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ECONOMIA RUSSA: INÍCIO DA ESTAGNAÇÃO OU PAUSA NO DESENVOLVIMENTO?

06.12.2004 | Fonte de informações:

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Segundo os dados do Ministério do Desenvolvimento Económico e Comércio (MDEC) da FR, em 2004 a taxa de crescimento económico na Rússia será de 6,8 por cento em vez dos 6,9 previstos. A inflação ultrapassará o nível planeado e atingirá 11,5 por cento. Verifica-se também uma quebra da actividade no domínio dos investimentos, antes de mais nada, no sector petrolífero onde em 10 meses deste ano ela baixou em 20 por cento, de modo que o crescimento dos investimentos não atingirá os 11,5 por cento planeados para 2004. Assinala-se também uma recessão da actividade no mercado de valores onde a rentabilidade foi de 10 a 12 por cento contra os anteriores 50 por cento.

Na opinião do chefe do MDEC, Guerman Gref, de um modo geral, a situação económica é bastante estável. Segundo as suas palavras, "uma certa redução" do ritmo de crescimento no terceiro trimestre não exerceu de facto influência sobre os resultados gerais. De Janeiro a Outubro o Produto Interno Bruto da Rússia aumentou em 6,7 por cento em relação a igual período do ano passado. O ministro assinalou também que no quarto trimestre deste ano a conjuntura económica começou a melhorar. O Ministério do Desenvolvimento Económico prometeu que já em 2008 e 2010 o país deverá atingir a taxa de crescimento de 7 a 7,5 por cento ao ano.

Ao mesmo tempo, os resultados estatísticos desfavoráveis suscitaram entre os peritos discussões sobre as razões que levaram, numa conjuntura externa muito favorável, criada pelos elevados preços do petróleo, a taxa de crescimento da economia russa a reduzir-se, a inflação a crescer e a Rússia a ocupar o penúltimo lugar entre os países da Comunidade de Estados Independentes em ritmo de crescimento do PIB.

Na opinião do Governo, o ritmo de crescimento baixou devido, primeiro, ao factor sazonal, tradicional para o terceiro trimestre. Além disso, os elevados preços do petróleo deixam de exercer influência positiva sobre a economia russa. É de notar também que em consequência do crescimento dos rendimentos da população, o qual reorienta a procura para os produtos importados, ocorreu uma queda da capacidade de concorrência dos produtos russos.

Na opinião de muitos peritos, assistimos à intensificação das tendências de crise e não à recessão temporária própria da respectiva estação do ano. Como consideram os deputados independentes da Duma de Estado, na Rússia verifica-se uma intensificação da crise económica em todos os sectores, ou seja, na indústria ligeira, agricultura, construção civil, siderurgia, etc. Paralelamente aumenta o refluxo de capitais do país.

Na opinião de Andrei Klepatch, director do Departamento de Previsão Macroeconómica do MDEC, a diminuição da taxa de crescimento no terceiro trimestre foi o resultado de um certo superaquecimento da economia já que no ano passado foram realizados consideráveis investimentos, inclusive no sector petrolífero. Com isso, no entanto, não concorda Serguei Aleksachenko, ex-vice-presidente do Banco Central. Na sua opinião, na Rússia não se verifica superaquecimento, pois pode servir de exemplo de superaquecimento a economia da China onde os investimentos cresceram em 50 por cento, mas não, de modo algum, a russa.

De acordo com economistas, uma das causas do aumento da crise é a falta de regras de jogo claras nas relações entre o poder e o mundo de negócios. Segundo Andrei Klepatch, a redução do ritmo de crescimento é o resultado da crise de confiança e da ausência de regras do jogo duradouras e compreensíveis para as companhias e os órgãos de Estado. Serguei Aleksachenko concorda com isso, confirmando que as causas dos fenómenos de crise residem no conflito entre o mundo de negócios e as autoridades.

A maioria dos peritos coincide na opinião de que o limite da carga fiscal sobre alguns sectores já foi esgotado. Como declarou Evgueni Gavrilenkov, economista-chefe da companhia Troika-Dialog, o volume de recursos alienados actualmente do sector petrolífero da Rússia é muito grande e leva à liquidação do processo de acumulação de capitais no sistema financeiro privado. O director do Departamento de Previsão Macroeconómica do MDEC, Andrei Klepatch, considera também que o Governo será forçado a introduzir correcções no sistema fiscal aplicado às companhias petrolíferas para assegurar o desenvolvimento do sector petrolífero. "Apesar de as companhias obterem rendimentos excessivos, estes recursos são insuficientes para a satisfação das suas necessidades a longo prazo" - assinalou Klepatch.

Constitui um problema também a baixa monetização da economia russa. De acordo com os dados de Evgueni Gavrilenkov, o volume de capitais acumulados aqui não é grande em relação a outros países: a massa monetária constitui 26 por cento do PIB, ou seja, 50 por cento do nível mundial médio. No entanto, o facto de o Governo manifestar excessiva preocupação pelo problema da estabilização da liquidez excessiva limita o futuro crescimento, pois a economia em desenvolvimento exige o emprego permanente de capital.

Todos os peritos expressam também a opinião de que é necessário determinar os objectivos estratégicos do desenvolvimento económico e os sectores que não produzem matérias-primas mas possam servir de locomotiva para o desenvolvimento de toda a economia, bem como garantir o acesso das empresas aos recursos a longo prazo. Na opinião do deputado Mikhail Zadornov, o actual Governo não dispõe do seu próprio programa económico e os membros do gabinete sustentam diversos pontos de vista sobre as vias do desenvolvimento económico. Como declarou Andrei Klepatch, a Rússia deve elaborar o seu modelo de crescimento, pois o aumento das exportações de petróleo se torna cada vez mais difícil. O presidente da fundação INDEM, Gueorgui Satarov, considera que a Rússia necessita de uma estratégia de desenvolvimento a longo prazo que poderia basear-se no desenvolvimento das pequenas empresas.

Alguns peritos dizem que as raízes dos problemas da economia actual da Rússia não residem no plano económico mas sim na qualidade das instituições nacionais. Evsei Gurvitch, chefe de um grupo de peritos económicos, julga que a economia de mercado se baseia nos direitos de propriedade e no processo de eliminação de produtores ineficazes por meio dos mecanismos de mercado. Mas na Rússia estas condições não são observadas devido à fraqueza das instituições de Estado, à ausência de um sistema judicial objectivo e à sua corrupção. Na opinião de Gurvitch, enquanto estes problemas não forem resolvidos não funcionarão nenhumas medidas.

Gueorgui Satarov considera também que o problema depende das instituições. Sob o seu ponto de vista, a economia de mercado tem duas bases, isto é, a protecção da propriedade privada e a garantia do direito contratual. No entanto, nos últimos anos a situação no que respeita à observação destas duas bases deteriorou-se. Por isso, é necessário organizar melhor o funcionamento das instituições.

A maioria dos economistas chegou à conclusão de que a redução da taxa de crescimento económico não é casual. Na opinião de Mikhail Zadornov, a economia da Rússia viveu o ponto máximo do seu crescimento em 2003, e as causas disso são não só económicas, mas também políticas e institucionais.

De acordo com os dados de Andrei Klepatch, o Governo prepara um pacote de decisões institucionais que tem por objectivo restabelecer a confiança, determinar as regras do jogo entre o mundo de negócios e as autoridades e delinear a estratégia de desenvolvimento dos sectores e ramos económicos. Na opinião dos peritos, é muito importante que estas medidas sejam aprovadas e funcionem na prática.

Nina Kulikova observadora económica RIA "Novosti"

 
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