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Economia, capitalismo e revolta (conclusão)

31.01.2017 | Fonte de informações:

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Economia, capitalismo e revolta (conclusão)

A globalização neoliberal é focada na liberalização das trocas de bens, capitais e pessoas, embora no caso das últimas, com muitas restrições e reticências (sobretudo, se forem pobres, refugiados ou com pele mais escura).

1 - O que é a economia?*

2 - Os economicistas, os escribas do capitalismo*

3 - O mercado e a irrelevância de quem trabalha*

4 - Globalização e mercantilização

5 - Estado e hierarquia

6 - Ideias para uma saída "disto"

4 - Globalização e mercantilização

A globalização neoliberal é focada na liberalização das trocas de bens, capitais e pessoas, embora no caso das últimas, com muitas restrições e reticências (sobretudo, se forem pobres, refugiados ou com pele mais escura). O Homem é o capital mais precioso mas, para os capitalistas, sendo também o mais perigoso, tratam de proceder ao seu controlo. A globalização é muito mais do que essa visão estreita partilhada por neoliberais e por keynesianos , todos tomados peloeconomicismo.

A globalização inclui as trocas de informação, de meios culturais, de ideias e afetos muito para além daquilo que se insere no "mercado". A banalização e a dimensão do volume dessas trocas não mercantis, dos encontros pessoais entre pessoas com distintos locais de nascimento ou cores de passaporte, culturas, línguas e credos diferentes, tende a fundir a espécie humana, a criar novos facies, produtos de cruzamentos entre pessoas de várias origens ancestrais, recentes ou longínquas[1]. 

Voltando atrás, à estreiteza economicista neoliberal/keynesiana, do ponto de vista político ela é partilhada por todos os naipes de conservadores, pelos grupos políticos liberais e sociais-democratas e, perante as dificuldades insuperáveis que o economicismo neoliberal impõe, surgem as derivas nacionalistas, de retorno ao passado, dispostos a ocupar o lugar dos velhos ludistas ou em busca do Graal redentor. Como fervorosos defensores do capitalismo assumem como natural o primado do economicismo que precisará apenas de regulação; leia-se, mais Estado. Em todos essas versões, o mundo é uma mercadoria.

O mal não está na globalização mas no capitalismo que a vem dominando e utilizando o economicismo como discurso para que aqueles surjam como uma mesma coisa. O mal está nos inseparáveis atrelados do capitalismo, as desigualdades, a fome, as doenças, a inanição, o desemprego massivo, a pobreza, a guerra, as deslocações forçadas de milhões de pessoas, o despotismo, os desastres ambientais, tendo como beneficiários as multinacionais, o sistema financeiro, a economia do crime e as classes políticas, como dedicados funcionários daqueles. Em suma, o problema é o capitalismo e não estritamente a globalização, sobretudo nas suas enormes potencialidades não mercantis.

A mercantilização da vida associada ao pensamento único que escorre e tresanda dos media, associada à globalização capitalista manipula as pessoas de uma forma inaudita - através de uma total ausência de espírito crítico, pelo fomento de um resignado encolher de ombros perante as desgraças, simbolizado pelo célebre TINA - there is no alternative; as desgraças que diariamente são apresentadas pelos media, acriticamente, descontextualizadas, banalizadas. Dentro desse tal TINA está a consideração da inevitabilidade cósmica do capitalismo e da aceitação da chamada democracia representativa como forma virtuosa, acabada e perfeita de tomada coletiva de decisões. 

Todas as dificuldades sentidas pela esmagadora maioria dos humanos são apontadas como superáveis a curto prazo com um aumento do PIB, com maior liberalização dos mercados, mais concorrência e competitividade, cabendo a cada um trabalhar o que lhe é exigido (quando é e, se alguma vez for), sacrificando-se, esgotando-se fisicamente mas, compensando-se animicamente com o consumo de inutilidades e entretenimento imbecilizante, tudo pago a prestações, durante toda a vida. Quem não se conseguir integrar, minimamente, nessa narrativa é porque é um pária, sem espírito empreendedor, que prefere as alegrias típicas de beneficiário de um qualquer RSI. 

O sistema releva os vencedores, são eles que aparecem na tv, quantas vezes disfarçados de tal, na sua própria precariedade e, esconde nos subúrbios, nos bairros pobres onde não há atrativos nem lojas para os turistas, os sobreviventes que se pretendem dóceis expiadores da culpa de serem desprovidos de... empreendedorismo. São os suburbanos na geografia e na vida, os periféricos da globalização e do capitalismo. E eles são muitos, são a quase totalidade dos africanos, dos asiáticos, dos latino-americanos, são os norte-americanos pobres e, cada vez mais, um maior número de europeus, a Sul, a Leste mas também em vastas áreas do opulento Centro. Há, contudo, outras vítimas do capitalismo que diminuem em número - os ursos polares, ameaçados pelo degelo ou os elefantes africanos abatidos para abastecimento do "mercado" (sempre ele) do marfim.

Todos os sistemas políticos e económicos praticam um misto de alienação/repressão para conter manso e satisfeito o rebanho às ordens das oligarquias políticas e dos magnatas. Se essa alienação é incorporada na cabeça do próprio despojado, essa é a repressão perfeita; para os que, por qualquer motivo exteriorizarem coletivamente, em protesto, a sua dor, a sua angústia, a sua frustração, logo lhes sairá pela frente uma matilha de cães ferozes que mais parecem samurais, por vezes assessorados por canídeos.

Nas velhas sociedades onde havia algum resquício de democracia e solidariedade, definiam-se direitos sociais e universais, aqueles a que qualquer ser humano tinha direito pelo facto de ter nascido. E nesse contexto, as sociedades dedicavam unilateralmente uma parcela dos seus recursos para que existisse uma base mínima de vida digna garantida a todos, mesmo que com grandes lacunas. 

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