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A RELEVÂNCIA SOCIAL DO JORNALISMO ECONÓMICO

20.09.2005 | Fonte de informações:

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Queridos colegas e amigos,

Minhas Senhoras e Meus senhores

Das terras gélidas da Rússia onde desempenho as funções de Adido de Imprensa e de Cultura da Embaixada de Angola, venho com grande satisfação associar-me aos festejos do 10º Aniversário da nossa Ajeco (Associação de Jornalistas Económicos de Angola) que tem um desempenho e uma capacidade de intervenção notável na vida social do País.

Com efeito, a Ajeco mantém-se coerente aos seus princípios e consolidou a nobre atitude de tudo fazer para a formação e/ou superação técnico – profissional contínua dos seus membros e não só, ao tornar sistemática a realização de cursos, seminários, palestras e conferências como a que se realiza neste momento.

Por tudo isso e com a honestidade que se exige, num perfeito sentimento de justiça, felicito calorosamente os distintos parceiros da Ajeco, a sua Direcção e o seu Presidente, o meu colega, amigo, companheiro de longas e difíceis caminhadas da vida, camarada no verdadeiro sentido da palavra, Messias Constantino.

Peço a vossa indulgência para uma grande salva de palmas em homenagem ao trabalho perseverante desenvolvido pelo colega e amigo Messias Constantino na condução dos destinos da Ajeco.

APOIO PARA TOMADA DE DECISÕES

“O Direito Social à Informação e o Direito de Opinião - constituem dois dos principais pilares da Democracia Contemporânea. As lutas sociais pela Democracia carregam, na dinâmica que lhes é inerente, o direito de saber o que está a acontecer a sua volta, porque sem o acesso ao facto histórico, o homem não passará a protagonista da acção social” (Medina, 1986: 133). Cremilda Medina no seu livro “Notícia: um produto a venda - jornalismo na sociedade urbana industrial.

Estimados Colegas,

No desenrolar do seu desenvolvimento histórico, os meios de comunicação passaram por diversas transformações até chegar às características actuais. E numa sociedade cada vez mais complexa como a nossa, eles assumem uma função de grande relevância, ou seja o papel de mediadores entre os cidadãos e as instâncias de poder da sociedade.

Conscientes deste potencial adquirido pela mídia, vários sectores da sociedade já se deram conta da importância de usufruírem das potencialidades desses meios. Por isso, muitos daqueles que têm aspirações políticas e de negócios almejam estar em consonância com esse campo de encenação pública para terem maiores possibilidades de pôr em prática os seus objectivos.

Por tudo isso, percebemos que para se debater qualquer questão de relevância social, na actualidade, é imprescindível ter como intermediário os Mass Media.

O desenvolvimento dos meios de Comunicação Social, no século XX, trouxe uma nova e importante dimensão para o debate da função social da comunicação, na medida em que esta acaba por implicar de modo sistemático nas formas de organização da sociedade.

Segundo Mitchel Kunczik (1997) os meios de comunicação social, são considerados a base do poder de persuasão com a capacidade de propagar ideias sobre a realidade, de maneira bem particular.

O enorme potencial de poder atribuídos a esses meios é resultante, de acordo com Kunczik, dos processos actuais da sociedade moderna industrial por terem se tornado extremamente complexos e por vezes incompreensíveis para a maioria das pessoas. Através desses meios é possível vislumbrar experiências alheias, como pode-se auxiliar, também, na interpretação dos acontecimentos. É por isso que os meios de comunicação social tornam-se tão atraentes.

O jornalismo oferece informações que podem ser adicionadas e combinadas até formar uma base informativa útil que permita tomar decisões, seja ao nível político ou económico- empresarial.

E neste seu papel de apoio a decisão, a matéria jornalística deve apresentar algumas características, como credibilidade, oportunidade, precisão, abrangência, consistência que, em conjunto, produzem a sua propriedade fundamental: a utilidade.

Não se pode compreender o jornalismo tomado isoladamente dentro da economia. O jornalismo não somente faz parte da economia como a manifesta explicando a sua dinâmica, o que significa difundir os factos directamente económicos e ou de negócios e factos indirectamente económicos em forma jornalística.

É certo que o jornalismo económico é aquele que melhor expressa os factos que directamente se relacionam com problemas de decisão económica.

Exemplo: uma reportagem sobre os planos de uma empresa pode ser caracterizada como matéria jornalística económica e/ou de negócios e terá, o seu papel numa acção de decisão para determinado operador económico, concorrente. Pela predominância da economia na sociedade, dificilmente um facto - e qualquer tipo de facto – não apresenta alguma ligação com ela (a economia).

Segundo o prof. Hélio Schuch, quando o jornalismo explica os meandros da economia está a ocorrer uma sucessão de relações causa – efeitos, e sob este enfoque o facto económico induz a produção de matéria jornalística, que é difundida para a audiência. As informações produzidas pelo jornalismo económico auxiliam a tomada de decisão económica. Essa decisão gera novos factos. Esse conjunto de relações entre os elementos do sistema de informação forma um laço de realimentação.

Resumindo, o jornalismo económico fornece informações para a tomada de decisões, que por sua vez tem implicações na acção económica (factos económicos), que funciona nestes moldes:

Matéria jornalística

Facto económico Audiência (público) Decisão económica

Dentro de um ambiente económico competitivo o jornalismo torna-se uma fonte poderosa para informações necessárias à tomada de decisões económicas. Isso porque as informações jornalísticas possibilitam a formação de estratégias económicas pelos operadores económicos. Evidentemente cabe a cada operador económico a escolha das formas de uso destas informações. Mas, é lícito concluir que o uso do jornalismo proporciona vantagens competitivas num ambiente de negócios.

PONTE ENTRE FONTES E O CIDADÃO COMÚM

O jornalismo económico deve seguir as regras básicas no que diz respeito à redução de qualquer assunto técnico a altura da compreensão do cidadão comum. Ele deve transmitir de forma clara ao grande público as complexas informações económicas. O jornalismo económico deve fazer a ponte (entre as fontes e o cidadão comum).

Os assuntos de natureza económica, a primeira vista, para a maioria das pessoas parecem complexos mas, na verdade, eles são muito interessantes. É preciso saber apreciar a informação económica para mostrar com agrado aos outros. Esta não é uma tarefa fácil. Mesmo para os economistas, pois há muitos que não conseguem escrever para o público comum. Uma boa informação económica requer uma intervenção exigente e qualificada do jornalista, das fontes e até mesmo do leitor.

Tal como defende Sidnei Basile, o jornalismo económico bem feito deve ser simples, directo, preciso, claro, objectivo, centrado no público – alvo, agradável e inteligível.

Contudo, o jornalismo económico não deve ser meramente informativo, como acontece, em grande escala, entre nós, em Angola.

Informar, explicar e analisar devem constituir preocupações permanentes dos jornalistas económicos angolanos, que precisam estar cada vez melhor preparados para o exercício da sua actividade profissional. Para os jornalistas que abordam questões económicas, a especialização assume-se como um selo, uma garantia de qualidade.

IMPORTÂNCIA DA FORMAÇÃO CONTÍNUA DOS JORNALISTAS

Por esta razão, creio que a Associação de Jornalistas Económicos de Angola (AJECO) tem toda a legitimidade de continuar a lutar para promover seminários e outros tipos de acções de formação em vários sectores da economia, para que os jornalistas possam compreender a evolução do pensamento económico, a terminologia da ciência económica, possam abordar as questões ligadas a actual linguagem da cobertura jornalística nesta área e a forma mais adequada para traduzir, ou descodificar a linguagem económica no jornalismo.

Assim se reforçarão os objectivos de proporcionar, aos profissionais da área da comunicação, uma visão básica dos conceitos económicos, tanto cognitivos como práticos para o manuseamento dos conhecimentos adquiridos na área económica e para desenvolver reflexões a partir de práticas sociais que evidenciam a economia também por meio de questões políticas e culturais.

Aos bons exemplos que tivemos no passado com a realização dos seminários sobre diamantes e sobre petróleos organizados em parceria com a De Beers e com a Sonangol Pesquisa e Produção, respectivamente, juntam-se agora os cursos de jornalismo Aduaneiro (o último encerrado há uma semana) em parceria com a Elo Comunicação, com o apoio da Direcção Nacional da Alfândegas, que permitiu a especialização de 43 profissionais da Comunicação Social. Acresce-se, ainda, os seminários sobre Jornalismo Económico realizados sob a égide da AJECO em Luanda, no Huambo e em Cabinda com o apoio dos respectivos Governos Provinciais e do Ministério da Comunicação Social. E ainda o seminário sobre a execução do Orçamento Geral do Estado (OGE), promovido pela AJECO em parceria com a Direcção Nacional do Orçamento do Ministério angolano das Finanças.

Mantenho a sugestão apresentada na Conferência de 2003, denominada “O Jornalismo Económico e os Desafios do Pós-Guerra”, no sentido da AJECO empenhar-se na criação de um prémio Nacional de Jornalismo Económico com o objectivo de estimular a criatividade e o rigor técnico – profissional dos jornalistas que abordam matérias de economia. Para o efeito torna-se indispensável o apoio e cooperação de outras entidades como o Ministério da Comunicação Social, a Associação dos Economistas Angolanos, as Associações Empresariais, as Associações de Consumidores e os Órgãos de Direcção da Economia do País.

São apenas propostas, pois nesta fase do pós-guerra e da Reconstrução Nacional em Angola é necessário reflectir e ponderar sobre meios e formas através das quais os jornalistas possam desenvolver habilidades e competências no domínio da economia.

BIBLIOGRAFIA

- Medina, Cremilde. “Noticia: um produto a venda – jornalismo na sociedade urbana industrial”. 2ª edição. São Paulo. Summus, 1998. - Schuch, Hélio A. Jornalismo – matéria jornalística e fato económico, disponível em http: //www.portal-RP.com.br/bibliotecavirtual/jornalismo0066.htm - Ramos, Ana Virgínia Moura. “Média e política: as barreiras para a democratização da comunicação no Brasil”. - Kunczik, Mitchel. Conceitos de jornalismo Norte e Sul: Manual de comunicação. São Paulo: EDUSP, 1977 - Bragança, Tó. “O papel do jornalismo económico como promotor do bem estar social”. Comunicação apresentada em workshop da AJECO, 2003. Disponível em http: //www.jornaldeangola.com/artigo.pup?ID=12738 - Sarcinelli, José António. Jornalismo económico: a sedução do poder. - Basile. Sidnei. Elementos do jornalismo económico.

** TÓ BRAGANÇA, Bacharel em Jornalismo pela Faculdade de Jornalismo da Escola Superior Político-Militar de Lvov (Ucrânia), Graduado em Ciências Políticas pela Faculdade de Relações Internacionais da Universidade Marxista – Leninista de Lvov (Ucrânia) e Licenciado em Direito Internacional, com distinção, pela Universidade Estatal Aberta de Moscovo. É membro – fundador e 1º. Secretário Geral da Associação de Jornalistas Económicos de Angola (AJECO). É o Adido de Imprensa e de Cultura da Embaixada da República de Angola na Federação da Rússia.

 
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