Author`s name Pravda.ru

Manifestação de imigrantes em Lisboa

Direitos iguais! Residência SIM!! Escravatura NÃO!! Foram as palavras de ordem na manifestação de Domingo em Martim Moniz, Lisboa, quando cerca de 1.200 imigrantes foram à rua protestar contra a abominável lei de imigração em Portugal.

A xenofobia do anterior governo PSD/PP foi conhecida. Para uma mudança desta política exclusiva e esclavagista, esta manifestação foi organizada por várias entidades portuguesas (CGTP-IN, ATTAC, SOS Racismo, Solidariedade Imigrante, Associação Olho Vivo, SOPOR, entre outras) e apoiada pelo Partido Comunista Português e o Bloco de Esquerda, com muitas associações e os jornais russos Pravda.Ru e Komsomolskaya Pravda na Ibéria.

Foi muito participada, com cerca de 1.200 pessoas dos vários continentes a manifestarem lado a lado, africanos, portugueses, ucranianos, russos, moldavos, paquistaneses, chineses, brasileiros, timorenses, a reclamarem por direitos iguais.

Foi uma prova viva que há muitos portugueses que trabalham voluntariamente para apoiar e integrar os imigrantes e que sentem o mesmo ultraje pela humilhação sentida pelo imigrante em Portugal, onde há um sistema que separa os imigrantes em dois grupos: os com “Residência” que são integrados, e os com “Permanência” que passam cinco anos a pagarem impostos e a fazerem contribuições à Segurança Social mas sem qualquer direito em retorno.

Outros estão apanhados sem a devida documentação, o que quer dizer que estão numa zona cinzenta, ilegais mas a trabalhar, a contribuírem para a economia mas sem reconhecimento, muitos já com laços familiares em Portugal.

João Silva, da Associação Olho Vivo, declarou à Pravda.Ru que “Este dia assume a maior importância para os direitos de todos os imigrantes e pela regularização de todos que vivem e trabalham em Portugal, já que existe uma situação extremamente difícil para eles, cujos direitos não são respeitados”.

Falando da necessidade de haver uma lei que acolhe a todos, João Silva declarou que “Infelizmente em Portugal, temos imigrantes de primeira, segunda, terceira e até quarta classe”.

Enquanto todos entendem que tem de haver uma política de imigração, onde está a justiça num sistema que obriga o imigrante com “Permanência” a perder meio dia para fazer o pedido de renovação, que é marcado para cinco meses depois, sem que ele possa viajar livremente durante esse tempo e depois, no acto de renovação, vai passar um dia inteiro e pagar 75 Euros para receber um carimbo no passaporte? Um dia inteiro…

Onde está a justiça num sistema em que alguns têm direitos e outros, não? Por quê é que um imigrante com Permanência não pode comprar uma casa? Por quê é que não pode montar uma firma? Por quê é que não pode empregar outras pessoas? Porém, Portugal exige destes imigrantes exatamente os mesmos deveres que impõe sobre o resto da população.

É escravatura.

“O imigrante que está aqui a trabalhar, a ajudar a construir o país, que desconta para o fisco, que desconta para a segurança social, e depois nem sequer tem o direito de se legalizar, onde está o direito nisso?” pergunta João Silva.

Os imigrantes não querem mais do que direitos iguais, integração na sociedade portuguesa e o fim desta política deplorável de escravatura nos nossos tempos.

Portugal passou do primeiro país a abandonar a escravatura para o único que ainda a pratica nos dias de hoje. Que vergonha!

Então José Sócrates…?

Timothy BANCROFT-HINCHEY PRAVDA.Ru

Subscrever Pravda Telegram channel, Facebook, Twitter

Author`s name: Pravda.Ru Jornal