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11 de Setembro: Síndrome ou Psicose?

11.09.2003 | Fonte de informações:

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Foi no 11 de Setembro. Neste caso, não foram três (quatro?) aviões, mas um, que destruiu a parte frontal do palácio presidencial em Santiago do Chile, assassinando o Presidente Salvador Allende, há precisamente 30 anos.

Foi este o incidente que trouxe o governo de Augusto Pinochet ao poder no Chile, incidente programado em aliança com a CIA e que deu carta branca a uma onda de assassínios em massa no país. As forças fascistas anti-democráticas puseram fim ao programa de bem-estar social proposto por Allende, chacinando dezenas de milhares de pessoas. Porque tinham ideias políticas “erradas”.

Este acto de terrorismo aconteceu há três décadas e é bom que ninguém o esqueça, tal como o caso do 11 de Setembro de 2001 quando dois aviões colidiram com as torres gémeas em Nova Iorque, outro supostamente destruiu parte do Pentágono (embora haja uma grande discussão agora sobre se a explosão vinha de dentro para fora ou de fora para dentro e outra acerca dos postes de electricidade na rua em frente ao edifício que deveriam ou não estar em pé se o avião era do modelo citado pelas autoridades) e ainda outro que caiu (?) rumo a um destino ainda não completamente confirmado.

Aceitando a tese do terrorismo internacional, que parece a mais provável, o 11 de Setembro de 2001 foi uma data irónica, visto que as galinhas voltaram para o poleiro. O semeador de terror noutros continentes de repente se viu como a vítima do mesmo.

Um choque, mau…péssimo. Não se pode justificar, nunca, a chacina de inocentes civis, seja qual for a causa, por muito injustiçado que for um grupo. Não se faz. Quanto muito, a guerra deve ser travada, se é que tem de ser, entre grupos militarizados que entram em conflito com regras de batalha, que sejam maiores de idade e entenderem plenamente os riscos que poderiam incorrer antes de se juntarem ao grupo em questão.

Nunca contra civis. O 11 de Setembro de 1973 vitimou um Presidente, um governo, uma democracia e dezenas de milhares de vidas inocentes. O 11 de Setembro de 2001 vitimou três milhares de pessoas de quase cem nacionalidades em Nova Iorque e Washington mas a cifra não fica por aqui.

O pior do 11 de Setembro de 2001 é que deu luz verde a outra onda de assassínios, outra vaga de chacinas que também já atingiu dezenas de milhares de vítimas. A história repete-se perversamente.

Por lastimável e horroroso que foi a matança de inocentes naquele dia há dois anos, a sede de vingança deste regime de Bush, baseado num fundamentalismo cristão muito duvidoso (o próprio Presidente Bush diz que recebe mensagens de Deus e afirmou ter enviado os condenados de Texas às suas mortes para salvar vidas) atinge o grau de ódio pregado pelo Velho Testamento e ignora por completo o apelo à civilização sugerido pelo Novo.

O 11 de Setembro de 1973 instalou o regime fascista de Pinochet no Chile. O 11 de Setembro de 2001 libertou o monstro, o regime fascista de Bush, da sua gaiola. Por muito compreensível que fosse o ataque contra o Afeganistão, devido ao sentimento de vingança, nunca é justificável perante as normas legais internacionais. A vingança não é um causus belli.

Olhando por trás da cortina, a uma entrevista dada por Mullah Omar, o líder dos Talebã, ao jornal paquistanês Dawn em 1998, o cenário parece muito mais nefasto. Nesta entrevista, Mullah Omar afirmou que uma firma norte-americana tinha-lhe oferecido cinco bilhões de USD para que consentisse à construção de um gasoduto que ligasse os campos de gás de Turquemenistão para o Paquistão, correndo através do território do Afeganistão.

Mullah Omar disse que não, e já em 1998 se preparava para o ataque, que viria três anos depois. Foram chacinados pelo menos 3,000 civis inocentes pelas forças militares lideradas pelos americanos.

A tentativa de ligar o nome do Presidente Saddam Hussein ao terrorismo internacional, ao Al Qaeda e ao Osama bin Laden não tardou, o que deixou as muitas pessoas que sabiam os factos perplexos: então o Saddam Huissein e o Osama bin Laden não eram inimigos ferrenhos, não tinha sido o Osama bin Laden que quis expulsar as forças iraquianas do Kuwait na primeira guerra do Golfo?

O resto, a decisão de não usar o Conselho de Segurança da ONU simplesmente porque a democracia não iria dar o resultado pretendido, o ataque ilegal em que foram assassinados 10,000 civis iraquianos e mutilados mais 26,000, o desrespeito pela condição humana demonstrado pelas tropas dos EUA, principalmente, é infelizmente mais que conhecido.

Com todas as condições prontas para um conflito prolongado que irá custar aos contribuintes norte-americanos um saldo de centenas de bilhões dos seus dólares, que custaram muito a ganhar, e para um aumento de terrorismo internacional, com voluntários a encherem estes organismos, só se vê ódio e intransigência nos dois lados.

O que é preciso é lembrar os textos do Novo Testamento, que soletrou a mensagem de democracia em alegorias e esquecer o Velho, que prega um olho por um olho, uma espécie de vendetta que nunca mais acaba.

Em vez de bombardear populações, chacinar civis, mutilar crianças e humilhar sociedades, uma resposta mais civilizada, que tem a ver com a prática da democracia, seria usar os processos da lei internacionais (o CS da ONU), a diplomacia em vez da demagogia.

Um processo de diálogo e discussão levaria à noção que seria bastante simples até resolver esta questão do terrorismo internacional: entregar a gestão de crises à ONU e deixar que este organismo discuta, livre de quaisquer pressões ou insinuações, a política a adoptar, deixar que a ONU resolva de vez a questão de paz no Médio Oriente, que teria de passar por Israel respeitar a lei internacional, nomeadamente retirando-se dos territórios que roubou aos Palestinianos.

O terrorismo internacional, por muito que seja alimentado por práticas criminosas comuns, precisa de um raison d´être. Tirar a razão é criar para ele uma crise existencialista.

Só que, se o 11 de Setembro vai servir para lançar ondas de violência, massacres e assassínio de inocentes, vai servir sempre a causa dos terroristas, não os que se proclamam ser civilizados.

Timothy BANCROFT-HINCHEY PRAVDA.Ru

 
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