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Míssil que derrubou avião malaio pertencia à Ucrânia, garante a Rússia

17.09.2018 | Fonte de informações:

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Míssil que derrubou avião malaio pertencia à Ucrânia, garante a Rússia

A identificação do número do míssil que abateu o voo MH17 da Malaysian Airlines no Leste da Ucrânia permite concluir que pertencia à Ucrânia, revelou esta segunda-feira...

Nos fragmentos do míssil Buk que derrubou o voo MH17 da Malaysian Airlines sobre o Leste da Ucrânia, em Julho de 2014, o Ministério da Defesa da Rússia conseguiu identificar o número de série do projéctil - 8868720 -, informou hoje, em conferência de imprensa o general Nikolai Parshin, chefe da Direcção-Geral para os Mísseis e a Artilharia.

De acordo com os documentos mostrados pelos militares russos - alguns dos quais foram desclassificados para esta ocasião -, o míssil foi fabricado na região de Moscovo em 1986, tendo seguido a 29 de Dezembro desse ano para a unidade militar 20152, localizada na então República Soviética da Ucrânia. E nunca foi transportado de volta para a Rússia, indica a RT.

A unidade é hoje o 223.º regimento de defesa anti-área das Forças Armadas Ucranianas e participou na ofensiva contra as forças antifascistas da região do Donbass, no Leste do país, em Junho de 2014, disse o general Parshin.

A Equipa de Investigação Conjunta (JIT, na sigla em inglês), liderada pela Holanda, que inclui a Ucrânia, mas não a Rússia, já foi notificada destas conclusões, tendo Parshin acrescentado que os membros do grupo que investiga o abate do voo MH17 podem estudar os documentos sobre o míssil facultados pelo Ministério russo da Defesa, caso o desejem.

Moscovo tem afirmado que a investigação liderada por este organismo é parcial e insuficiente, baseando-se «em fontes questionáveis e ignorando o material fornecido pela Rússia, que não se encaixa na teoria defendida por Kiev e os seus apoiantes internacionais», refere a RT.

Estes materiais «provam claramente a inconsistência das acusações», formuladas pela Ucrânia e outras partes, que sustentam que a Rússia foi responsável pela catástrofe», salientou Igor Konashenkov, porta-voz do Ministério.

Vídeos usados para acusar a Rússia foram «falsificados»

Os militares russos também põem em causa a «consistência» dos vídeos utilizados, nomeadamente pela plataforma Bellingcat, sediada no Reino Unido, para fundamentar as suas alegações de que a Rússia teria enviado um lançador de mísseis Buk para o Leste da Ucrânia - de onde os «rebeldes pró-russos» teriam lançado o projéctil que deitou abaixo o avião malaio proveniente da Holanda.

Numa análise detalhada de imagens dos vídeos, o Ministério prova diversas «inconsistências» e mostra que houve manipulação de imagens para colocar o lançador num cenário que não é o original.

Os militares russos tiveram oportunidade de estudar com detalhe os vídeos da Bellingcat, porque a investigação desta plataforma foi incluída pelos procuradores holandeses envolvidos na investigação do voo MH17.

Um registo áudio a «comprometer» a Ucrânia

Também na conferência de imprensa desta segunda-feira, os militares russos apresentaram uma gravação em áudio de comunicações entre militares ucranianos e que, em seu entender, prova o envolvimento da Ucrânia no abate do MH17.

Número de série do míssil que abateu o MH17 da Malaysian Airlines Créditos

Uma das vozes que a gravação, obtida em 2016 na região de Odessa, permite ouvir é, de acordo com os militares russos, a do coronel Ruslan Grinchak, integrado numa brigada responsável pelo controlo de radar do espaço aéreo ucraniano, na zona do Donbass, onde ocorreu o abate do avião.

Grinchak discute o risco de voar sobre o espaço aéreo da Ucrânia e, no meio de várias queixas, afirma que, se as restrições não forem respeitadas, «nós fodemos outro Boeing malaio».

O avião MH17, da Malaysian Airlines, proveniente de Amesterdão e com 298 pessoas a bordo, foi atingido a 17 de Julho de 2014, quando sobrevoava o Leste da Ucrânia, a região do Donbass, que se insurgiu contra o golpe fascista de Maidan, em Kiev, em Fevereiro desse ano. Morreram os 283 passageiros e os 15 tripulantes, na sua maioria de nacionalidade holandesa.

A Rússia foi de imediato acusada pela comunicação social dominante no Ocidente, mesmo sem qualquer investigação realizada ou prova de sustentação recolhida no terreno.

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