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Da mediocridade que nos assola

17.01.2005 | Fonte de informações:

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O GLOBO bateu todos os recordes possíveis e imagináveis com sua maior publicidade neoliberal que o ano deve produzir.

Escreve na reportagem "Setor privado pede mais audácia nas reformas propostas pelo governo" que "para entidades empresariais, analistas do mercado financeiro e economistas, as prioridades continuam sendo a redução do Estado, para estancar a sangria de gastos públicos (!), a reforma trabalhista e uma ampla reforma tributária, que altere o pacto federativo."

Uma pérola: "O presidente Luiz Inácio Lula da Silva garantiu semana passada que a reforma trabalhista sai este ano, mas dentro do governo afirma-se que ele se refere apenas às mudanças na estrutura sindical, pois as correntes mais conservadoras do PT insistem em não abrir mão dos direitos da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT)."

Quer dizer: agora, conservador é quem defende os direitos do trabalhador e um Estado forte capaz de direcionar os investimentos para o social. Juro por Alá que essa é nova. Seríamos os radicais conservadores?

Tem espaço até para o ex-diretor de Política Monetária do BC, Sérgio Werlang, que diz ser preciso "mais agilidade em medidas que definam com clareza o direito à propriedade, para dar mais garantias aos investidores" e "cobra do governo a continuidade da privatização de bancos estaduais que estão federalizados".

É um atrás do outro: Júlio Gomes de Almeida, do Instituto de Estudos de Desenvolvimento Industrial (Iedi), "adverte que é preciso ficar atento para não haver intervenção na gestão macroeconômica"; Gustavo Loyola, ex-presidente do BC, "mostra preocupação com o crescente gasto da máquina do Estado" e afirma que "o aumento do número de contratações no serviço público contribui para a burocracia e ineficiência da máquina". (!) Para a Associação brasileira da Indústria da Construção pesada (Abdib), "as reformas trabalhista e tributária são essenciais para reduzir custos com mão-de-obra e impostos".

E no final uma nota sugestiva da nossa triste realidade: Governo segue nova receita de Bird e FMI.

Não sei o que é pior: a esquizofrenia geral do PT apenas dois anos após a chegada ao poder ou o jornalismo medíocre do jornal O GLOBO, que não se dignou a ouvir a oposição (qualquer ela que seja!). A desonestidade da "reportagem" é inacreditável. Pedras fariam melhor. Não existe sindicato, economistas mais à esquerda, centros de estudo não-neoliberais, parlamentares críticos, movimentos sociais. Nada. Nem o PT foi ouvido!

É simplesmente tristeza o que sinto. O nosso novo cálice. A liberdade de impressão. Estupraram o debate, rasgaram o código de ética e, se o Estado que Chico Buarque denunciava foi inventado, o atual está sendo destruído.

Mas não tem problema não. A força da população organizada ainda há de agonizar essa elite medíocre e cínica que vive de costas para a realidade e se contenta com seu lugarzinho patético ao sol, em meio a tanta escuridão.

Quando chegar o momento, esse nosso sofrimento, vamos cobrar com juros.

_____________________________ Gustavo Barreto é editor da revista Consciência.Net (www.consciencia.net), colaborador do Núcleo Piratininga de Comunicação (www.piratininga.org.br), estudante de Comunicação Social da UFRJ e bolsista do Programa Institucional de Bolsa de Inciação Científica (PIBIC) pela ECO/UFRJ. Contato por e-mail: gustavo@consciencia.net

 
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