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UM NOVO TEMPO?

13.01.2005 | Fonte de informações:

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Com a eleição de Mahmud Abbas para a presidência da Autoridade Nacional Palestina o mundo está esperançoso, pois há a possibilidade de que chegue ao fim, o interminável conflito entre palestinos e israelenses, conflito este que tem exaurido ambos os lados, especialmente aqueles que representam a maioria e que não concordam com as atitudes de seus comandantes e ainda assim, têm que se dobrar ao vento que sopra em sua direção. Para isto será necessário que seja implantado o estado palestino, pois somente assim as minorias radicais que executam ações terroristas poderão, talvez, ser desmobilizadas.

Aparentemente, a morte de Yasser Arafat foi útil para este propósito, pois o primeiro-ministro israelense Ariel Sharon, jamais apertaria as mãos de Arafat como o fez, o ex-primeiro-ministro Ytzhac Rabin. E, embora Mahmud Abbas tenha classificado Israel como “inimigo zionista”, a probabilidade de haver um acordo é maior neste momento, que seria nos tempos de Arafat. Então o mundo poderá, enfim, testemunhar a criação de um estado palestino, entretanto, não com a capital em Jerusalém como deseja Abbas, pois Sharon jamais permitiria isto nem tampouco, o povo israelense.

Os líderes do mundo, incluindo o presidente norte-americano George W. Bush, aparentemente, estão reconhecendo a liderança de Abbas na Palestina, pois para eles, ele é um moderado. A questão é que ser moderado, não é algo digno de respeito no mundo islâmico, especialmente entre as minorias radicais. O ex-líder egípcio Anuar el Sadat foi assassinado por ter se tornado moderado e ter apertado as mãos do ex-primeiro-ministro israelense Menachen Begin no acordo de paz de Cam David , em 1979. e o ex-primeiro-ministro israelense Ytzhac Rabin foi assassinado também por ser moderado demais e ter apertado as mãos de Arafat. A propósito, Arafat declarou certa ocasião que se Rabin ainda vivesse o estado palestino já existiria.

Entrementes, o presidente norte-americano está muito contente com a eleição de Abbas pois vislumbra a possibilidade da criação do estado palestino para a qual dará todo o apoio, porque ele deseja entrar para a história não só como o homem que derrubou ditaduras e espalhou os ventos da democracia pelo mundo, mas também como o homem que conseguiu a paz entre israelenses e palestinos com a conseqüente criação do estado palestino sendo que ele está imaginando um encontro entre Ariel Sharon e Mahmud Abbgas em Washington, para a assinatura do acordo, sob suas bênçãos, evidentemente.

Bush sabe que o ex-presidente Jimmy Carter, embora tenha feito uma péssima administração, como tem sido a sua própria, entrou para a história graças ao acordo entre Sadat e Begin e mesmo Clinton também pode gabar-se de um grande feito ao ter patrocinado o acordo entre Rabin e Arafat, para a criação da Autoridade Nacional Palestina. Bush deseja tirar dos democratas a exclusividade em tais questões e deseja provar que os republicanos também são amantes da paz.

No entanto, Bush terá um grande obstáculo neste projeto. Conseguir convencer o colega Ariel Sharon a aceitar o acordo, tendo, provavewlmente, de cewder em alguns pontos. No que diz respeito a Sharon nem mesmo haveria uma Autoridade Nacional Palestina. Foi o maior erro de Rabin, mas uma vez que o engano está feito, Sharon deve agora proteger o povo israelense, sendo que para tanto, deve se fazer o necessário desprezando-se a obrigação de obedecer a legalidade ou legitimidade das ações. É por esta razão que Sharon está executando toda a sorte de ações arbitrárias, como a construção da barreira ao longo da fronteira com a Cisjordânia ou a retirada dos assentamentos judeus da Faixa de Gaza.

Todas estas ações, juntamente com as investidas do exército israelense dentro do território palestino como a que assassinou o líder do Hamas, o Xeique Ahmed Yasin, apenas contribuem para aumentar o ódio do povo palestino contra Sharon e Israel. Tais ações também comprovam que, enquanto Sharon estiver no comando, mesmo que haja o estado Palestino, ele não será completamente soberano.

Jose Schettini, Petrópolis, BRASIL jschett@uol.com.br

 
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