da Ciência e Tecnologia um orçamento de quase R$ 6 bilhões. Em 2002, o orçamento para o setor foi de R$ 1,5 bilhão. Estamos todos surpresos com a dimensão da crise. Ela começou há um ano, mas não imaginávamos que ela fosse se estender e se aprofundar tanto. O presidente Lula disse que não podemos garantir o que vai acontecer ano que vem. Ele está sendo muito realista. Não sabemos ainda onde a crise vai parar. Mas queria dizer que o orçamento que foi env iado ao Congresso representa um acréscimo de 20% em relação ao orçamento deste ano. Se não conseguirmos ter os 20% de aumento, ainda estaremos com um orçamento muito maior do que há quatro anos. O grande desafio do MC&T hoje não é exatamente a falta de recursos, mas como usar bem os recursos que estão sendo disponibilizados. Diante das dificuldades atuais, não estou pessimista. Estou apreensivo, mas bastante confiante de que se houver uma redução no orçamento do Ministério, ela não será significativa. De qualquer forma, ainda teremos um orçamento maior do que os anteriores."


Pesquisas agropecuárias - "Trata-se de área na qual o Brasil é extremamente competitivo. Em grande parte porque na década de 1970 foi criada a Embrapa, que desenvolve ciência e tecnologia e transfere o conhecimento para os produtores. Não havia produção de soja no cerrado, porque não tínhamos adaptação de plantas para o cerrado e nem um tratamento adequado de solo. A Embrap a é uma das principais responsáveis por ter revertido isso. A possibilidade de expansão da cultura de cana de açúcar no Mato Grosso do Sul não nos preocupa. O Brasil hoje tem cerca de 250 milhões de hectares agricultáveis. Só usamos cerca de sete milhões para a produção de cana-de-açúcar. Então, podemos expandir sem chegar perto da Amazônia ou de outras culturas. Esse trabalho está sendo feito e acompanhado pela Embrapa."


Investimentos - "Assinamos com o Ministério da Agricultura uma portaria criando um programa para fazer com que tenhamos ciência e tecnologia contribuindo com a rastreabilidade. Nesse sentido, o MC&T tem um centro novo em Porto Alegre - o Ceitec -, voltado para a microeletrônica. O Ceitec já desenvolveu um chip que vai permitir que tenhamos em nosso rebanho cerca de 200 milhões de cabeças rastreadas, colocando a tecnologia para contribuir para a melhoria da competitividade da nossa produção agropecuária. É uma iniciativa inédita. Tem os trabalhado em conjunto com vários outros ministérios, como o da Educação, Comunicações e Indústria e Comércio."

Cultura científica - "O MC&T, juntamente com o Ministério da Educação, tem feito um esforço para melhorar a qualidade do ensino de ciências nas escolas públicas. Uma iniciativa muito importante que vai chegar até 2010 a pelo menos 80% das escolas públicas é o acesso à internet. Até o final do ano, já teremos cerca de 20 mil escolas públicas ligadas à internet. O Ministério da Educação está financiando a aquisição dos computadores para as escolas. Vamos gradualmente incluir todas as escolas. Na área rural, é um pouco mais difícil, mas também vai ser feito. Esperamos que, por meio dessas medidas, consigamos durante o ano todo, permanentemente, interessar os jovens pela ciência."


Instituto Nacional do Semi-Árido - "O Instituto Nacional está sendo implantado. Ele foi criado há alguns anos e a sua implantação demorou porque na aprovação da lei não foram criados cargos necessários. Houve, então, uma diretoria provisória, que realizou um trabalho muito importante. Mas hoje já temos uma diretoria definitiva. Roberto Germano, um experiente pesquisador, foi selecionado por um comitê e está à frente deste projeto. A primeira coisa que ele fez foi reunir pesquisadores das várias entidades que trabalham na região do semi-árido, universidades e centros da Embrapa para elaborar um plano estratégico. O Insa não vai desenvolver tudo sozinho. Neste momento, o Instituto tem um projeto de construção da sua sede e recebeu como doação do estado um terreno na saída de Campina Grande. O projeto do prédio está pronto e esperamos ter as obras iniciadas brevemente. É um projeto que será realidade concreta dentro dos próximos dois anos."

Fonte: Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República