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10º Aniversário da Escola Latino-Americana de Medicina

16.11.2009 | Fonte de informações:

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Criadores de um mundo mais humano

(...) Permitam-me sonhar. Acontece que, depois de meio século de luta, tenho certeza absoluta de que ninguém poderá falar dos sonhos de Cuba, como disse Calderón de la Barca, "toda a vida é sonho e os sonhos, sonhos são". — Fidel, na primeira formatura da Escola Latino-Americana de Medicina (ELAM), em 2005.

José A. de la Osa. Foto de Otmaro Rodríguez

Há dez anos, uma antiga instalação militar — a Academia Naval Granma — graças à solidariedade de um pequeno país criminalmente acossado e bloqueado por um Golias dos nossos tempos, foi convertida numa universidade médica latino-americana, com o propósito de que milhares de jovens privados tornassem realidade seus sonhos, para depois promover saúde, prevenir, sarar e salvar a milhares de seus próprios irmãos necessitados.

Para palpar literalmente aquele histórico acontecimento, falei então com Nora Karina, da Guatemala, com Lesver Miguel, da Nicarágua, com Nelson Menocal, de Honduras, e muito mais daquele grande grupo de jovens da nossa América que começavam a caminhar para o futuro.

Impressionou-me muito o relato de uma jovem miúda, comunicativa, Igni Estrada Moncada, memória viva da pobreza, que podia ter muitas similitudes com a de muitos jovens que estudam gratuitamente na Escola Latino-Americana de Medicina, e que recebeu seu diploma de doutora, segundo consta na Secretaria Geral da Universidade, n a primeira formatura da ELAM, em 2005.

Igni, lembro que dizia, gostava da chuva, mas, paradoxalmente, sofria quando a escutava cair, porque a poucos metros da sua casa, no município de Ilopango, em El Salvador, inúmeras pessoas moravam em casas de lâminas, e "então, penso que as crianças estão se molhando dentro de suas casas, ficam doentes, e as pessoas que mais precisam são as que recebem menos atendimento de saúde".

Y perguntava-se: Que médico dos que moram em Colonia Escalón (uma zona próxima onde vivem pessoas abastadas) vai atender a uma comunidade onde existe tanta pobreza?...

"Eu vim a Cuba, respondendo a sua solidariedade, para me preparar e servir a quem precisar de atendimento, sem diferença de nenhum gênero".

Às vezes, ela tinha medo, refletia, de que a visão humana e social que sentia tão profundamente pudesse ser desviada de seus caminhos, se tivesse, inclusive, a possibilidade de se formar num país capitalista, "e fiquei impregnada da filosofia, como eu vi, de a gente leva uma criança doente, e se não tiver dinheiro para pagar, não é simplesmente atendida e isso me aconteceu com um irmãozinho quando tinha um dia de nascido".

Estudando este curso humano em Cuba, concluía, sei que não vou mudar destas ideias, porque estou rodeada de médicos que pensam o mesmo: que como médicos devemos estar onde o povo nos precisar.

O processo de seleção dos estudantes para matricular na ELAM realiza-se nos países donde procedem, respondendo fundamentalmente à sugestão de Cuba de que sejam jovens com vocação pela medicina e de escassas ou nenhuma possibilidade de formação neste curso universitário em seus países.

O surgimento de um idéia

No coração da Cidade de Havana, dirigindo em direção ao oeste da capital pela Quinta Avenida, comunica-se com a estrada Panamericana. A uns 25 quilômetros, no limite mesmo das províncias de Havana e Cidade de Havana, encontra-se a ELAM, que se destaca por sua estrutura e bucólica alocação e, também, no âmbito acadêmico pela integração dos componentes docente, de pesquisa e assistencial no processo de ensino e aprendizagem.

A ideia de um Programa Integral de Saúde (de ajuda médica gratuita para a região e outros continentes), e uma Escola Latino-Americana de Medicina (como a parte sustentável dessa ajuda), nasceu em 1998, depois do açoite de dois furacões pelo Caribe e pela América Central, deixando um saldo de um número impressionante de óbitos e consideráveis estragos materiais.

Em 15 de novembro de 1999, por ocasião da 4ª Cúpula Ibero-Americana de Chefes de Estado e de Governo, em Havana, Fidel teve a seu cargo a inauguração oficial do projeto ELAM, "como simples símbolo do que nós, juntos, podemos alcançar", e que pretende ser, disse, uma modesta contribuição de Cuba para a unidade e integração dos povos que aqui representamos.

Expressou que na ELAM não se ministram disciplinas de caráter político, como se faz com os jovens cubanos em todos nossos centros universitários. Aprenderão a história do nosso hemisfério, particularmente, a da América Latina e do Caribe (...) Cada um tem liberdade de professar sua religião, seja qual for. E assinalou: O mais importante é a sagração ao mais nobre e humano dos ofícios: salvar vidas e preservar saúde. Mais que médicos, serão guardas zelosos do mais prezado do ser humano; apostolos e criadores de um mundo mais humano.

"Médicos dispostos para trabalharem onde for preciso, nos mais remotos cantos do mundo, onde outros não estão dispostos a ir. Esse é o médico que vai se formar nesta Escola".

 
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