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Salvo da morte pela assinatura

16.08.2009 | Fonte de informações:

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Assis Chateaubriand, precursor da televisão no Brasil e um dos maiores ícones da imprensa do país, escapou por pouco de ser fuzilado em São Joaquim, Serra Catarinense, na Revolução de 1930

A história fascina. Por palavras e objetos, o público viaja no tempo e tenta reconstituir mentalmente o que aconteceu no passado. Em São Joaquim, na Serra Catarinense, um museu localizado no Centro conta fatos que marcaram, inclusive, a história do Brasil.


Uma das personalidades mais marcantes e polêmicas do país teve uma relação direta com São Joaquim. Afinal, foi levado a fuzilamento no município e salvo por um joaquinense momentos antes de morrer. O Museu Histórico Municipal Espaço Assis Chateaubriand é uma homenagem ao precursor da televisão no Brasil. É dele que muito se fala no local.


Em início de carreia, Assis Chateaubriand apoiava a causa de Getúlio Vargas, que culminou com a Revolução de 1930. Ao saber do começo da revolução no Rio Grande do Sul, Chateaubriand pegou um vôo do Rio de Janeiro a Florianópolis, com o objetivo de encontrar Getúlio em Porto Alegre.


O avião foi retido assim que pousou na capital catarinense. Chateaubriand conseguiu fugir de carro. Vestido de padre passou por uma barreira dos legalistas.


Em Bom Retiro, ele derrubou um poste telegráfico para evitar que vazasse a notícia de sua fuga e queimou todos os seus documentos para não ser reconhecido caso fosse capturado.


Correspondente de jornal do Rio de Janeiro ajudou
De Bom Retiro, partiu a cavalo para São Joaquim, onde chegou no dia 6 de outubro de 1930 e se apresentou aos chefes da Revolução. Como não tinha documentos para provar que era ele mesmo, foi considerado um espião legalista e condenado ao fuzilamento pelo major Bibiano Rodrigues Lima.


O major era chefe da Praça Revolucionária de 1930. Ele queria vingar o fuzilamento do seu pai, ocorrido em Lages, durante a Revolução Federalista, no fim dos anos 1880.


Pouco antes dos tiros que matariam Chateaubriand, apareceu o repórter César Martorano, vendedor de anúncios e correspondente em São Joaquim de O Jornal, sediado no Rio de Janeiro e de propriedade de Assis Chateaubriand.


Martorano, que não conhecia o chefe pessoalmente e nem por foto, alertou os revolucionários para o risco de matarem em São Joaquim alguém como Chateaubriand, e sugeriu um teste que seria decisivo para a sua vida.


O repórter tinha uma carteira de jornalista assinada por Chateaubriand que, sem saber da prova a que era submetido, fez a sua assinatura em outro papel. As duas eram idênticas. Assis Chateaubriand escapou da série de tiros.


– A carteira de jornalista de um joaquinense salvou a vida de uma das personalidades mais marcantes da história do Brasil. Além disso, foi Assis Chateaubriand que projetou São Joaquim pela primeira vez na mídia nacional, divulgando o frio de nossa cidade – diz Nériton Luiz Barbosa Lopes, monitor do museu desde a sua inauguração, há nove anos.

Pablo Gomes – São Joaquim
 
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