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Relações Rússia/EUA

09.03.2006 | Fonte de informações:

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Os que quiserem dar uma olhada à imprensa dos Estados Unidos da América hoje em dia irão encontrar o que culminou numa mentalidade febril, McCarthyista e histérica, espelho de um povo dominado por um regime que vive nas nuvens, onde um microcosmo cor de rosa de auto-justificação desafia todas as noções de lógica. Embrulhado nesse presente são ataques contra a Rússia, não punhaladas nas costas mas tão violentas que tentam ir direito ao jugular.

Um belo exemplo é providenciado pelo Washington Post, onde a colunista Anne Applebaum apresentou o que ela deve chamar um “artigo”, intitulado “Skip St. Petersburg, Mr. Bush”, qualquer coisa como “Não vá a São Petersburgo, Senhor Bush”, publicado no dia 8 de Março. Essa tentativa falhada em propaganda política, que demonstra uma total falta de respeito pela Rússia por esta publicação de renome e total ignorância pela sua autora, utiliza a futura reunião dos G8 em São Petersburgo para atacar Presidente Putin e suas políticas.

Numa imprensa livre, aos jornalistas deveria ser, e lhes é, atribuído espaço para escreverem a verdade e se esta verdade contraria as políticas de um governo qualquer, azar. Isso se chama liberdade de expressão e é respeitado em todos os países civilizados, que inclui a Rússia mais do que muitos imaginam.

O que não providencia é espaço para um puro disparate politicamente motivado que enfia falsidades pela garganta abaixo dos seus leitores ingénuos, já infectados com uma dose de Bushite crónica – doença que cria delusões agudas de falsa realidade, alucinações políticas e leva os doentes a perpetrarem actos de extrema crueldade e a mentirem compulsivamente.

Para Anna Applebaum e o Washington Post, o G8 começou como simplesmente um clube restrito onde os líderes discutiam questões económicas e políticas “off the record”. No decorrer do tempo, segundo a autora, “enquanto significava cada vez menos aos Americanos, significava cada vez mais aos outros”, depois temos um parágrafo que trata o resto da comunidade com derisão: “Os Europeus”, “Os líderes africanos, latino-americanos e do Médio Oriente” e uma referência a aquele náufrago de um ser humano, Eltsin, que fez da Rússia um membro baseado em “critérios confusos”. Hoje, aparentemente, e segundo esta escritora, “o G8 adquiriu níveis absurdos de significado e de simbolismo”.

Se espera que o povo e o regime dos Estados Unidos da América não pensem da mesma maneira por duas razões. Primeiro, porque a Rússia respeita as suas obrigações sob a lei internacional, respeita a Carta da ONU, respeita as Convenções de Genebra e favorece o uso do Conselho de Segurança da ONU como o fórum para debate, diálogo e discussão – uma abordagem multilateral à gestão de crises como estipulado em qualquer norma de diplomacia internacional no ano 2006 e não 1453.

Em segundo lugar, porque a comunidade internacional de hoje favorece o respeito pelos princípios básicos da democracia, que são precisamente este multilateralismo e respeito pela lei, enquanto o regime de Bush prefere uma abordagem unilateralista, baseada nos interesses corporativos do clique de elitistas que gravitaram na direcção do leme do seu país, ditando a sua política que se traduz em prepotência, chantagem e beligerância. O resultado tangível é dezenas de milhares de mortes em guerras ilegais, actos chocantes que pertencem aos anais de câmaras de tortura medievais e desrespeito e desprezo pela comunidade internacional.

Mas o artigo da Washington Post ainda não saiu do adro na sua procissão de arrogância que tão habilmente caracteriza o regime de Bush e os satânicos e cegos seguidores de qualquer seita bíblica que o apoiam.

“Indo a São Petersburgo,” diz, “Presidente Bush (e outros) estarão de facto a colocar seu selo de aprovação na remoção de direitos políticos, o assédio contra grupos independentes, a nacionalização de energia e a censura da média que Putin impôs sobre seu país”.

Depois mais lenha para a fogueira, “Depois de Bush voltar para casa, os do Kremlin irão....rir à gargalhada e concordar entre si que os líderes do assim-chamado Ocidente simplesmente falam dos ideias de liberdade e democracia mas não os praticam”.

Uma provocação destes, por muito mal-informada e absurda que seja, terá a resposta que merece.

Vamos começar pela liberdade e democracia que esta – jornalista (?) – defende. Será aquela liberdade e democracia que causou aquele acto de chacina no Iraque, baseado em mentiras e a quebra da lei internacional, em que cem mil civis foram assassinados? Será aquela liberdade e democracia que escolheu como alvos infra-estruturas civis por equipamento militar? Seria a mesma liberdade e democracia que enviou a sociedade iraquiana três séculos para trás em três anos, impondo um regime que permite que as mulheres sejam espancadas por “se portarem mal”? Seria bem que a Anne Applebaum se informasse antes de fazer afirmações absurdas destas, e ela aprenderia que três vezes mais russos hoje consideram que vivem em condições de democracia do que nos tempos de Eltsin.

Quanto ao resto desse artigo no Washington Post, é de salientar que as actividades de jornalismo e de edição incluem a responsabilidade de respeitar as respectivas normas deontológicas. Entre estas figura a obrigação de dizer a verdade. Artigos do calibre deste disparate da Anne Applebaum são um insulto aos leitores do jornal, são um insulto à Rússia de Presidente Putin e um insulto ao jornalismo e aos jornalistas pelo mundo fora.

Direitos políticos

O Washington Post fala da “remoção de direitos políticos”. Porém, se os editores deste jornal ou sua colunista tivessem tido o trabalho de pesquisarem, de lerem a legislação sobre ONGs e informar seus leitores devidamente, teriam aprendidos que as leis passadas pela DUMA em Dezembro esclarecem as obrigações do Estado perante essas organizações, retirando o direito de oficiais ou burocratas interferir como entenderem, e referindo todas as questões relacionadas aos tribunais independentes.

A intervenção pelo Estado é limitada, não estendida.

Grupos independentes

O Washington Post fala do “assédio contra grupos independentes”. Todos nós já lemos as palavras “independente”, “separatista”, “lutadores pela liberdade” e por aí fora quando o Ocidente fala dos seus queridos, os terroristas chechenos, que são equipados e financiados pela Al Qaeda. Será que o Washington Post diz que o regime de Bush “assedia” bin Laden?

Se o Washington Post tivesse uma módica quantidade de respeito pelos seus leitores, relataria os factos: um governo democrático na Chechénia, eleito por uma maioria absoluta (acima de 90%) do eleitorado, que favorece a integração na Federação Russa e não separatismo nem independência, numa Constituição aprovada por um referendo que por sua vez reitera o empenho a ficar na Federação. Em 2005, mais que 7.000 terroristas baixaram as armas em troca de uma amnistia, os ataques terroristas diminuíram por 400% e baixas russos caíram de quase 1.400 em 2000 para vinte e oito, enquanto um quarto de milhão de refugiados chechenos voltaram às suas casas.

A média

O Washington Post refere “à censura da média”. Deixemos aqueles que escrevem na média russa contarem a verdade e ei-la, pura, nua e crua: como jornalista para um jornal russo e colaborador em várias iniciativas com o Ministério de Relações Exteriores da Federação Russa, eu tive o cuidado de pesquisar precisamente esta área antes de começar a trabalhar nela. A resposta que recebi, quer do Ministério, quer do próprio Kremlin, foi igual: Não há linhas guia senão escrever a verdade e não divulgar segredos do estado.

Quaisquer restrições sobre a média existem para impedir reportagens irresponsáveis que distorcem os factos (do tipo que se lê no Washington Post, por exemplo) ou que providenciam aos terroristas a informação que eles não conseguiram recolher. As restrições existem para proteger, não para atacar.

Energia

Quando falamos da energia da Rússia, temos de reconhecer o princípio fundamental que os recursos da Rússia pertencem aos russos, e que cabe ao governo da Rússia decidir como os utilizar, o que fazer com eles, onde e quando fornecê-los e quais os critérios em calcular seu preço. Não tem nada a ver com os EUA, não tem nada a ver com Washington, não tem nada a ver com os norte-americanos e não tem nada a ver com o Washington Post.

Finalmente, se Presidente Bush decidir assistir à reunião, a escolha é com ele. Se ele for, será recebido com aquela famosa hospitalidade russa. Se decidir não ir, será uma dor de cabeça a menos em termos de segurança, porque suas políticas são tão populares que tem de levar dez mil guarda-costas com ele para os sítios onde se atreve a sair de um avião. Ninguém irá rir às gargalhadas porque os russos não acham graça actos de assassínio maciço, mentiras e tortura.

Afinal, comparar as relações da Rússia com os EUA hoje em dia é como comparar Deus ao Diabo.

Timothy BANCROFT-HINCHEY PRAVDA.Ru

 
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