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Profissão: Repórter Wayuri

27.06.2019 | Fonte de informações:

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Profissão: Repórter Wayuri

Após reportagem sobre lixão em São Gabriel da Cachoeira (AM), comunicadores indígenas do Rio Negro participam de intercâmbio no Profissão Repórter, da Globo, em São Paulo

 

Entre 10 e 14 de junho, os comunicadores indígenas Cláudia Ferraz, da etnia Wanano, e Moisés Luiz da Silva, do povo Baniwa, participaram de uma semana de intercâmbio na sede do Profissão Repórter, em São Paulo, com o jornalista Caco Barcellos, que dirige o programa. A dupla foi uma das 10 selecionadas - entre 235 inscritas - para a atividade.

Caco é considerado um dos mais importantes repórteres investigativos da TV brasileira e uma referência para o jornalismo brasileiro atual. Cláudia e Moisés integram a Rede Wayuri de Comunicação Indígena, composta por 17 comunicadores ligados à Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN). Após participarem de roda de conversa com o Profissão Repórter no Instituto Socioambiental (ISA), em Manaus, em fevereiro desse ano, a dupla foi convidada a participar da seleção. Para isso preparou um vídeo de cinco minutos sobre o problema do lixão do município onde moram, São Gabriel da Cachoeira, no Noroeste Amazônico.

O lixão de São Gabriel é um problema socioambiental grave no município. Além da questão ambiental, o fato de estar situado em frente a uma comunidade indígena (Boa Esperança), faz com que a vida dos indígenas seja afetada pela insalubridade gerada pelo lixo depositado diariamente a céu aberto. A escola da comunidade está fechada devido a falta de condições sanitárias e cerca de 70 crianças indígenas foram transferidas para outras escolas distantes de suas casas. O município de São Gabriel já foi multado e notificado, sem que nenhuma solução seja tomada pelas autoridades. A reportagem de Claudia e Moisés mostra essa situação precária e em breve será divulgada pelo Profissão Repórter.

 "Quando pensamos em jornalismo, sabemos que vocês são as pessoas mais preciosas. Vocês são a fonte de informação mais qualificada. É muito legal ver jovens idealistas desejando passar a informação sobre suas próprias realidades. Vejo vocês como porta-vozes do futuro", disse Caco Barcellos sobre a Rede de comunicadores indígenas do Rio Negro, Rede Wayuri. Claudia Ferraz fez um podcast Wayuri contando sobre a experiência deste intercâmbio, com depoimentos do Caco Barcellos, Caio Cavechini e outros. Ouça aqui.

Intercâmbio

A semana no Profissão Repórter incluiu rodas de conversas com a cineasta Eliane Caffé, diretora do filme Narradores de Javé e Era o Hotel Cambridge, com o polivalente Marcius Melhem - jornalista, ator, humorista, redator, dublador e apresentador - e também com vários integrantes do Profissão Repórter, como o editor Caio Cavechini. Claudia e Moisés ainda acompanharam a repórter Nathália Tavolieri na gravação externa sobre mães que cuidam de crianças em suas próprias casas, denominada "Mães Crecheiras", que será tema de um próximo Profissão Repórter. Também visitaram os estúdios da TV Globo e conheceram jornalistas renomados como Sandra Annemberg. Com Caco Barcelos também tiveram a oportunidade de avaliar o vídeo que produziram e reeditar uma versão de acordo com comentários feitos pela equipe do Profissão.

"Caco Barcellos falou que nossa reportagem estava pronta e não precisava mudar nada. Ele incentivou muito nosso trabalho", conta Claudia Ferraz. O vídeo levado pela Rede Wayuri foi considerado pela equipe do GloboLab/Profissão Repórter como o mais ousado em termos de linguagem e de edição. Para Moisés Baniwa, a experiência em SP mostrou que o interesse pelo trabalho dos comunicadores indígenas é grande e que só precisa ser mais apoiado e valorizado para conquistar melhores condições de trabalho, como aquisição de equipamentos e acesso a melhor infraestrutura de comunicação.

Juliana Radler

ISA

 

 
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