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Festival Internacional de Cinema de Berlim

18.02.2018 | Fonte de informações:

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A estréia dos cães animados em Berlim

Por Rui Martins, do Festival Internacional de Cinema de Berlim:

Uma simples fábula animada sem maiores pretensões sobre um prefeito que detesta cachorros e os confina numa ilha, ou uma alegoria mais profunda tratando dos que têm uma vida de cachorro e vivem à margem da sociedade? 

A interpretação é livre. Mas se frustraram os que esperavam alguma referência indireta aos refugiados. De longe, se poderia ver no prefeito Kobayashi um nazistinha com seu campo canino de concentração. No fundo, um filme para amantes dos chamados melhores amigos dos homens. Um entretenimento.

Quase chegou a ser comovente, o momento na conferência coletiva, em que o realizador Wes Anderson e seus amigos atores, que emprestaram a voz para os cães do filme, passaram a falar de seus próprios cachorros, o que morreu, o que quebrou a perna, a raça de um e do outro, a tal ponto que Greta Gerwig tentou se salvar "Não tenho cachorro, mas estou a fim de ter um". Só faltou um jornalista oferecer um filhote.  Cereja em cima do bolo: o jovem Koyu Rankin, que serviu de modelo para o garoto Atari, completava onze anos e seus colegas mais velhos no filme, usaram dessa vez a voz para cantar o Happy birthday.

Wes Anderson estava contente com a estréia bem recebida pelo público. É quarta vez que leva um filme ao Festival de Berlim e, por duas vezes, foram filmes de abertura. Na verdade, Anderson conseguiu o impossível - transformou uma ilha depósito de lixo municipal, no cenário de um filme de animação, onde os cães personagens, abandonados, sujos e famintos vão ser amados pela criançada e talvez lancem uma nova fase da moda garbage. Não será de se estranhar, Disney teve sucesso com seu filme ratos cozinheiros, Ratatouille.

Wes Anderson, ao responder a uma pergunta sobre a origem do filme, conta ter sido uma velha idéia de fazer um filme sobre cachorros abandonados e virando latas de lixo. Como havia também a idéia de fazer um filme de animação no Japão, os dois desejos acabaram se encontrando.

Porém, ao decidir fazer Ilha dos Cachorros, não se poderia evidentemente por os cachorros a latir. Ninguém iria entender. Muito normalmente, eles falam inglês e para garantir uma boa dicção, Wes convidou seus melhores amigos atores, o que ele chana de lista prioritária, para gravarem a voz dos cachorros. 

Um convite que não poderiam recusar - "quando se faz um filme de animação, não há excusas para um ator recusar dar sua voz, diz Wes Andernon. Pode-se trabalhar de dia ou de noite, pode-se trabalhar em casa, e não toma tanto tempo como um filme normal, E isso facilita as coisas".

E como é ser uma voz? Bill Murrai responde, "é como cantar num coral ou ser um dos cantores de We are the world. Mas dá uma grande satisfação".

"Para se fazer um filme de animação é preciso se ter uma boa história e, durante as filmagens, podem aparecer uns probleminhas como nos aconteceu ao verificarmos, nos dois anos e meio de filmagens, que nossas marionetes não sabiam sorrir... e a gente precisa encontrar uma solução. Aparecem sempre coisas assim para resolver."

Tem política nesse filme? " Logo no começo, quando pensávamos no filme, veio a idéia de que seria preciso inventar uma vida políticana cidade, cujo prefeito vai expulsar os cachorros.  Mas isso faz parte da fantasia. Ora, como levamos muito tempo imaginando esse filme, a atualidade nos ajudou, pois o filme veio a calhar, chegou no momento certo para passar esse tipo de mensagem.  Mas essa história poderia se passar em qualquer época e em qualquer lugar. Na verdade, a primeira idéia era relacionada com os anos 60, contado em 2007. Mas depois modificamos."

"Comecei a me interessar pelos filmes japoneses de animação quando fiz O fantástico Mr. Fox. Dois japoneses em especial nos inspiraram Miasaki e Kurosawa. Em Miasaki existem momentos de quietude e de paz na natureza que nada têm a ver com os filmes americanos de animação. Queríamos também dar ao filme um tanto de controle e silêncio em determinadas cenas."

"Queríamos contar uma história de cachorros mas, no início, não tínhamos ideia de onde isso poderia nos levar", diz Wes Anderson, quando perguntado por que escolher os cachorros. quando se pensa o cenário de um filme nem tudo é premeditado, evoluímos pouco a pouco."

"Eu vi o filme Os Cem Dalmatas, é dos que mais gosto de Disney. Tenho um cachorro buldogue chamado Hero, tem 14 anos e meio, o que é bastante. Minha mãe cuida dele durante minha ausência, como agora"

Sobre a utilização de modelos reais em lugar de modelos virtuais numérizados - "Prefiro trabalhar no estilo antigo, sempre com modelos físcos que numerizados. Tudo no filme são miniaturas e manequins. Têm muito mais charme.  faz parte da tradição cinematográfica".

Resta um problema para a exibição no Japão, todos os cachorros teriam de falar japonês e não inglês e seria preciso se substituir as cenas em que o japonês é traduzido em inglês.

Resumo oficial da produção -
Ilha dos Cachorros (Isle of Dogs) conta a história de Atari Kobayashi, um garoto de 12 anos, para corromper o prefeito Kobayashi. Quando, por decreto executivo, todos os animais caninos de estimação da cidade de Megasaki foram exilados para um vasto depósito de lixo, chamado justamente de Ilha do Lixo, Atari se lança sozinho, numa miniatura de Junior Turbo Prop, pela ilha em busca de seu cachorro protetor, Spots. Lá, com a ajuda de um grupo de cachorros amigos recém-encontrados, ele começa uma jornada épica que decidirá o destino e o futuro de toda a prefeitura.
Depois do Fantastic Mr. Fox, este novo trabalho marca o segundo filme de animação de Wes Anderson. Mais uma vez, o diretor criou um universo meticulosamente detalhado que funciona segundo suas próprias leis e realidades. Mas mesmo quando vilões malvados aparecem e caçam brutalmente os amigos de quatro patas, o filme permanece sendo essencialmente uma fábula. Milagrosamente, somos capazes de entender os animais, enquanto quase tudo o que os humanos dizem é traduzido para nós. Atari e seus excêntricos companheiros caninos King, Duke, Rex, Chefe e Chefe nos confrontam com as questões mais importantes que nos dizem respeito a todos: "Quem somos nós? E quem queremos ser? "

Vozes -

Bryan Cranston (Chief)
Koyu Rankin (Atari)
Edward Norton (Rex)
Liev Schreiber (Spots)
Greta Gerwig (Tracy)
Bill Murray (Boss)
Jeff Goldblum (Duke)
Bob Balaban (King)
Scarlett Johansson (Nutmeg)
Courtney B. Vance (Narrator)
Kunichi Nomura (Mayor Kobayashi)

Rui Martins está em Berlim até o dia 25, convidado pelo Festival Internacional de Cinema.

 

 
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