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É "fake", mas eu gosto!

18.12.2017 | Fonte de informações:

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É "fake", mas eu gosto!


Clóvis Campêlo

Para mim, a originalidade é uma invenção burguesa. Antes, aprendia-se imitando, copiando e superando os mestres. Era amimeses, que tanto Platão quanto Aristóteles se preocuparam em valorizar e explicar.


Por isso, aceitei de bom grado o quadro acima. Por isso, admiro os chineses de Sheenzen, cidade situada na região sul da China, especialista em copiar os grandes mestre da pintura ocidental, especialmente Monet e Van Gogh.


Segundo matéria da jornalista Úrsula Passos, publicada no jornal Folha de São Paulo, em 11/01/2015, estima-se que os camaradas chineses de Dafen, bairro da cidade onde estão situados os ateliês dos copiadores, seja responsável por 60% das falsificações feitas em todo o mundo. Não é mole.


Ainda segundo Passos, pode-se comprar as cópias chinesas até por via on-line em galerias que entregam encomendas em diversos países do mundo. Uma réplica dos girassóis de Van Gogh, por exemplo, pode sair em torno de R$ 135,00, em valores daquela época.
Aqui no Recife, lembro de Tércio, pintor que ficava na Rua Nova, por traz da Igreja Matriz de Santo Antônio e que copiava qualquer pintura ou fotografia que lhe fosse entregue. Faz algum tempo, encomendei-lhe a reprodução em óleo de uma fotografia do meu filho Gabriel, feita por mim quando ele ainda era menino. O quadro, se não perfeito, ficou muito bom e me custou um preço razoavelmente barato. Ainda hoje, está colocado na parede da sua sala, presente que lhe dei.


Outro dia, procurei por Tércio e soube que havia ido embora para São Paulo, onde o mercado é mais promissor, depois de ter sido vítima do golpe da "Boa noite, Cinderela" aplicado por uma mulher com a qual estava se envolvendo sentimentalmente. Ela, levou-lhe o dinheiro, uma boa parte do material de trabalho e a vontade de continuar no Recife. Uma pena para mim que, seduzido por seu trabalho e pelo preço acessível, queria mais.


O quadro acima, foi um presente dado por minha irmão. É a réplica de um trabalho do Wellington Virgolino, pintor pernambucano falecido em 1988. Segundo a Wikipédia, "autodidata e observador voraz do cotidiano, Welington Virgolino ficou conhecido pela pintura de dimensões estilizadas, apresentando certas deformações nos corpos das figuras humanas e dos elementos que compunham a tela. Autor denominado de "modernista/figurativo", retratava gente do povo, operários de construção e as expressões do sentimento de cada personagem. Mostrando as frustrações e os sofrimentos da vida precária do trabalhador brasileiro, eternizado em personagens como "Os calceteiros", "Calungas de Caminhão" e "Operários". Assim como não deixou de registrar as invenções e reinvenções da infância, ainda com ênfase em seus questionamentos sociais, através de suas crianças".


Para mim, suas figuras gorduchas diferem do colombiano Botero, por não estarem isoladas, interagindo com outros personagens e com o contexto onde se situam.
Um grato presente que hoje ilustra a sala de estar do meu apartamento. Não é um original, é "fake" mas eu gosto.

Recife, 16/12/2017

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