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O PACIFISMO no CONFLITO PALESTINO ISRAELENSE

11.11.2003 | Fonte de informações:

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Histórico

O Estado de Israel foi fundado em 14 de maio de 1948, na Palestina, em conformidade com uma resolução da Assembléia Geral da ONU, datada de 11 de novembro de 1947, presidida pelo embaixador Oswaldo Aranha. Esse "plano de partilha" -- que criou na Palestina um Estado árabe e um Estado judeu de 12.000km², e transformou Jerusalém em zona internacional -- foi imediatamente rejeitado pelas nações árabes mais próximas (Egito, Líbano, Síria, Iraque, e Transjordânia), que, já no dia 15 de maio, invadiram a nova nação.

Em seguida a essa primeira guerra árabe-israelense, o jovem Estado de Israel atingiu 20.000km² com o acréscimo da Galiléia ocidental (Nazaré), do sul da faixa costeira até Gaza e de um "corredor" através dos montes da Judéia, incluindo o setor ocidental de Jerusalém. A Cisjordânia e a faixa de Gaza (esta sob administração egípcia) serviram de refúgio para mais de 500 mil árabes; 20 anos mais tarde, eles seriam quase 1,5 milhão. Reconhecido pela ONU (1949), o Estado de Israel organizou-se como um regime parlamentar, com um chefe de Estado puramente representativo -- o primeiro foi Chaim Weizmann (de 1949 a 1952) -- e um governo responsável pela Knesset, câmara única eleita por sufrágio universal, pelos cidadãos dos dois sexos. O Mapai (partido socialista israelense), que, em 1968, se fundiu com dois outros partidos para formar a Frente Trabalhista, permaneceu no poder desde as origens do Estado até 1977: com David Ben Gurion, seu fundador (de 1948 a 1953 e de 1955 a 1963); e depois com Moshe Sharett (de 1953 a 1955); Levi Skol (de 1963 a 1969); Golda Meir (de 1969 a 1974) e Itzhak Rabin (de 1974 a 1977). (Itzhak Rabin viria a ser assassinado em 1995.)

Nas eleições de 1977 e 1981, o bloco nacionalista Likud, de Menahem Beguin, venceu os trabalhistas e assumiu o governo . A eleição de 1984 provocou um impasse entre os nacionalistas do Likud e os trabalhistas, que foi superado por um acordo de alternância na chefia do governo entre os dois partidos israelenses.

No plano das relações exteriores, o Estado de Israel é constantemente contestado em sua própria existência pelos vizinhos árabes e pela resistência palestina.

Por três vezes, depois de 1949, o país esteve em guerra. Em 1956 houve a campanha do Sinai da qual participaram forças anglo-francesas. Em 1967, quando o Egito fechou a Israel o estreito de Tiran e firmou alianças militares com a Jordânia e o Iraque, ameaçando Israel, eclodiu a Guerra dos Seis Dias (em 5-6 de junho), marcada pela vitória rápida de Israel, que ocupou o Sinai, Jerusalém, a Cisjordânia e as colinas do Golan. A partir de então, o problema desses territórios dominou a diplomacia do Oriente Médio e culminou na Guerra do Yom Kippur (em outubro de 1973). Esta foi vencida por Israel, que ficou um pouco mais isolado dentro da ONU. Em 26 de março de 1979 foi assinado um tratado de paz entre Israel e Egito (Acordos de Camp David, mediados pelo presidente norte-americano Jimmy Carter), que previa a desocupação e devolução do Sinai e a concessão de certa autonomia a Gaza e aos territórios ocupados em 1967 na Cisjordânia. Em 1981, por decisão unilateral, a Knesset (o parlamento) decidiu, por motivos de segurança, anexar as colinas do Golan, na Síria, ocupadas desde 1967. Em 1982, todo o Sinai foi devolvido ao Egito.

Israel envolveu-se no conflito do Líbano, mas o governo, a partir de 1984, empenhou-se em acordos para a retirada de suas tropas. Desde então, intensificou-se a atividade terrorista em Israel. Além da resistência palestina, que promove ações contra os israelenses, grupos extremistas judeus antiárabes passaram a agir, principalmente na Cisjordânia e na faixa de Gaza. Em junho de 1985 terminou a retirada das tropas de ocupação do Líbano. O governo de Shimon Peres (de setembro de 1984 a outubro de 1986) empenhou-se em reduzir a inflação, que chegou a 444% em 1984. As rigorosas medidas adotadas (com a desvalorização da moeda, corte de subsídios para os produtos básicos, a redução do setor público, etc.) conseguiram deter a espiral inflacionária (em 1987 o aumento de preços foi de apenas 16%, a menor taxa em 15 anos), mas provocou aumento do desemprego (quase 10% em 1988). Em 1987, divergências sobre o plano de Peres de convocar uma conferência internacional sobre a crise árabe-israelense, dividiram a coalizão governamental. Naquele ano teve início a Intifada, movimento de rebelião palestina nos territórios ocupados, que começou com o jogo de pedras, até se tornar em luta com armas de fogo, de ambos os lados.

Nas eleições de 1988, o Likud fez composição com os partidos religiosos para obter a maioria sobre os trabalhistas. Os dois partidos adotaram novamente a experiência de um governo de coalizão nacional, chefiado por Ytzhak Shamir. As pressões da comunidade internacional e os êxitos diplomáticos da OLP, após a proclamação unilateral do Estado da Palestina (em novembro de 1988), levaram Israel a propor (em maio de 1989) uma iniciativa de paz que previa a eleição de representantes palestinos nos territórios ocupados, encarregados de encaminhar negociações com o Estado hebreu. Esse plano suscitou grandes reservas na OLP e enfrentou também uma oposição no interior do Likud.

A inércia política provocou dissensões internas no governo e gerou uma nova crise. Em junho de 1990 Ytzhak Shamir constituiu um governo homogêneo de direita. No plano internacional empenhou-se em consolidar a posição de Israel; internamente, o grande desafio foi integrar, à sociedade israelense, a massa de imigrantes soviéticos (cerca de 1 milhão, que chegaram entre 1990 e 1995).

Durante a guerra do Golfo (1990), Israel teve o seu território atacado por mísseis iraquianos e, pressionado pelos EUA, decidiu não revidar. Após o final da guerra, os EUA empenharam-se em relançar o processo de paz árabe-israelense, apesar da insistência de Israel em reafirmar seu direito de colonizar os territórios ocupados.

A Rússia reatou relações diplomáticas com Israel. Em outubro de 1991 teve início em Madrid a conferência de paz sobre o Oriente Médio. Em janeiro de 1992, dois partidos de extrema direita abandonaram a coalizão governamental, em protesto contra o plano de autonomia palestina nos territórios ocupados. Sem contar mais com a maioria, Ytzhak Shamir foi obrigado a recorrer a eleições antecipadas (em 23 de junho), que foram vencidas pelos trabalhistas lideradas por Ytzhak Rabin.

Desde janeiro de 1993, a lei que proibia qualquer contato com a OLP, foi revogada pelo Parlamento israelense. As negociações bilaterais diretas, conduzidas em absoluto sigilo, em Oslo (Noruega), entre diplomatas israelenses e representantes da OLP, resultaram em setembro no reconhecimento mútuo palestino-israelense e num acordo de autonomia provisória para a faixa de Gaza e Jericó, assinado em Washington, em 13 de setembro de 1993. Esse acordo, o chamado Acordo de Oslo, ratificado pelo Parlamento israelense dez dias mais tarde, provocou inquietação nos colonos judeus dos territórios ocupados e protestos de militantes fundamentalistas de ambos os lados. Apesar das dificuldades, o processo de paz apresentou progressos, sustentado por uma forte vontade política, tanto de Israel quanto da OLP. Em maio de 1994, Rabin e Arafat assinaram, no Cairo, um acordo sobre a aplicação da autonomia na faixa de Gaza e no enclave de Jericó, que logo entrou em vigor. Paralelamente, e sempre com o apoio dos Estados Unidos, Israel intensificou suas conversações de paz com a Síria e a Jordânia. Enquanto a devolução das colinas do Golã à Síria e a normalização das relações entre esses países permaneciam no centro das discussões entre os presidentes Bill Clinton e Hafez-al-Assad, Rabin e o rei Hussein da Jordânia encontraram-se oficialmente em Washington, em julho de 1994, antes de concluir um tratado de paz entre os dois países, assinado em 26 de outubro. Enquanto Israel e a recém constituída Autoridade Nacional Palestina (presidida por Yasser Arafat), conversavam sobre a efetivação do acordo de paz, radicais de ambos os lados espalhavam o terror através de atentados. Em novembro de 1995, porém, o assassinato de Itzhak Rabin, -- por estremista judeu --, colocou em risco o processo de paz no Oriente Médio. O chanceler Shimon Peres assumiu o cargo de primeiro-ministro e prometeu dar continuidade às negociações com a Autoridade Nacional Palestina. No entanto, os atentados por parte dos grupos islâmicos contra os judeus conduziram a uma crise política, que acabou por atingir o governo de Shimon Peres. Assim, as eleições de outubro de 1996 deram a vitória, apertada, ao candidato do Likud -- partido conservador e refratário aos acordos de paz -- Benyamin Netanyahu. Desde então os diálogos andaram mais lentamente, apesar de pressões internacionais contra a intransigência de B. Netanyahu e sua política de incentivo ao estabelecimento de comunidades judaicas nos territórios ocupados.

(Doc. 1)

* * *

Netanyahu e Arafat, em 15 de janeiro de 1997 chegaram a um acordo sobre a aplicação da autonomia palestina em Hebron. Em 06 de outubro foram retomadas as negociações de paz depois de sete meses de suspensão. Em 30 de novembro Israel aceitou o princípio da retirada limitada da Cisjordânia.

De 15 a 23 de outubro de 1998, Bill Clinton presidiu as negociações israelo-palestinas, que terminaram com o acordo de Wye Plantation, que definiu a forma de uma segunda retirada militar israelense da Cisjordânia.

Israelenses e palestinos, em 25 de agosto de 1999, concluem um acordo de princípios sobre o calendário da retirada militar israelense da Cisjordânia. Em 10 de setembro Israel efetua a retirada de 7% da Cisjordânia.

Em 03 de fevereiro de 2000 a direção da OLP anuncia que um Estado Palestino independente, com capital em Jerusalém, será proclamado unilateralmente em setembro.

Em sucessão ao governo de Yehud Barak, Ariel Sharon foi eleito primeiro ministro de Israel em 6 de fevereiro de 2001.

Mas, a Segunda Intifada iniciou-se pouco antes, ainda durante o governo de Barak, e se intensificou após a visita de Ariel Sharon (então candidato) à Esplanada das Mesquitas, também chamado de Monte do Templo, em Jerusalém.

Começaram nessa ocasião os atentados terroristas palestinos suicidas.

O líder palestino Yasser Arafat condenou as ações e sugere um cessar-fogo, que é rejeitado por Israel.

Por iniciativa dos líderes Ami Ayalon (israelense) e Sari Nusseibeh (palestino), foi assinada uma Declaração de Princípios, em 27 de julho de 2002, intitulada Dois Estados para Dois Povos. Esse documento prevê uma série de procedimentos visando o encaminhamento do fim do conflito.

Proposta de Paz dos EUA

O chamado "quarteto" isto é: Estados Unidos, União Européia, Nações Unidas e Rússia expediram declaração, em abril de 2002, com o propósito de estabelecer um coordenado plano para resolver o conflito do Oriente Médio. Washington provisoriamente aprovou um documento com as propostas a seguir.

Cessar-fogo e a retirada de Israel das cidades até meados de 2003, seguida de eleições Palestinas; a declaração de um estado Palestino com "fronteiras provisórias", cobrindo cerca de 40 a 50% da Margem Ocidental, até o fim do ano; o congelamento de todas as atividades nos assentamentos israelenses, e a abertura de negociações para a solução definitiva, objetivando entendimento sobre as questões das fronteiras, assentamentos, Jerusalém e dos refugiados - a serem concluídas em 2005, com a criação do estado Palestino e suas fronteiras definitivas. (Doc. 2)

* * *

Também foi apresentado aos EEUU, U.E., ONU e Rússia, o Projeto de Sharon para um cessar-fogo e declarar um Estado Palestino Provisório.

Após a reeleição em fevereiro de 2003, Ariel Sharon retomou a idéia da proposta do Quarteto -- EUA, ONU, U.E. e Rússia -- sobre o estabelecimento de estágios para um cessar-fogo e a criação de um Estado Palestino, em 2005, sob supervisão internacional. (Doc. 3)

* * * Vem a propósito citar matéria publicada em fevereiro último, pelo quinzenário israelense "The Jerusalem Report", do seguinte teor.

A Casa Branca depois de terminar a guerra contra o Iraque, provavelmente não fará pressão sobre Israel.

A despeito de especulações em contrário, dizem observadores de Washington, que nenhuma razão existe para Israel ficar apreensivo sobre planos americanos de voltar a pressionar para alcançar um entendimento com os Palestinos, depois que a guerra contra o Iraque terminar.

De fato, eles pensam que a orientação do presidente Bush em seu discurso de abertura no Congresso norte-americano sobre o conflito Palestino -- Israelense -- nos seguintes termos: "No Oriente Médio nós continuaremos a procurar a Paz entre Israel, em segurança, e uma Palestina democrática" -- esta declaração foi incluída somente porque o Presidente e seus conselheiros sentiram que ele devia mencionar o assunto.

Especulações de que a Casa Branca está preparando outra tentativa para estimular os antagonistas para a mesa de negociações, têm sido divulgadas. Há um sentimento generalizado de que a política externa do Governo dos EUA está sendo conduzida por estratégias políticas. Há uma aparente recusa no Governo no sentido de incentivar o apoio do eleitorado judaico americano enquanto continua a violência palestina. Existem opiniões de que Bush se envolverá com mais afinco em esforços de paz por motivos de política interna e externa.

(Aqui é bom lembrar que os EUA estão comprometidos com a proposta do "quarteto", antes citada, de abril de 2002, com o denominado "roteiro do caminho".)

Também há quem afirme que a razão para isso é sustentar a base política conservadora de Bush no Congresso, a qual apoia majoritariamente Israel contra os Palestinos. Bush já tem o apoio dos judeus americanos conservadores, mas dos liberais e intelectuais, ele não conseguirá. Por que? -- Porque são os da direita religiosa e os neoconservadores, aos quais Bush não quer contrariar.

Se a pressão americana vier, a maior arena de debates será no Congresso sobre a proposta de 12 bilhões de dólares em garantias de empréstimos, e mais a ajuda militar de que a enfraquecida economia israelense está precisando.

Está sendo feito um grande esforço na área privada israelense no sentido de manter a opinião pública americana do lado de Israel. (Doc. 4)

* * *

Falemos agora das repercussões desse quadro, no Brasil.

Declaração conjunta Israelense -- Palestina divulgada pelo Movimento Pacifista de São Paulo, denominado "Shalom, Salam, Peace" , de agosto de 2001 (doc. 5).

Políticos respeitáveis, intelectuais de renome e ativistas políticos: israelenses e palestinos, se reuniram em Jerusalém para apresentar uma declaração conjunta endereçada aos aspectos principais do conflito.

Esse manifesto contém as mais importantes questões a serem dirimidas em futuros entendimentos.

* * *

Da mesma forma foi aprovada, em mrço de 2002, pela Coalizão Brasileira pela Paz entre Israel e Palestinos, a Carta de Princípios do TABA (cidade do Sinai, onde foi realizada reunião internacional de pacifistas, em agosto de 2001), que diz:

Membros e amigos das comunidades judaica, árabe e palestina no Brasil, comprometidos com a Paz justa entre Israel e Palestina lançaram proclamação com os seguintes objetivos principais:

1. Retomada das negociações de Paz. 2. Condenação de qualquer forma de terrorismo. E, 3. Redirecionamento dos recursos de guerra para fins pacíficos. (Docs. 5-6)

* * * Neste momento vou referir-me à

reeleição de Ariel Sharon no início deste ano.

O primeiro ministro Ariel Sharon conseguiu formar um governo de coalizão. O principal aliado do seu partido, o Likud, é o partido centrista Shinui, garantindo assim ligeira maioria no Parlamento. O principal partido de oposição, o Trabalhista, -- de centro-esquerda -- recusou-se a participar da coalizão. A adesão do Shinui afastou do governo os partidos ortodoxos. Mesmo assim, o Partido Nacional Religioso (PRN), que defende os interesses dos colonos israelenses e é contra a independência palestina, vai também participar do gabinete. Desta forma Sharon perdeu a face moderada que pretendia impor a seu novo governo.

* * *

Outro manifesto divulgado foi dos...

Americanos pela Paz Agora, que apelam a Ariel Sharon no sentido de que aproveite seu segundo mandato no cargo para dar o que prometeu, mas deixou de entregar no primeiro isto é : a paz e a segurança.

Durante seus dois anos como primeiro ministro, o número de vítimas israelenses do terrorismo foi para o espaço; a economia atingiu o fundo do poço; e os israelenses têm se tornado crescentemente céticos sobre suas instituições políticas, devido a vários escândalos de corrupção.

Agora menciono trechos da

Carta de Porto Alegre, firmada no Forum Social Mundial, recentemente realizado.

Citando, aspas:

"...Nós, pacifistas israelenses e palestinos, estamos determinados a buscar: paz, justiça e soberania para nossos povos e um final à ocupação israelense nos territórios ocupados em 1967; a criação de um estado palestino independente, lado a lado com Israel; Jerusalém como uma cidade aberta, com capital independente para os dois Estados".

Termina assim:

"... Conclamamos a comunidade internacional e às Nações Unidas, em particular, para intervir no sentido de colocar um fim à essa situação trágica e obter o final da violência em ambos os lados; e o imediato encaminhamento de negociações de paz. " (Doc. 7)

* * *

Em 14 de março passado foi noticiado que:

"O presidente Bush vai apresentar novo projeto para o Oriente Médio. A casa Branca divulgará um 'mapa do caminho', o chamado road map".

Bush vinculou a confirmação do nome do premier palestino, recém eleito Mahmud Abbas, aos futuros avanços no processo de paz no Oriente Médio. Bush disse que, uma vez Abbas assumindo o cargo, os EUA divulgarão o "mapa do caminho" a israelenses e palestinos, para avançar no processo de paz.

Bush insistiu em reformas internas na Autoridade Nacional Palestina (ANP) e combate ao terrorismo.

Por sua vez, Israel deve "acabar com os assentamentos" nos territórios ocupados da Faixa de Gaza e da Cisjordânia, e adotar "medidas concretas para apoiar a criação de um Estado palestino viável e confiável".

Bush acrescentou que "não pode haver paz sem liberdade para ambos. As duas partes devem percorrer esse caminho...".

Mas, para pôr em prática a mencionada proposta apresentada pelo "quarteto", haverá muitos obstáculos, tanto para convencer o lado israelense, como o lado palestino.

Primeiro, há a considerar que está previsto um CESSAR -- FOGO, e posteriormente, culminará com o estabelecimento de um Estado Palestino em 2005.

Mesmo assim, o caminho a ser percorrido será árduo, tendo em vista a acirrada situação atual entre os dois lados.

As questões mais controvertidas são:

1 - Fronteiras provisórias até as fronteiras permanentes: 2 - O estatus de Jerusalém; 3 - A desocupação dos assentamentos judaicos; 4 - A retirada dos israelenses dos territórios ocupados desde setembro de 2000; 5 - O problema dos refugiados Palestinos; 6 - Eleições Palestinas; 7 - A aprovação de uma Constituição Democrática para o Estado Palestino previsto para ser criado em 2005; 8 - O problema de abastecimento de água; e 9 - O restabelecimento da confiança mútua entre as partes.

* * *

Diante das complicadas circunstâncias que envolvem tantos interesses de ambas as partes, inclusive internacionais, bem como a participação de nações e organismos multilaterais, particularmente os que atuam na área em conflito, a conclusão a que se pode chegar hoje é de que, a curto prazo, será extremamente difícil uma solução negociada para o problema isralense-palestino, o que seria desejável a todos os descendentes de Abraão, isto é: judeus, cristãos e muçulmanos.

(docs. 8-9)

* * * Para concluir é oportuno transcrever o editorial do jornal israelense "HAARETZ", de 31.03.03:

A guerra no Iraque, seguida pelo esforço de reconstrução, deve desviar a atenção da administração Bush do confronto palestino-israelense que já tem 30 meses. O Secretário de Estado Colin Powell disse ao jornal "Washington Post", que "o presidente compreende que o mundo todo espera dele fazer algo no Oriente Médio no após guerra do Iraque". A declaração de Powell reforça a opinião de especialistas do que Bush fará com a publicação do roteiro do caminho, isto é, o "road map", seguido da formação de um novo governo palestino, como prometido ao primeiro ministro britânico Tony Blair.

A experiência sugere que a publicação de planos diplomáticos e de segurança, tais como o Relatório Mitchell e o Plano Tenet (planos americanos), não traz consigo uma cessação da violência nos territórios e nem uma renovação de negociações. O sucesso do "roteiro do caminho" depende fundamentalmente da vontade dos dois lados de renunciar ao uso da violência como meio para atingir seus objetivos, e da mútua implementação dos passos delineados no plano proposto. Isto também continuará verdadeiro no após guerra do Iraque.

Seria um sério equívoco da parte do governo israelense aguardar até então, inativo e na esperança de que os resultados dessa guerra alterem a situação na região.

A decisão de promover reformas na liderança e o crescente debate interno entre os líderes políticos nos territórios, sugere que uma corrente que percebe a inutilidade da opção militar está se avolumando lá.

Entretanto, para fortalecer esta posição, de forma que a torne capaz de restringir aqueles que se opõem à reconciliação, o novo governo palestino terá que restaurar para seu povo a confiança em que uma abordagem pragmática e uma liderança transparente poderá encurtar o caminho para acabar a ocupação, para a segurança e o bem-estar.

A chave para o sucesso do novo governo em Ramalla (a Autoridade Nacional Palestina) está em boa parte nas mãos do governo israelense. Não é suficiente que o primeiro-ministro israelense Ariel Sharon "dê as boas-vindas" à eleição de Mahmoud Abbas (também chamado de Abu Mazen) para o posto de primeiro-ministro palestino. Nenhum líder palestino será capaz de promover um cessar-fogo sem um fim para os confiscos e destruição de casas, um congelamento na construção de assentamentos e uma retomada do diálogo entre os governos.

Levantar o cerco das cidades palestinas; tornar mais fácil a movimentação de civis; fornecer permissões de trabalho dentro de Israel; assistência humanitária; e a libertação de prisioneiros, são pré-requisitos necessários para alterar a realidade nos territórios ocupados e em Israel.

Estes são passos que podem sinalizar ao povo palestino e aos seus líderes que Israel pretende diminuir a intensidade do conflito, e que, com a retomada do processo diplomático, Israel terá uma atitude de vontade de chegar a valiosos acordos. (Docs. 10-11)

* * * *

Eu não poderia terminar sem fazer minhas, as palavras constantes de alguns trechos do que José Saramago declarou na manifestação contra a guerra em Madri, no dia 15 de março passado:

" Não achem, os senhores e as senhoras do poder, que nos manifestamos para salvar a vida e o regime de Saddam Hussein. Eles mentem com todos os dentes que têm na boca. Nós nos manifestamos, isso sim, pelo direito e pela justiça. Nós nos manifestamos contra a lei da selva que os Estados Unidos e seu aliados antigos e modernos querem impor ao mundo. Nós nos manifestamos pela vontade de paz, de gente honesta e contra os caprichos belicistas de políticos ambiciosos e o que lhes falta em inteligência e sensibilidade. Nós nos manifestamos contra o concubinato dos Estados com os superpoderes econômicos de todo o tipo que governam o mundo. A terra pertence a todos os povos que a habitam, não àqueles que, com o pretexto de uma representação democrática e descaradamente pervertida, afinal, lhes exploram, manipulam e enganam. Nós nos manifestamos para salvar a democracia em perigo. (Doc. 12)

Odilon Niskier

* * * * Era o que eu tinha a dizer. Muito obrigado pela atenção. * * * * Palestra proferida em 19.04.03, em Teresópolis, a convite da Academia Teresopolitana de Letras, realizada no grupo Expressão e Cultura, no Hotel Vilanova.

* * * *

Bibliografia

1. Grande Enciclopédia Larousse Cultural, Edit. Nova Cultural, ed. 1998, v. 13, págs. 3255 a 3256. 2. The Other Israel, December 2002, nº 105-106 - Holon, Israel, pag. 5. 3. Sharon turns to his right to face the Quartet, Haaretz - English Edition, 26.02.03 4. The Jerusalem Report, February 26, 2003-03-13 5. Declaração Conjunta Israelense-Palestina. 6. Carta de Princípios do Taba, março 2002. 7. Trechos da Carta de Porto Alegre - Forum Social Mundial, 2003. 8. "Jornal do Brasil", 15.03.03. 9. "O Globo", 15.03.03 10. Partidos Políticos de Israel - Haaretz, 08.11.02. 11. "Haaretz", editorial de 31.03.03. 12. José Saramago, em Madrid, em 15.03.03.

 
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