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Rumo ao Abismo ? Ensaio sobre o destino da humanidade

23.08.2011 | Fonte de informações:

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Rumo ao Abismo ? Ensaio sobre o destino da humanidade. 15449.jpegRumo ao Abismo ? Ensaio sobre o destino da humanidade
por Edgar Morin


O progresso técnico e industrial provocou um processo de degradação da biosfera.

A ordem cívica regride.

A barbárie odiosa, anônima e hostil ameaça o planeta.

Caminhamos em direção à catástrofe.

J.-P.Dupuy propõe que se reconheça a inevitabilidade da catástrofe para tentar evitá-la.

Quando um sistema é incapaz de tratar seus problemas vitais ou ele de se desintegra ou é capaz de se metamorfosear.

Precisamos de um novo começo.

As ciências produziram ganhos prodigiosos de conhecimento que, no entanto, se traduzem em ganhos de ignorância: incapacidade de contextualizar, de religar o que está separado, impossibilidade de compreender os fenômenos globais, planetários.

Processos metamórficos estão em curso.

A modernidade produz monstros e maravilhas, e toda a questão é saber se os monstros destruirão as maravilhas ou se as maravilhas subjugarão os monstros: "nós desencadeamos as forças que não conseguimos dominar!".

Creio, então, na possibilidade genérica de uma nova universalidade.

O que se perde quando se ganha um progresso?

Mito e religião contaminaram a ideia de razão.

A ciência é incapaz de restituir as visões de conjunto.

O progresso como certeza está morto.

Não há racionalidade sem afetividade.

É preciso conjungar quatro vias: reforma da organização social, reforma pela educação, reforma de vida e reforma ética.

Se há verdadeiro progresso, então  há possibilidade de metamorfose.

O mais importante é a contextualização.

Como disse Galbraith, a única função das previsões econômicas é fazer a economia parecer mais respeitável.

"É preciso recompor o todo"

Há a incapacidade da mente tecnoburocrática tanto de perceber quanto de conceber o global e o fundamental, a complexidade dos problemas humanos.

Os problemas são interdependentes no tempo e no espaço, as pesquisas disciplinares isolam os problemas uns dos outros.

A falsa racionalidade triunfa sobre as terras: asfaltamento, urbanismo de rentabilização, novas cidades = isolados de aborrecimento.

O pensamento do complexo planetário nos remete incessantemente da parte ao todo e do todo à parte.

A reforma do pensamento é  um problema antropológico e histórico-chave.

A mundialização instalou a infraestrutura de uma sociedade-mundo, não o software.

O crescimento econômico também produz o subdesenvolvimento moral e psíquico, a hiper-especialização, o hiper-individualismo...

A educação disciplinar é incapaz de compreender os problemas multidimensionais e determina uma incapacidade intelectual de reconhecer os problemas fundamentais e globais.

Essa civilização está em crise.

Temos necessidade de um novo começo.

Devemos substituir a noção de desenvolvimento pela de uma política da humanidade e a de uma política de civilização.

Jamais existiu uma causa tão grande, tão nobre e tão necessária como a causa da humanidade para que se possa, simultânea e inseparavelmente, sobreviver, viver e se humanizar.

Duas virtudes insubstituíveis: laicidade e democracia.

Por que não pensar que da crise atual poderia brotar uma metamorfose da qual não podemos ainda prever as formas nem mesmo estar seguros de sua possibilidade ou de sua improbabilidade?


Do livro: RUMO AO ABISMO?
Ensaio sobre o destino da humanidade
Edgar Morin

 
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