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Rouhani: acabou-se o tempo em que os EUA «decidiam pelo mundo»

29.05.2018 | Fonte de informações:

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Rouhani: acabou-se o tempo em que os EUA «decidiam pelo mundo»

O presidente iraniano refutou as exigências e pressões feitas ao seu país pelo secretário de Estado norte-americano e disse que acabou o tempo em que os EUA «decidiam pelo mundo».

Hassan Rouhani, presidente iraniano, disse esta segunda-feira que os Estados Unidos da América não podem tomar decisões pelo Irão e por outros «países independentes», apesar de, nalguns casos, «conseguirem avanços na sua agenda por via das pressões».

«Quem são vocês para tomarem decisões pelo Irão e pelo mundo? Hoje, o mundo não aceita que a América decida por todos [...]. Esse tempo acabou», disse o presidente iraniano, citado pela PressTV e a RT.

Afirmando que a actual administração dos EUA retrocedeu à «era de George W. Bush», em 2003, Rouhani rejeitou o verdadeiro ultimato que Mike Pompeo, secretário de Estado dos EUA, ontem fez ao seu país, exigindo ao Irão que proceda a profundas alterações na sua política interna e externa, sob ameaça de sanções e estrangulamento da economia.

Falando esta segunda-feira na Heritage Foundation, em Washington, D.C., Pompeo disse que os EUA irão aumentar a pressão financeira sobre o Irão, impondo-lhe as «sanções mais fortes de sempre», caso Teerão se recuse a aceitar as exigências feitas ao nível da sua política interna e externa.

Pompeo enumerou 12 «exigências básicas» e disse aos iranianos que não duvidassem da «seriedade» da ameaça. Na lista dirigida a Teerão, contam-se não só a exigência de pôr fim, a título definitivo, a qualquer programa relacionado com actividade nuclear, mas também a de alterar a política externa regional.

Entre outras coisas, Mike Pompeo disse que o Irão tem de parar com o desenvolvimento de mísseis, «libertar todos os cidadãos norte-americanos», sair da Síria e deixar de apoiar grupos que os EUA consideram «terroristas», nomeadamente o Hezbollah.

EUA fora do acordo nuclear com o Irão

O discurso de Pompeo segue-se ao anúncio, realizado pelo presidente dos EUA a 8 de Maio, de que Washington saía do acordo nuclear, oficialmente conhecido como Plano de Acção Conjunto Global (JCPOA, na sigla em inglês), que foi subscrito em 2015 pelo Irão e pelo Grupo 5+1 (os cinco membros com assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas - EUA, Reino Unido, França, Rússia e China - e a Alemanha).

Nos termos do acordo, o Irão pode desenvolver o seu projecto nuclear com fins pacíficos e enriquecer urânio até 3,67%, sendo o excedente enviado para a Rússia.

Em pelo menos dez ocasiões, especialistas da Organização Internacional de Energia Atómica confirmaram que Teerão respeita o que está estipulado no acordo. No entanto, Donald Trump considerou que subscrever o JCPOA foi «o pior que os EUA podiam ter feito» e, logo no início de Maio, assinou um memorando que repôs «de imediato» as «sanções económicas nucleares» que haviam sido retiradas após o acordo.

Diplomacia iraniana sublinha erro de Trump

O ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Mohammad Javad Zarif, afirmou no Twitter que os EUA estão a repetir «as mesmas opções erradas» e que irão colher «os mesmos maus prémios».

Também nas redes sociais, o embaixador iraniano no Reino Unido, Hamid Baeidinejad, classificou a política do presidente norte-americano como «delirante», sobretudo no que respeita à pretensão de «reduzir a zero o programa nuclear» do Irão.

O reconhecimento do direito do Irão a enriquecer urânio é uma das principais conquistas do JCPOA e a razão pela qual as negociações tiveram êxito, destacou. «O acordo baseia-se no direito do Irão a manter o seu programa pacífico nuclear e não é possível rever o tratado sem esse elemento», disse, citado pela Prensa Latina.

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Foto Uma mulher passa junto a um mural numa parede da antiga embaixada dos EUA em TeerãoCréditos/ hindustantimes.com

 

 
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