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O que há por trás da briga entre "Chucky" Santos e o cacique Uribe

25.07.2010 | Fonte de informações:

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Santos, Presidente "eleito" e chefe dos esquadrões da morte a serviço do narcotráfico e Uribe: jamais conseguirão derrotar as FARC-Exército do Povo

Na política ianque como em toda realidade, também há contradições. Durante muitos anos venderam aos "latinos" a imagem de que no Pentágono há dois animaizinhos (uma pombinha pacífica e um falcão guerreiro), que disputam a orientação política do complexo militar industrial e financeiro dos EUA.

Em outras palavras, toda a política do império gira em torno do círculo paz/guerra. No entanto, este simplismo não é senão uma parte de todo o nó complexo de interesses e múltiplas contradições que se movem no interior da vida política dos EUA e seus aliados europeus ou asiáticos, e que não são dados a conhecer publicamente. Este é o caso do que acontece em nossa linda Colômbia.

Aparentemente há um setor do partido republicando gringo liderado pela família petroleira Bush e um setor de falcões guerreiristas do Pentágono cujo porta-voz na Colômbia é o embaixador ianque em Bogotá, que apóiam irrestritamente Uribe Vélez e continuam acreditando que ele é "nosso melhor filho da puta na região".

Continuarão apoiando indefinidamente e farão o possível e o impossível para que junto com sua gangue aliada, continue conservando seu poder pessoal e não seja julgado internacionalmente por seus crimes de lesa-humanidade.

Este setor se apóia dentro da Colômbia, principalmente no generalato militarista que domina na força pública, treinados em guerra contrainsurrecional na Escola das Américas. Também na aliança oligárquica costurada nas últimnas décadas entre a lúmpem burguesia (narco-paramilitar-terrorista) com os pecuaristas antigos e novos, os donos das usinas açucareiras, palmicultores de todo o país, os intermediários da grande mineração, alguns banqueiros e financistas amigos de Uribe, todos estreitamente vinculados ao modelo agro-mineiro-exportador que se impôs na Colômbia e os que lucraram abundantemente da guerra civil colombiana.

A este grupo deve-se acrescentar o empresariado espanhol que investe na Colõmbia e o grupo empresarial do Partido Popular de José María Aznar, para os quais uma solução civilizada do conflito armado colombiano equivale a não continuar lucrando com as exportações de armas e demais negócios militares que mantêm, e continuar beneficiando-se com a manipulação política da guerra colombiana. A todos eles interessa que o conflito colombiano continui indefinidamente e sem solução.

Mas também há ums etor dentro da política do imperialismo ianque que, sem descuidar dos interesses gerais e geoestratégicos "globais" do complexo militar e financeiro; se são um pouco "mais realistas" em relação aos verdadeiros objetivos atingidos com os diferentes planos militares e financeiros, especialmente agora em meio a uma grande crise financeira pela qual atravessa a economia imperialista atualmente.

É o setor liderado pela família Clinton dentro do partido democrata que conseguiu ganhar as eleições presidenciais com Obama contra o amigo de Uribe, o ultra-reacionário veterano do Vietnã, MacCaine. Não são nem democratas nem humanistas. Simplesmente são "mais realistas" e estão enfrentando a realidade ao fazer ajustes militares e financeiros nos planos estratégicos de dominação imperialista mundial. Não é necessário ir longe para analisar os "ajustes" nas guerras imperialistas da Ásia.

Basta ir ao subcontinente americano: por exemplo, perceberam que a chantagem política da "ameaça narco-terrorista" se esgotou como fórmula de dominação ideológica na América Latina e, em especial, na Colômbia. Que os EUA desenvolveram na região duas guerra ineficazes: uma a das drogas e outra a contra-guerrilheira, mescladas e superpostas, sem haver conseguido em 12 anos os resultados defintivos e eficientes anunciados com tambores nos planos militares originais.

Esta maneira de ajustar as coisas, ganhou certa simpatia em alguns setores do empresariado colombiano e setores da oligarquia tradicionalmente muito ligada aos interesses ianques, como a família Santos (do presidente "eleito"). Eles também vêem de acordo com os setor governante dos EUA, que é necessário fazer "ajustes imediatos". E para isso necessitam apresentá-los sob a expectativa nova de uma grande mudança. Quase uma revolução, quando na verdade o que está em marcha não é mais do que uma simples maquiagem e lavagem de maõs para continuar com a dominação e exploração de uma maneira mais educada, mas talvez mais sanguinária.

Necessitam de um fôlego econômico e começaram a reconsiderar sua política de apoio irrestrito aos métodos mafiosos, ilegais e lumpenescos de Uribe Vélez e dos quais o país está fastiado porque necessitam urgentemente, quase como oxigênio, do restabeleciemento das relações comerciais com a Venezuela e Equador e se aproximar rapidamente do Brasil e do Mercosul, para sobreviver em meio às turbulências econômicas e financeiras da crise global do imperialismo. Não é por humanismo diplomático. É que têm que evitar a quebra e a miséria à qual estão chegando por seu isolamento.

Esta é, em grandes traços, a realidade contraditória que está movendo o aparente choque de estilos pessoais e de governo entre o "novo mas velho" presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos (a quem a estas alturas ninguém sabe se vão deixá-lo tomar posse) e Uribe Vélez, que como burro velho ressabiado, resiste a sair do curral.

Na contra-parte popular, qualquer ação da União Popular e Democrática para enfrentar na rua a "novidade-velha" da Unidade Nacional Santista, deverá partir ao levar em conta a análise concreta da situação concreta do desenvolvimento da luta de classes na Colômbia, junto com toda esta série de contradições para sair definitivamente do estado de passividade e pasmo em que se encontra.

Como fazem falta hoje os 4.000 (quatro mil) quadros da União Patriótica, que o imperialismo, o militarismo e a oligarquia colombiana unidos, exterminaram à bala há 20 anos, para evitar com tanta antecipação que se desse o que estamos presenciando!

Comunicado das FARC-EP
 
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