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A Nuclearização da Coréia do Norte e as questões estratégicas regionais

21.04.2005 | Fonte de informações:

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Em fevereiro passado a Coréia do Norte festejou os 63 anos do seu líder, Kim Jong Il, anunciando possuir armas atômicas e retirando-se das negociações com os EUA, Japão, Rússia, China e Coréia do Sul, para o encerramento do seu programa Nuclear.

Porém para compreendermos, como chegou-se a essa situação de tensão internacional, é necessário relembrarmos alguns fatos importantes.

Depois dos ataques de 11 de Setembro, e o surgimento da nova doutrina da guerra contra o terrorismo, o presidente americano George W. Bush afirmou que a proliferação de mísseis de longo alcance era uma ameaça tão grande aos EUA, como o terrorismo. Os EUA classificaram o Irã, o Iraque, a Líbia e a Coréia do Norte, como países “marginais”, incluindo-os no “Eixo do Mal”.

O Irã foi identificado como financiador de grupos terroristas e de estar secretamente produzindo armas atômicas através de um aporte russo. O regime de Saddan Hussein também foi acusado de financiar o terrorismo e de manter armas químicas, nucleares e biológicas. A Líbia do ditador Muammar Kadafi, depois de ser acusada de manter armas nucleares, renunciou ao seu programa obtendo diversas concessões para isso. Recentemente foi revelado que a Líbia adquiriu material nuclear Norte-Coreano, para a produção de suas armas.

Já a Coréia do Norte, no período de 1993 a 1996, negociava com a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica), e com os EUA sobre o seu programa nuclear, no qual os americanos inclusive colaboraram com a entrega de dois reatores para produzir plutônio, isso em razão de ter sido constatado na época, que o programa norte coreano “não tinha fins bélicos”.

Em 1996 as negociações com a AIEA ficaram praticamente paralisadas, pois Pyongyang anunciou que não iria mais obedecer ao armistício que pôs fim aos combates da Guerra da Coréia, e enviou tropas para a zona desmilitarizada, na fronteira com a Coréia do Sul.

Como primeira meta da guerra contra o terror, os EUA invadem o Afeganistão, na intenção de eliminar a Organização Al-Qaeda e seu líder Osama Bin Laden, em seguida os americanos invadem o Iraque, ignorando o Conselho de Segurança da ONU e comportando-se como “polícia do mundo”, alegando que Saddan mantinha armas de destruição em massa, até então os EUA permanecem no Iraque.

Passado o primeiro mandato de George W. Bush e com a captura de Saddan Hussein, Bush reitera a manutenção da guerra contra o terror, ameaçando o Irã, outro membro do “Eixo do Mal”, a encerrar o seu programa nuclear, em contrapartida a Rússia mantém o financiamento ao programa Iraniano afirmando que este país não tem intenções bélicas.

Dentro desse clima de tensões diplomáticas, entre esses países, Porter Goss, diretor da CIA, afirmou que os mísseis norte coreanos, poderiam atingir os EUA, e que seria necessário intensificar as negociações com Pyongyang.

Kim Jong Il, observando que a principal meta da política externa norte americana para o segundo mandato de Bush, é acabar com a tirania no mundo, anunciou em fevereiro que não negociaria mais nenhum tipo de desarmamento com os EUA, e que, em contrapartida intensificaria a produção de armas atômicas, para lidar com a política hostil norte americana.

Estratégicamente, a posição da Coréia do Norte é coerente , pois essa nação depende de doações do exterior para alimentar o seu povo, e visa com sua posição hostil obter o máximo de concessões, apostando em não ser invadido pelo exército americano.

De fato os interesses americanos estão concentrados no Oriente Médio, com a manutenção dos campos petrolíferos Iraquianos, e agora com constantes ameaças ao Irã, este que por sua vez detém reservas de gás natural sete vezes maior do que o Iraque.

Já a Coréia do Norte não possui nenhum bem estratégico, como o petróleo, para ser explorado, e caso eventualmente ocorresse uma invasão norte americana, os invasores teriam uma dificuldade estratégica, pois as tropas dos EUA só poderiam se instalar na Coréia do Sul, e dificilmente obteriam apoio para abrigarem suas tropas na China, na Rússia ou no Japão, além de que na península Coreana, os EUA não poderiam contar com uma base militar de apoio no mar, como ocorre com a base de “Diego Garcia” no oceano Indico, que ampara as ações americanas no Iraque e no Afeganistão.

Qual será o desfecho dessas hostilidades e ameaças?, ainda não podemos precisar, porém Bush está aguardando para os próximos meses a aprovação do Senado, para liberação de uma verba de US$ 18 milhões de dólares para por em prática, o projeto de um novo míssil, chamado “Bunker Buster”, que poderá perfurar até 2 mil pés de profundidade e destruir abrigos ou “bunkers” de ditadores como Kim Jong Il, já outros especialistas estimam que a Coréia do Norte tenha de seis a oito ogivas nucleares.

Dimas Melo Periodico Vestnik Comunidade russa de SP

 
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