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Lembrar Amado Nervo

18.06.2009 | Fonte de informações:

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EMB. LUISELLI: Foi uma decisão ótima da anterior Embaixadora de México, Embaixadora Carvallo. O Governo Mexicano recebeu aquele «convite» do antigo Prefeito da Montevidéu, o arquiteto Mariano Arana para localizar a Embaixada Mexicana na Cidade Velha e o nosso Governo acabou comprando este prédio, reciclando-o e gerando um espaço cultural muito bonito no térreo e os escritórios no primeiro andar. Este apoio mexicano foi de propósito tentando contribuir na renascença da Cidade Velha, antiga Cidade de Montevidéu. Posso acrescentar que esse progredir da Cidade Velha continua acontecendo á cada dia mais com inúmeros prédios aprimorados mantendo aquele jeitinho antigo. No caso específico dos nossos amigos espanhóis do lado desta Embaixada. Acabamos sendo os pioneiros, ou no mínimo um dos pioneiros de um processo de transformação saudável desta cidade.

PRAVDA: Uma outra Embaixada que também vai se localizar nesta Cidade Velha nos próximos meses é a venezuelana. O que é que o Senhor acha do Presidente Hugo Chaves, aquele homem que fez explodir o Rei Juan Carlos de Borbón com aquela frase que agora é famosa: «Porque não fecha a boca!!!»

EMB. LUISELLI: Respeito total pelo Presidente Hugo Chaves, que foi eleito de jeito democrático pelo povo venezuelano.

PRAVDA: Oito rádio emissoras uruguaias foram absorvidas por grupos empresariais mexicanos? Porque acha que fizeram este investimento em um país pequeno?

EMB. LUISELLI: O México está investindo fora da divisa mexicana. Há um ressurgimento dos investimentos bem mais conhecidos com «As costas trás-latinas». O México tem no Brasil, que vai ser de interesse para os leitores do PRAVDA lusófono, 16 mil milhões de dólares em investimentos. Por enquanto, o México é o principal inversor na América Latina toda e de jeito específico, no Brasil. Também temos muitos investimentos no Chile, na Argentina, na América Central e fica claro que no Uruguai mas quanto ao assunto das rádio emissoras que você está me dizendo, não tenho aprofundado, soube á partir dos jornais, só isso. Tenha certeza que estas das emissoras não são os únicos investimentos, tem bastante fora essas últimas bem mais conhecidas.

PRAVDA: Amado Nervo, conhecido escritor mexicano além de Embaixador credenciou-se perante o Governo Uruguaio na sexta 16 de Maio de 1919, nove dias depois ele falece em Montevidéu.

Desde o olhar de um diplomata com o Senhor na cidade que aconteceu aquele fato lutuoso, qual é o sentimento do Luiselli 90 anos depois. É privilégio para o Senhor?

EMB. LUISELLI: Foi extremamente importante para mim além de emocionante. Tive o grandíssimo privilégio de ter no mínimo quatro ilustríssimos predecessores, talvez o maior de todos é o Amado Nervo. Tudo é muito lindo pois reflete uma época dourada no relacionamento dos países Latino-Americanos. O Uruguai decreta dias de luto e um navio da Marinha escolta o poeta mexicano rumo ao México. Também fica muito perto de esta história a Argentina que como ocorreu no Uruguai, decreta luto. O corpo do defunto atinge o porto do Rio de Janeiro acontecendo um cerimonial muito amigável; logo na Venezuela acontece a mesma coisa. Tendo alcançado o porto de Havana une-se um navio da Marinha chegando no porto de Veracruz. Acho que este roteiro reflete aquele sentimento de amizade que existe entre os povos americanos.

PRAVDA: Após 90 anos essa dor que atinge a morte de alguém vai se extinguindo. Agora o Senhor gostaria «percorrer» aqueles nove dias do poeta em Montevidéu, visitar o Antigo Parque Hotel (agora Edifício Mercosul) onde ele faleceu, a Universidade da República, lugar que foi montado o velório?

EMB. LUISELLI: Conheço o quarto onde ele faleceu mas gostaria conhecer bem mais aquela história desses dias do Amado Nervo em Montevidéu. Ano que vem vamos lançar um livro com essa história do Nervo no Uruguai.

PRAVDA: Fora que diplomacia também faz parte da cultura, o que foi marcante para o Senhor do poeta Nervo em si próprio. Deixando fora a tarefa dele como Embaixador mexicano?

EMB. LUISELLI: É um dois fundadores do Modernismo. Ele faz parte dessa lista de poetas modernistas. O nicaragüense Ruben Darío, talvez o mais importante mas é impossível esquecer o Gutiérrez Nájera. Todos eles acabaram influindo acima da caneta de inúmeras gerações de poetas Sul-Americanos. Jorge Luis Borges é um desses. Embora, pode ter certeza que da para sentir o que foi aquele grande predecessor para mim. Estava esquecendo o Justo Sierra, Ministro, filósofo, e professor mexicano importante que também cadastrou-se como Embaixador em Montevidéu. Padilla Nervo, sobrinho do Amado Nervo, na mesma faixa de idade, foi chanceler e Embaixador aqui. Sierra e Nervo no decênio de 1920. Uruguai e México possuem um relacionamento diplomático faz quase 180 anos, felizmente muito antigo. Bem mais para cá no tempo, o Embaixador Vicente Muñiz, que asilou na casa dele um 400 e tantos uruguaios. O Presidente Carranza, ficou muito apavorado se por acaso alguém em Sul-América mal interpretasse o real conteúdo da Revolução mexicana.

No decênio de 1920, Argentina era um grande país, e o relacionamento que tínhamos com eles era ótimo. Uruguai ainda muito pequeno visualizava-se próspero e importante.

 
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