Lula: Divergência é salutar e Palocci fica

"Se vocês querem que eu diga, eu vou repetir aqui: o Palocci é e vai continuar sendo o meu ministro da Fazenda".

Depois, completou: "O ministro Palocci continua tendo de mim toda a consideração que eu tinha antes, tenho agora e vou ter depois. Palocci é um ministro da minha inteira e total confiança e o Brasil deve a ele muito. Não sei se um economista conseguiria fazer o que o Palocci fez na política econômica".

Lula citou avanços na área econômica em relação ao governo passado, que resultaram no crescimento real do PIB, que passou de 1,9%, em 2002 para os atuais 4%; na queda da taxa de inflação de 12,5% para 4,9%; e na taxa de desemprego, de 11,7% para 9,4%.

Para o presidente, o "companheiro ministro Palocci" tem muito a ver com esses resultados.

Lula voltou a lembrar da geração de 3,7 milhões de empregos e do aumento das exportações e da poupança interna cresceram.

Queda dos juros Ele acrescentou que o cenário econômico deve ficar ainda melhor "quando os juros derem sinais de queda". Isso levaraia a um ajuste na taxa de câmbio, favorecendo as exportações e acelerando o crescimento.

"Tenho certeza de que vamos consertar para melhor a política econômica", acrescentou. De acordo com o presidente, os indicadores econômicos referentes a 2006 comprovarão que a política econômica está no caminho certo. "Com a estabilidade econômica, estamos criando um país mais justo", afirmou.

O presidente também falou sobre a manutenção da meta do superávit primário (a economia que o país faz para o pagamento dos juros da dívida) em 4,25% do PIB (Produto Interno Bruto).

"Ninguém faz superávit porque gosta de fazer superávit. Nós fazemos superávit porque devemos muito, a nossa dívida interna é de quase R$ 1 trilhão, e nós precisamos dizer aos nossos credores - que muitas vezes são grande parte da classe média brasileira, que tem poupança nos bancos - que eles vão receber aquilo que é dinheiro deles", disse.

"Nós não fazemos isso porque é maravilhoso fazer superávit, fazemos porque é uma demonstração de seriedade", completou.

Debate salutar O presidente afirmou ainda que a divergência criada entre Palocci e Dilma Rousseff, ministra da Casa Civil, sobre o ajuste fiscal, é salutar para o país.

"É saudável que as pessoas expressem o seu pensamento, até que esse comportamento não prejudique a totalidade e o conjunto do governo".

O presidente disse que ambos os ministros são extremamente importantes para o governo e que não está do lado de nenhum dos dois, mas sim "do lado do povo brasileiro".

"Na medida em que os ministros tenham divergência, como é que nós dirimimos essa divergência? Nós convocamos uma reunião com os ministros que estão divergindo e resolvemos o problema porque aí nós transformamos a divergência numa política pública do governo e todos passarão a defender aquela política pública", afirmou.

Ajuste fiscal Segundo o presidente, o motivo da divergência foi uma tese que faz parta das políticas de governo.

"Por enquanto, eles estão debatendo. Quando eles terminarem o debate, trarão na minha mesa e junto com a Comissão de Política Econômica nós pegamos essa tese, transformamos numa política pública de governo, e aí a Dilma, o Palocci, o presidente Lula, o ministro do Planejamento, o ministro da Agricultura, a ministra do Meio Ambiente, todos passarão a defender a política defendida pelo governo", reforçou.

O presidente afirmou que o ajuste fiscal é necessário para o país. Segundo ele, o governo irá gastar o que puder gastar. Lula destacou que seu compromisso "não é com as próximas eleições", mas com a próxima geração.

"Nós fazemos ajuste fiscal por uma questão de responsabilidade. Um bom governante trata as questões financeiras de seu país como trata as questões financeiras de sua casa, com muita responsabilidade", disse.

Denúncias Lula garantiu que não vê problema em Palocci depor na CPI dos Bingos, caso seja convocado. "Acredito que, se Palocci for convocado, irá. Ele ficou 10 horas no Senado. Se ele for convidado, não vejo porque não ir. A minha tese é que quem não deve não teme", afirmou.

Sem comparação Questionado por uma jornalista da Rádio Itatiaia sobre declaração do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, de que a política do PT é "ultraortodoxa" e reduz investimentos, Lula respondeu que não existe comparação entre seu governo e a gestão de FHC.

"Contra ele (Fernando Henrique) existem os números de oito anos de mandato e os números dos 36 meses do meu. Os números falam por si só".

Lula comparou a geração de 108 mil empregos formais por mês em seu governo contra a média de 8 mil por mês na gestão tucana. Ele comparou o superávit (saldo positivo) da balança comercial de US$ 41 bilhões de seu governo e de US$ 13 bilhões no mandato de FHC. Disse, ainda, que no governo anterior a média dos juros era o dobro da atual.

"Não existe comparação. Eu fico satisfeito que, não sendo presidente, ele pense de forma mais progressista do que quando exerceu o mandato", disse.

Super-Receita Lula disse esperar que o Senado aprove hoje a Medida Provisória 258, que criou a Super-Receita. "É possivelmente a coisa mais moralizante na arrecadação brasileira", afirmou. Se não for aprovada hoje, a MP perde a validade.

Segundo Lula, os presidentes da Câmara e do Senado estão dispostos a incluir na pauta de votação projetos importantes para o governo. Entre ele, citou o Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Básico), a Lei da Micro e Pequena empresa e a reforma política.

"Estou certo que o Congresso Nacional vai dar essa colaboração. O fato de perder no Congresso as coisas de vez em quando, faz parte da democracia. O Congresso Nacional, por mais que a gente tenha discordância em alguns assuntos, é a essência da democracia no Brasil", afirmou.

Revitalização O projeto de integração do rio São Francisco às bacias hidrográficas do Nordeste Setentrional é "necessário", segundo afirmou o presidente. Mas ele destacou que também é prioridade do governo revitalizar o rio.

"Estamos nos propondo a recuperar tudo isso (o rio) para que a água a ser levada para o semi-árido não seja um transtorno para o rio São Francisco", afirmou.

O presidente lembrou que o projeto prevê a retirada de apenas 1% do volume de água do rio, para ser levada a 12 milhões de pessoas que vivem no Semi-Árido nordestino.

O presidente informou ainda que o governo federal vai iniciar a construção de trecho da ferrovia Norte-Sul, em Goiás, nos primeiros meses de 2006.

Segurança Lula destacou que não é a falta de repasses do Fundo Nacional de Segurança Pública para os Estados que está comprometendo a as políticas para o setor. De acordo com Lula, os governos estaduais são responsáveis por mais de 90% da segurança pública.

"Cada governador, antes de dizer que o governo federal tem responsabilidade (na segurança pública dos Estados), deveria dizer o que ele está fazendo. No Brasil, se tem muita facilidade de transferir responsabilidade", afirmou.

Lula lembrou que apenas o Espírito Santo pediu intervenção federal na área de segurança pública e que está disposto a ajudar outros Estados.

"Mesmo que não exista dinheiro, nós temos homens, nós temos inteligência e nós temos disposição política. Não vamos fazer da ausência dos recursos que precisamos uma desculpa para não fazer o que precisa ser feito."

Mensalão Lula disse que o Brasil vive um momento em que “as insinuações não têm respaldo no dia seguinte, mas vão ganhando corpo”. Em seguida, lembrou que a CPMI da Compra de Votos, criada para investigar o suposto pagamento de mesadas a parlamentares da base aliada, encerrou seus trabalhos sem conseguir provar a existência do "mensalão".

Em outro trecho da entrevista, o presidente voltou a citar as CPIs, defendendo a apuração de todas as acusações.

"O que desejo é que apurem com rigor tudo o que já disseram. Senão, vai acontecer o que já ocorreu na CPI do mensalão. Não conseguiram provar a existência, mas o povo acredita que há. É uma palavra fácil", lembrou.

Ele criticou a inclinação eleitoral das CPIs. "Quando a CPI (dos Correios) pede o adiamento dela até abril, tem um componente político muito forte. Os líderes do PFL e PSDB já disseram que querem fazer o governo sangrar", lembrou.

Família Indagado sobre as denúncias de irregularidades que envolvem um de seus filhos e um de seus irmãos, o presidente admitiu que sua família, assim como a de outros presidentes da República, não está livre de ser investigada.

Mas sustentou que as acusações feitas não se baseiam em provas. “Não basta levantar a dúvida, é preciso provar”, disse. Para Lula, as críticas a sua família fazem parte do jogo político nacional.

Cassação Indagado se não teria colaborado para uma eventual cassação do mandato parlamentar do ex-ministro José Dirceu (PT-SP), ao ter afirmado recentemente que a Câmara dos Deputado está condenada a cassá-lo, Lula rebateu.

“Não acredito que minha fala tenha prejudicado o Dirceu”, afirmou, explicando que teve por base informações que lê diariamente em seis jornais e três revistas semanais, além de rádio e televisão.

“Ouço as pessoas condenarem a priori o José Dirceu”, acrescentou Lula. “Me pergunto por qual crime. Se colocarem todas as denúncias de crime contra Dirceu numa prensa, e apertar, não sai uma gota”, sustentou.

Lula ainda lembrou que o autor das denúncias contra Dirceu, o ex-deputado Roberto Jefferson, já teve seu mandato parlamentar cassado pela Câmara, entre outros motivos, porque não conseguiu proavr suas acusações.

Reeleição Quanto a disputar a reeleição em 2006, repetiu que ainda não tomou a decisão, mas adiantou. "Se eu for para disputa, o debate da nossa parte será do mais elevado nível".

Lula garantiu que se caha muito bem preparado para uma eventual candidatura. "Se eu tiver que disputar novamente as eleições, eu terei material de sobra para comparar o Brasil de antes e o de 2006", disse.

O presidente afirmou que deve decidir-se entre março e abril. "A única coisa que não me assusta é o embate político. Não tenho medo de ser "vidraça", já fui vítima do maior preconceito político", disse ele, ao ser questionado sobre dificuldades que o PT encontraria na campanha de 2006.

Renovação do PT Lula disse que a crise pode servir para aperfeiçoar o PT e lembrou que os filiados compareceram em massa para escolher os novos dirigentes partidários.

"Foi bom que isso tenha acontecido agora com o PT, enquanto é novo. O PT está espraiado por esse Brasil de uma maneira que nunca houve. Isso, durante a campanha, renasce com um vigor enorme", afirmou.

PT

Subscrever Pravda Telegram channel, Facebook, Twitter

Author`s name Pravda.Ru Jornal