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"Estrutura única" pré-histórica descoberta no Alentejo

05.08.2020 | Fonte de informações:

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Estrutura única» pré-histórica descoberta no Alentejo

AbrilAbril

4 DE AGOSTO DE 2020

Escavações arqueológicas no distrito de Évora revelaram uma construção monumental circular única na Península Ibérica que, até agora, apenas era conhecida nas Ilhas Britânicas e na Europa Central.

Escavações arqueológicas no complexo arqueológico dos Perdigões, nos arredores de Reguengos de Monsaraz, distrito de Évora, identificaram «uma estrutura única na Pré-História da Península Ibérica», anunciou hoje a empresa Era-Arqueologia.

Em declarações à agência Lusa, o arqueólogo responsável, António Valera, disse tratar-se «de uma construção monumental em madeira [...] de planta circular e com mais de 20 metros de diâmetro», «composta por vários círculos concêntricos de paliçadas e alinhamentos de grandes postes ou troncos de madeira».

Segundo o arqueólogo, as fundações do monumento sobrevivem, tendo já sido exposta «cerca de um terço da sua planta».

Trata-se, afirma, de «uma construção de carácter cerimonial» que até hoje apenas fora encontrada nas Ilhas Britânicas e na Europa Central, conhecida como woodhenge ou timber circles (círculos de madeira).

A construção foi datada como «de entre 2800-2600 antes de Cristo (a.C.)», portanto «anterior à construção em pedra de Stonehenge [em Inglaterra], para a qual se tem avançado uma cronologia em torno a 2500 a.C.», sublinhou o arqueólogo.

Arqueólogos e investigadores de Stonehenge admitem que a construção dos célebres círculos de pedra foram antecedidos por estruturas de madeira como aquelas que agora foram descobertas no Alentejo.

«Um autêntico calendário anual do nascer do sol»

A estrutura agora identificada localiza-se no centro do grande complexo de recintos de fossos dos Perdigões e «articula-se com a visibilidade sobre a paisagem megalítica que se estende entre o sítio e a elevação de Monsaraz, localizada a nascente, no horizonte».

«Um possível acesso ao interior desta estrutura encontra-se orientado ao solstício de verão, reforçando o seu carácter cosmológico», situação que, segundo António Valera, «é também conhecida noutros woodhenges e timber circles europeus, onde os alinhamentos astronómicos das entradas são frequentes, sublinhando a estreita relação entre estas arquitecturas e as visões do mundo neolíticas».

A implantação da estrutura monumental «é representativa do seu carácter cosmogónico», situando-se «num anfiteatro natural, aberto ao vale da Ribeira de Vale do Álamo, onde se localiza uma das maiores concentrações de monumentos do megalitismo alentejanos. As entradas dos recintos estão orientadas aos solstícios ou aos equinócios, «funcionando o horizonte para o qual está virado como um autêntico calendário anual do nascer do sol», segundo a empresa.

Perdigões: monumento nacional e de relevância europeia

O arqueólogo realçou que a descoberta «reforça a já elevada importância científica do complexo de recintos dos Perdigões no contexto internacional dos estudos do Neolítico Europeu, aumentando simultaneamente a sua relevância patrimonial», que foi reconhecida em 2019 com a classificação como Monumento Nacional.

O sítio arqueológico dos Perdigões abrange, segundo a Era-Arqueologia, «uma área de cerca de 16 hectares», com «um diâmetro máximo de cerca de 450 metros».

Há 23 anos que a empresa procede a escavações naquele complexo arqueológico na Herdade do Esporão, nos arredores de Reguengos de Monsaraz, onde tem reunido colaborações de várias instituições e investigadores nacionais e estrangeiros.

O sítio apresenta uma cronologia de cerca de 1400 anos, desde o final do Neolítico Médio (cerca 3400 a.C.) até ao início da Idade do Bronze (cerca de 2000 a.C.) e é visto «como um grande centro de agregação de comunidade humanas, onde se desenvolveriam práticas cerimoniais, se geriam relações identitárias, culturais e políticas entre diferentes grupos».

 

 

 

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Foto: Imagem aérea dos recintos centrais do Complexo Arqueológico dos Perdigões. A área já escavada pela equipa da ERA situa-se do lado direito da imagem; o lado esquerdo resulta de uma composição hipotética realizada a partir da fotografia obtida sobre a área efectivamente escavada.Créditos/ Era-Arqueologia

 

 
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