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Mulheres camponesas criminalizadas por lutarem pelo acesso à terra

15.09.2015 | Fonte de informações:

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As lágrimas, o desconsolo e a desesperança nos rostos de três mulheres camponeses que se encontram presas há cerca de 40 dias, na penitenciária de Marcala, Departamento de La Paz, pelo delito de usurpação e por causa do encarniçado sistema judicial, que busca encarcerá-las por dois anos, são a história de tantas camponesas que lutam por uma parcela de terra em muitos cantos do país.

Adital

Defensores em Línea

Um grupo de famílias da comunidade de Crucitas, Santa María, de La Paz, procedeU a recuperar essas terras; mas ao que parece pertencem a uma mulher de nome Consuelo Alvarado, com quem iriam se reunir para negociar o preço dos prédios, mas ela não quer as e os camponeses, e sim prefere vender para quatro fazendeiros, que fazem uso do seu poder e influência para tirar os camponeses da terra que cultivam por quatro anos.

Antes de poder conciliar, chegaram elementos da Polícia Nacional e reprimiram as e os camponeses, atirando neles uma espécie de químico nos olhos, agrediram pessoas da terceira idade, mulheres e crianças; levando vários detidos, entre eles quatro menores de idade. Até o momento se encontram presos 11 homens e três mulheres.

As três camponesas presas são Norma Herrera, Sonia Isabel Gáleas e Gerardina Santos Hernández, membros da Central de Trabalhadores do Campo (CNTC).

Geraldina Santos Hernández, de 35 anos de idade, expressou que "tínhamos uma casinha, me chamaram porque íamos nos reunir com a dona da terra, mas nos emboscaram, chegaram os policiais, agrediram as companheiras”. Acrescentou que agrediram sua avó, de 74 anos, de nome María Melesia Hernández e várias mulheres grávidas.

"Eu estava com meu sobrinho de oito anos, disse que o levassem para sua casa, mas não quiseram, o trouxeram para dormir na viatura e o colocaram para dormir no chão; ficaram dois duas lá, quatro crianças com gases nos olhos vermelhos, aguentando o frio”, denunciou Hernández.

Assegurou que José Alberto Reyes (conhecido como Cabeção Yánez), suposto dono dos prédios onde Hernández tinha sua casa, porta um documento com data deste ano, mas que não está legalizado, "é o que nos odeia e nos mantém aqui, me ameaçou de morte, vocês vão morrer numa cova, disse”.

Hernández contou que em uma ocasião em que enfrentou o "Cabeção” manifestou que "se eu brigo com você será por esta terra, eu não tenho medo de você, nesse dia ameaçou várias pessoas”.

Por sua parte, Norma Herrera, de 43 anos, mãe solteira de cinco filhos, (mãe de um dos pequenos detidos) recordou que há quatro anos que se encontram de posse da terra, mas que, no último ano, começaram a reprimi-las, que tinham suas casas e plantações de café prontas para a colheita, mas que foram destruídas no despejo pelos policiais.

Herrera mencionou os nomes dos fazendeiros: Consuelo Alvarado, José Reyes Yánez e Henry, não se lembra dos sobrenomes, mas sabe que são cinco os que mandam reprimi-los.

"Fizeram uma proposta para nós, que ia chegar a dona para fazer negócio conosco, mas bem foi uma emboscada que nos fizeram y desde que chegou a policia entraram violentos lançando gases no rosto, uma companheira desmaiou duas vezes na patrulha”, disse a agredida.

Enquanto isso, Sonia Isabel Gáleas não pode conter as lágrimas quando narrou o que ocorreu no dia do despejo violento, ao referir-se a que poderiam permanecer dois anos na prisão pelo delito de usurpação, formou-se um nó na garganta e sua voz calou.

Gáleas tem três filhos e não pode acreditar que possivelmente possa passar alguns anos na prisão, pelo único delito de querer ter uma casa para viver com seus parentes.

As camponesas consideram que existe uma manipulação do sistema judicial, porque a profissional do Direito que as representa apresentou as provas para demonstrar a posse, mas agora pedem comprovação de futebol, água, de trabalho, entre outros documentos

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