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Rússia estabelece relações com novo governo do congresso nacional indiano

02.12.2004 | Fonte de informações:

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Para a direcção russa é óbvio que foi precisamente com o partido Bharatiya Janata e com o primeiro-ministro Atal Behari Vajpayee que a Rússia alcançou o actual nível de relações entre os dois países, cujos símbolos são a central nuclear de Kudankulam (avaliada em 2,6 mil milhões de dólares), o projecto de Sakhalin (exploração de jazigos de petróleo e gás nesta ilha russa incluindo investimentos indianos estimados em 1,7 mil milhões de dólares), o enorme avanço nas investigações na área das altas tecnologias, a criação do corredor de transportes "Norte-Sul" através do Irão e do Cáspio, sem falar de uma área mais prosaica como são os investimentos indianos na produção das marcas de cerveja mais populares em Moscovo.

A Índia de Vajpayee voltou a ser, depois da lamentável quebra dos anos 90, um dos parceiros estratégicos da Rússia e, possivelmente, um dos países do mundo mais próximos de Moscovo no que se refere ao espírito e à filosofia política.

No entanto, não foram poucos os que recordavam que o brilhante êxito das relações russo-indianas se tem desenvolvido nos sólidos alicerces edificados pelo Congresso Nacional Indiano, a família Neru-Gandhi, juntamente com a direcção russa, desde os passados anos 50.

Significará isso que o governo do Congresso Nacional Indiano, que conquistou o poder na última Primavera, permitirá à Rússia alcançar mais do que durante o governo do partido Bharatiya Janata? Em Nova Deli costuma-se responder da seguinte forma: as relações com a Rússia é uma questão sobre a qual os dois partidos não têm quaisquer divergências. Moscovo é importante para Deli como país que defende um mundo multipolar e uma ordem internacional mais justa, como um fornecedor de tecnologias na área energética e em muitas outras áreas importantes para a Índia, como parceiro militar, como uma potência que tem relações especiais com a China e com a Ásia Central.

Não nos esqueçamos que, durante os últimos encontros de alto nível entre Putin e Vajpayee, ambas as partes lamentavam não terem os dois países conseguido ainda desenvolver o comércio bilateral, não obstante as brilhantes relações militares e políticas. Mais: não conseguem sequer chegar a acordo sobre como avaliar este comércio: segundo os indianos, as trocas comerciais atingiram 1,5 mil milhões de dólares em 2003; segundo os russos, 3,3 mil milhões. No entanto, estes valores poderiam atingir 10 mil milhões - pelo menos é assim a Rússia avalia o actual potencial do comércio bilateral, que poderia ser alcançado já hoje tendo em conta as possibilidades existentes.

O vice-primeiro-ministro russo Aleksandr Jukov, co-presidente da Comissão Intergovernamental, que visitou a Índia nas vésperas da chegada de Putin, efectuou em Nova Deli um trabalho importante - resolver uma série de pequenos problemas que se acumularam nas nossas relações e que não têm qualquer relação com a interacção política.

Trata-se do alargamento das representações de bancos e fundos de investimento dos respectivos países nas duas economias, do financiamento do comércio; do reconhecimento claro da economia de mercado da Rússia por todas as estruturas indianas; da resolução definitiva da questão da assistência técnica por parte da Rússia aos equipamentos fornecidos à Índia, inclusive militares.

Parece que chegou a altura de fazer com que as declarações formais de parceria sejam implementadas em forma de decisões concretas a todos os níveis, em todos os escritórios e instituições, quer na Índia, quer na Rússia.

A diferença entre os governos do poeta Vajpayee e do economista Singh parece ser a intenção do actual executivo de dar maior atenção às questões concretas, aos problemas económicos correntes, nomeadamente os relacionados com o desenvolvimento dos estados e sectores económicos indianos mais atrasados. A Rússia como parceiro económico pode fazer muito neste campo. Talvez seja esta a orientação mais adequada para as relações russo-indianas: falar menos de política e mais das questões económicas concretas.

Dmitri Kossyrev observador político RIA "Novosti"

 
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