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Berlim - Wagner Moura numa história de amor gay

14.02.2014 | Fonte de informações:

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Berlim - Wagner Moura numa história de amor gay

O filme brasileiro na competição Praia do Futuro decepcionou quem foi pensando ver um novo Central do Brasil ou Tropa de Choque, ganhadores do Urso de Ouro. Não houve nenhuma vaia, mas não houve também nenhum aplauso ao final da exibição.

Existem belas e expressivas tomadas, portanto um bom visual na tela, mas cinema não são só cenas é preciso uma história bem feita e bem construída, dentro de um bom tempo ou ritmo. E é isso que falta no filme de Karim Ainouz, marcando uma diferença com os outros filmes da competição já exibidos. « Falta força na história, que é plana e sem vida », me confidenciou uma jornalista da Catalunha.

A história de amor, entre um garagista e mecânico de motos e um salva-vidas da Praia do Futuro em Fortaleza, está muito mais para fotonovela que para um filme. O fato de ser um romance de amor gay com cenas mais fortes que as do filme de Lars Von Trier não influi. Vivemos um momento em que o homossexualismo e o casamento entre gays já fazem parte da normalidade aqui na Europa.

Muito diferente da época de Fassbinder, cineasta lembrado na coletiva com os jornalistas, cujos filmes exigiam além da mestria do realizador, uma boa dose de coragem. Não é o caso hoje, onde a própria televisão Globo usa o beijo de boca gay na telenovela do horário familiar.

Coragem pessoal teve Wagner Moura de participar ativamente das cenas de amor gay, que levaram mesmo uma jornalista a lhe perguntar se não se preocupava com as possíveis reações no Brasil, onde - e isso não estava na pergunta - depois da desastrosa passagem do pastor evangélico Marcos Feliciano, o deputado Bolsonaro homofóbico quer presidir a mesma Comissão de Direitos Humanos.

Wagner respondeu - « eu me preocupo com isso. Porém, eu acho que a relação que existe entre dois caras no filme não é o mais importante desse filme, não é um filme sobre uma história de amor é também uma história entre dois homens. Eu acho que se nós todos, artistas, imprensa, não fizermos disso uma questão, pois se fossem mulheres não seria problema, mais a agente ajuda politicamente contra o preconceito contra os homossexuais ».

Embora Wagner diga que não se trata de uma história de amor, ela constitui a base. É uma atração amorosa que faz Konrad levar Donato a Berlim e é o amor fraternal que leva Ayrton a procurar seu irmão. Mas chamar essa história de drama é excessivo, porque ela é um tanto artificial, minimalista e chega mesmo a lembrar telenovela sentimental mas sem força para transmitir tristeza aos espectadores. Quanto ao ritmo, ele é demasiado lento, as cenas marcam um tempo desnecessário.

A questão da emigração é abordada de maneira superficial, principalmente quando se sabe que existem cerca de três milhões de brasileiros emigrantes, vivendo experiências muito mais dolorosas de ruptura e marcantes de sofrimento e dificuldade de integração, como ocorre, por exemplo, com muitas esposas de alemães e suíços que não conseguem superar a falta da família e do Brasil.

Enfim, como costuma ocorrer em Berlim e em todos os festivais, a entrevista coletiva da equipe do filme com a imprensa, numa explicação inteligente e oral do filme, foi excelente, mas cinema não se explica, valem só as imagens na tela.

Será muito difícil Praia do Futuro ganhar algum Urso, fazendo-se uma comparação com os filmes até agora exibidos. Mas tudo pode acontecer.

 
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