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UMA SEMANA É TEMPO DEMAIS

07.11.2005 | Fonte de informações:

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Houve uma grande mobilização nacional em torno do tema e em alguns setores da sociedade foi calorosa a discussão. Em uma ocasião, a discussão foi tão calorosa que terminou com a morte de um partidário do “Sim”, por um partidário do “Não”.

Entre os parlamentares, também foi calorosa a discussão, pois uma vez que o povo estava mobilizado, o Congresso |Nacional não poderia demonstrar desinteresse. Houve, na ocasião, uma discussão sobre a realização de novos referendos sobre temas como o aborto, o casamento entre homossexuais e a redução da maioridade penal e o presidente do TTSE declarou que deveria haver referendos todos os anos, talvez porque, assim, seu nome estaria sempre em evidência.

Mas uma semana inteira se passou e muitos acontecimentos tomaram conta da atenção popular - ao menos os que não vêm novelas –, tais como a acareação na CPI do Mensalão em que alguém estava mentindo, como concluíram os parlamentares; a queda e ascensão do senador João Capiberibe e a dança dos relatórios e das liminares no caso José Dirceu.

Tudo isto contribuiu para que o povo e também os parlamentares se esquecessem depressa demais, do referendo que tinha como um dos objetivos para alguns setores da sociedade, de atrair a atenção para o problema da segurança pública e fazer com que o governo repensasse sua política nesse campo.

Entretanto, tudo foi esquecido, como também foram esquecidas a morte da freira Dorothy Stang e a grilagem de terras na Amazônia. Foram também esquecidos os assassinatos patrocinados por assim chamados, torcedores de futebol que, na ocasião, desencadearam a discussão sobre como disciplinar os homicidas travestidos de torcedores de futebol, mas, já não são necessárias medidas nesse sentido, eis que as partidas continuaram a serem realizadas e já que não foi registrado nenhum incidente, tudo está em paz; até a próxima morte, obviamente.

A propósito, a morte da freira nos faz pensar que pode ter sido muito positivo para os habitantes de regiões afastadas da Amazônia que a proibição do comércio de armas e munição não tenha sido aprovada, pois uma vez que aquela é uma região sem lei; uma espécie de faroeste, digo, farnorte, talvez seja necessário que cada cidadão daquela região possua uma pistola no coldre parta cuidar de sua defesa e talvez fosse melhor que o próprio governo as fornecesse, uma vez que a maioria da população não tem meios para adquirir armas e munições, pois os grileiros, madeireiros, garimpeiros e contrabandistas têm quem financie seus arsenais.

Para que o governo do País de Todos se lembre da grilagem de terras na Amazônia, seria necessário que uma Dorothy Stang fosse morta a cada três meses. Este princípio também serve para outros casos como a morte dos torcedores de futebol e as medidas de segurança nos estádios e o caso do assassinato comandado pelo então menor, hoje maior, Champinha, e a discussão sobre a redução da Maioridade Penal.

Tudo isso, inclusive o referendo, já foi esquecido o que é muito conveniente para os governantes brasileiros que só precisam se desgastar por alguns dias apenas, dando explicações na mídia porque não foram tomadas medidas efetivas. Depois, contando com a sorte que traz novos acontecimentos à atenção do povo, a qualidade das novelas e a baixa capacidade de memória da maioria do povo brasileiro, é só esperar que tudo se resolve.

Jose Schettini Petrópolis BRASIL

 
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