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Resposta à carta enviada por Mendonssa

16.02.2003 | Fonte de informações:

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Em primeiro lugar, ficamos felizes por estar satisfeito com o nosso trabalho. De facto, esforçamo-nos muito para providenciar um serviço que tencionamos que seja interessante para muitas pessoas em muitos países.

Em segundo lugar, tomamos esta oportunidade para esclarecer um assunto habilmente levantado pelo nosso leitor.

Se os EUA não atacarem o Iraque, terá sido por causa da onda de solidariedade demonstrado ontem pelos cidadãos do mundo, e pelos esforços consistentes da Federação Russa para que o caminho de paz seja seguido.

Que os EUA estavam a pensar em atacar o Iraque, e fora da ONU, não tenham dúvidas. A política da Casa Branca não é formulada nesta casa. É formulada pelos grupos de pressão que gravitam a volta da Casa Branca, do Pentágono, e das agências cinzentas e sem nome que são de verdade o governo dos EUA.

Neste momento, estes grupos são o grupo da energia, o grupo da indústria do aço e o grupo dos fabricantes dos armamentos. Quem manda em Washington não é o George W. Bush. É o George S. Bush, Richard Cheney e Donald Rumsfeld.

Há muitos anos que este trio governa o país, directa ou indirectamente. Agora vamos ver as coisas como estão.

Em 1998, o Mullah Omar, líder dos Talibã, queixou-se a um jornalista do jornal "Dawn", de Paquistão, que os EUA iriam atacar o Afeganistão, porque tinha recusado a autorizar que uma firma norte-americana construisse um gasoduto que atravessava o país, oriundo do Turcomenistão, e acabando no Paquistão, onde os navios americanos iriam colher o gás natural.

Uma companhia americana tinha oferecido cinco bilhões de USD para a autorização. Mullah Omar declarou na altura que os EUA iriam usar Osama Bin Laden como desculpa.

Osama Bin Laden já era conhecido aos EUA, pois tinha contactos com o CIA na altura da sua oposição ao Exército Soviético no Afeganistão. Foi o CIA que providenciou armamento e financiou o movimento incipiente dos Talibã, os Mujaheddin, que partiram dos Madrassa paquistaneses para o Jihad.

Curiosamente, o 11 de Setembro deu uma carta branca aos EUA atacarem o Afeganistão e segurarem este território, que não tem recursos naturais, mas serve para transportar-los dum país para outro. Naquela altura, não houve país nenhum que se opunha a este ataque. Mas esta onda não iria parar no Afeganistão. "Se não estiverem connocso, são contra nós", um lema conveniente para facilitar qualquer intrusão.

Porém o que aconteceu posteriormente ao 11 de Setembro foi mais curioso ainda. De repente, houve um surto de cartas com antrax, dentro dos EUA. Quem as enviou e de onde vinha o antrax?

Foi uma tentativa de sugerir que um regime estrangeiro estava ligado ao Al-Qaeda? Todos sabiam que o Iraque fabricava o Antrax. Pouco depois, veio um conselheiro da Casa Branca afirmar que os EUA iriam atacar o Iraque, quer que se encontrasse armamento de destruição maciça, ou não.

Poucos se lembram, mas foi por causa da posição de firmeza seguida pela Federação Russa que os EUA não atacaram o Iraque no Outono passado. Os que queriam este ataque tudo faziam, e têm feito, para que seja possível. Até tentaram inventar provas.

Gastas as imágens do Bush, Cheney e Rumsfeld, cuja arrogância ou estupidez já há muito se viu, enviaram o único membro credível da administração, Powell, para a frente.

Coitado do senhor. Foi fazer um discurso "causa belli" baseado em gravações que afinal não eram nada assim como ele insinuou, em fotografias de satélite que o próprio Hans Blix não aceitou e em inteligência "magnífica" estrangeira, que era nada mais do que um dossier entregue pelo lacaio, Blair, ansioso para um protagonismo pessoal, porque quer ser o Presidente tudo-poderoso da União Europeia daque a cinco ou seis anos. Esta inteligência magnífica, oriundo do MI6, consistia em 19 páginas. Um causus belli. 10 destas páginas são uma cópia duma tese de doutoramento dum estudante da Universidade de Cambridge, uma cópia tão fiel que até mantinha os erros ortográficos. Foi escrito em 1991 e foi copiado e colado dum texto disponível no Internet.

As restantes páginas foram copiadas de revistas de defesa, fácilmente disponíveis, também no Internet. Não há provas, não há um causus belli contra o Iraque.

O que há, é uma vontade dos EUA controlar o petróleo deste país, que tem 10.7% das reservas mundiais. Curiosamente, se olharem para o mapa, o que vêem depois?

Lembram-se do discurso "Eixo de Maldade"? Há um ataque ao Irão, proveniente do Afeganistão e do Iraque, e o cerco aos recursos da Ásia Central e do Mar Cáspio está muito bem fundamentado.

Foi esta situação que se prolongou ao longo da Guerra Fria. A União Soviética há décadas tentou armar-se, não para ocupar os territórios adjacentes, mas para manter a sua integridade.

Se os EUA não atacarem o Iraque, só será pela posicão de firmeza tomada pela Rússia e pelos restantes países e cidadãos do mundo que marcharam pela paz ontem.

Porém, enquanto este gangue estiver no poder, tudo é possível. Nem foram eleitos democráticamente e os seus meios nada democráticos são. São fascistas. Bush é um fascista, usa métodos fascistas e como Hitler, é rodeado por um clique de oligarcas.

Porém, como Hitler, será derrotado pela Rússia, que teima em seguir políticas de paz, que segue uma linha consistente que coloca a diplomacia acima de tudo, que tenta sempre evitar o conflito e que tenta sempre melhorar a vida quotidiana dos cidadãos em todos os países a volta do mundo.

Antigamente, chamaram o Diabo a esta política, seguida pela URSS. Agora, que os objectivos da União Soviética foram integralmente cumpridos, e a mutação do sistema se deu no que existe hoje na Federação Russa, se vê que o mal afinal não está no lado da Rússia.

O mundo inteiro se uniu ontem contra o Império do mal: os Estados Unidos da América; e enquanto o mundo ficar unido, este país nem se atreva a atacar o Iraque.

Enquanto...

Timothy Bancroft-Hinchey Pravda.Ru

 
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