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Teoria do Valor-Trabalho

14.04.2010 | Fonte de informações:

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O Capital enseja muitas cartas de Marx para Engels. Numa delas, Marx expõe o que julga ser o melhor do livro.

"O que há de melhor no meu livro é: 1) (e é sobre isso que repousa toda a compreensão dos fatos) a colocação em destaque, desde o primeiro capítulo, do duplo caráter do trabalho, que se exprime em valor de uso ou em valor de troca; 2) A análise da mais-valia, independentemente de suas formas particulares: lucro, juros, renda fundiária, etc." [vii]

Na seguinte, Marx expõe o que ele distingue como os três elementos fundamentalmente novos de sua obra.

"1) Em oposição a toda a economia anterior que de cara trata como dados os fragmentos particulares da mas-valia com suas formas fixas de renda, lucro e juros, eu trato de início da forma geral da mais-valia, na qual tudo ainda está misturado, por assim dizer, numa solução.

"2) Uma coisa bem simples escapou a todos os economistas sem excessão, é que, se a mercadoria tem o duplo caráter de valor de uso e valor de troca, é preciso que o trabalho representado nessa mercadoria também possua esse duplo caráter; entanto que apenas a análise do trabalho sem frase, tal como se encontra em Smith, Ricardo, etc., fatalmente esbarra em toda a parte com problemas inexplicáveis. Esse é de fato todo o segredo da concepção crítica.

"3) Pela primeira vez, o salário é apresentado como a forma fenomenal irracional de uma relação que essa forma dissimula, e isso sob as duas formas do salário: salário por hora e salário por produto." [viii]

Marx acrescenta aí um comentário interessante sobre a regulação da produção pelo tempo de trabalho socialmente disponível.

"Na realidade, nenhuma forma de sociedade pode impedir que de uma maneira ou de outra o tempo de trabalho disponível da sociedade regule a produção. Mas entanto que essa regulação não se cumpra por meio de um controle direto e consciente da sociedade sobre o seu tempo de trabalho - o que só é possível com a propriedade social -, mas pelo movimento dos preços das mercadorias, nós continuamos na situação que você descreveu de maneira tão pertinente nos Deustch-Französische Jahrbücher [Anais Franco-alemães]." [ix]

A correspondência de Marx e Engels é rica em análises e conclusões sobre a economia política do capitalismo. Não se trata apenas de cartas de Marx para Engels, mas também de Engels para Marx e de um e do outro para terceiros. Nesses textos, a teoria do valor-trabalho ocupa uma posição central. Aqui tratamos apenas de apresentar rapidamente o tema. Aqueles que queiram se aprofundar na matéria, que é essencial para a compreensão do marxismo, devem se preparar para leituras às vezes áridas e se empenhar em estudos que demandam um esforço de maior fôlego.

Quanto às obras a serem estudadas, além dos três volumes de O Capital, são importantes, entre outras, Teorias da Mais-valia e Grundrisse der Kritik der Politischen Ökonomie [Elementos fundamentais para a crítica da economia política]. Ver, a esse respeito, o ensaio de Carlos Nelson Coutinho: A gênese do Capital , segundo Rosdolsky .

Notas:

[i] Carta de Marx a Engels, 2 de abril de 1858 (Correspondance, p. 100-101)

[ii] Carta de Marx a Engels, 2 de abril de 1858 (Correspondance, p. 101)

[iii] Adam Smith (1723-1790) , economista inglês que é um dos grandes representantes da economia política burguesa clássica.

[iv] David Ricardo (1772-1823), economista inglês que é um dos maiores representantes da economia política burguesa clássica.

[v] Carta de Marx a Engels, 2 de agosto de 1862 (Correspondance, p. 127)

[vi] Carta de Marx a Engels, 26 de junho de 1867 (Correspondance, p. 191)

[vii] Carta de Marx a Engels, 24 de agosto de 1867 (Correspondance, p. 192-193)

[viii] Carta de Marx a Engels, 8 de janeiro de 1868 (Correspondance, p. 198-199)

[ix] Carta de Marx a Engels, 8 de janeiro de 1868 (Correspondance, p. 199)

Bibliografia:

MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. Correspondance (1844-1895) , Moscou: Editions du Progrès, 1971.

* Citações traduzidas livremente do francês.

Sergio Granja é pesquisador da Fundação Lauro Campos
 
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