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Propaganda e revisionismo histórico

01.09.2004 | Fonte de informações:

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Apenas uma conseqüência, segundo os próporios editores, de uma estratégia de marketing para tornar o noticiário mais "leve". Um pouco antes, em 89, diretores e editores se acusam no livro quando o assunto é a famosa e criminosa edição do debate entre os presidenciáveis Collor e Lula.

Estes e outros casos de reportagens baseadas em pesquisas de mercado geraram arrependimento e receio frente ao público. E, em vez de pôr fim no marketing para se redimir do passado, a Globo aumenta a dose de propaganda. Está investindo forte na divulgação dos 35 anos do Jornal Nacional, com palestras, debates, matérias especiais e muito mais, escolhendo como um dos principais alvos os jovens jornalistas, que formarão o quadro de profissionais do futuro. Participar de todos os debates dos principais fóruns parece ser o esforço concentrado a partir dessa semana de comemoração.

A Escola de Comunicação da UFRJ, por exemplo, recebeu nesta quarta (1/9) a equipe principal do diário televisivo e a revista "Veja" deu capa para o "acontecimento", afirmando entre outras coisas que o livro é uma "corajosa e transparente discussão" e diz que hoje o Jornal Nacional se concentra "em sua verdadeira vocação — a notícia". Revela ainda que o fundador da Globo, Roberto Marinho, considerava que a realização dos comícios pelas Diretas Já, em 1984, "poderia ser um fator de inquietação nacional" — e por isso o magnata vetou uma ampla cobertura das manifestações a favor da Democracia. O país quieto, calmo, parado onde estava parecia ser mais importante para Roberto Marinho do que as eleições diretas e a volta a um regime de governo um pouco mais democrático.

Em meio a tantas "auto-críticas" que os entusiastas do Jornal Nacional ressaltarão, uma é sempre esquecida: o nascimento do jornal em 1969, amigável ao regime militar em um de seus mais violentos momentos, e a concentração de propriedade e de verbas publicitárias, igualmente sustentada pelo governo federal — responsável pela fiscalização das tevês —, permitindo que a Globo mantenha 600 jornalistas em 118 cidades e acabando com qualquer possibilidade de concorrência.

Gustavo Barreto 31/8

 
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