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Rússia pode abandonar o tratado de eliminação de mísseis nucleares de médio e curto alcance

16.02.2007 | Fonte de informações:

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O chefe do Estado-Maior do Exército russo, Yuri Baluyevski, advertiu que a Rússia considera a possibilidade de abandonar o tratado de eliminação de mísseis nucleares de médio e curto alcance (INF) assinado em 1987 por URSS e EUA.

"O tratado INF, entre Moscou e Washington, tem um caráter indefinido, mas a possibilidade de abandoná-lo existe, caso uma das partes apresente provas convincentes da necessidade de fazê-lo", declarou o general russo.

Baluyevski afirmou que, "hoje em dia, estas provas convincentes existem, já que muitos países fabricam e aperfeiçoam mísseis de médio alcance".

A rescisão do tratado de desarmamento seria a primeira resposta "assimétrica" adiantada recentemente pelo presidente russo, Vladimir Putin, à política militar e de segurança dos EUA e da Otan na Europa.

O tratado foi assinado em Washington no dia 8 de dezembro de 1987 pelos então presidentes soviético, Mikhail Gorbachov, e americano, Ronald Reagan.

O INF, primeiro acordo a reduzir os arsenais nucleares durante a Guerra Fria, conduziu à eliminação, em 1991, de todos os mísseis balísticos e de cruzeiro de médio (de 1 mil a 5 mil quilômetros) e curto alcance (de 500 a 1 mil quilômetros) das duas potências rivais.

Segundo o tratado, qualquer dos signatários pode abandoná-lo caso considere que o cumprimento do mesmo prejudica seus interesses nacionais.

"A Rússia cumpriu o INF e, infelizmente, ficou sem muitos sistemas deste tipo, que eram únicos", declarou Baluyevski.

O general afirmou que a Rússia observará "quais serão os próximos passos da parte americana".
"O que os EUA estão fazendo agora, ao estabelecer um terceiro setor posicional do escudo antimísseis na Europa, não tem explicação", declarou.

A Rússia afirma que os planos de Washington de instalar na Polônia e na República Tcheca elementos estratégicos de defesa, os primeiros componentes na Europa do Sistema Nacional de Defesa Antimísseis (NMD, sigla em inglês), representam uma "ameaça direta" para sua segurança nacional.

Segundo o Pentágono, o sistema tem o objetivo de neutralizar as intenções de certos países - como Irã e Coréia do Norte - e de organizações terroristas de desenvolverem mísseis balísticos que ameacem o território dos EUA ou de seus aliados.

"O Irã não tem mísseis balísticos, apenas de médio alcance", afirmou recentemente Putin, que qualificou os argumentos de Washington de "inconsistentes".

Na conferência de segurança de Munique, Putin chamou o INF de "anacrônico" e acusou a Otan de se comportar como Polícia universal, críticas que levaram alguns analistas a falarem de um novo capítulo na Guerra Fria entre a Rússia e o Ocidente.

A Rússia afirma que um radar em território tcheco permitiria que o Pentágono controlasse as bases de mísseis estratégicos localizadas na parte européia da Rússia e os submarinos nucleares da Frota do Norte. Os mísseis em solo polonês poderiam abater foguetes russos durante seu lançamento, antes de a ogiva chegar à altura orbital e ir na direção de seu alvo.

O ministro de Defesa da Rússia, Serguei Ivanov, chamou o tratado INF de "grave erro" da URSS e de "vestígio da Guerra Fria". "Quando o acordo foi assinado, apenas URSS e EUA tinham estes mísseis. Ninguém podia imaginar, então, que a tecnologia destes foguetes se espalharia pelo mundo", declarou.

Agora, "China, Índia, Paquistão, Irã e Israel têm esses foguetes, além de muitos outros países que também os querem e que os terão.Apenas dois países (Rússia e EUA) não os terão. Não podemos continuar assim eternamente", afirmou.

Ivanov disse que a Rússia propôs à Otan a criação conjunta de um escudo antimísseis para defender os dois territórios de eventuais ataques com mísseis balísticos, em particular, por parte de países como Coréia do Norte e Irã.

 Último Segundo/EFE
 

 
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