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A Militarização do Espaço

08.06.2004 | Fonte de informações:

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Efectivamente, compõem a IED (Iniciativa Estratégica de Defesa) que a Rússia já detinha quando os Estados Unidos da América anunciaram o início do seu escudo nuclear nos anos 80.

A militarização do espaço é tão desejável quanto a existência de armas nucleares na Terra. Porém, perante um Washington cada vez mais beligerante, a Federação Russa é esforçada a acompanhar os desenvolvimentos tecnológicos no espaço, senão corre o risco de se colocar em perigo.

Por isso, a Rússia não pode ficar satisfeita com seu escudo anti-míssil, mas tem de desenvolver sistemas capazes de igualar as constantes iniciativas dos Estados Unidos. Entre vários sistemas a serem desenvolvidos neste momento, figura a próxima geração de foguetes pesados Proton-M.

Hoje em dia, as ligações entre as Forças Armadas Convencionais e a Academia Espacial Militar A.F. Mozhayskiy são constantes, não devido a um desejo de dominar a terra, mas na perspectiva de garantir a segurança da Federação Russa. Nas palavras do Ministro de Defesa, Serguey Ivanov, “Sem a militarização do espaço, é simplesmente impossível de falar em aumentar a mobilidade das forças armadas e criar tipos de armamento de precisão”.

A militarização do espaço por isso existe em vários níveis e por várias razões. Primeiro, há a necessidade de poder detectar objectos hostis lançados a partir de outro país, e destrui-los ainda no espaço. Segundo, é fundamental manter a vigilância no espaço sobre os outros veículos, para que não haja casos de pirataria, em que um país destrói os sistemas que os outros colocaram no espaço. Terceiro, uma parte importante duma estratégia de segurança nacional visa observar os movimentos dos potenciais rivais. Quarto, os sistemas de telecomando e de coordenação hoje em dia são colocados e geridos a partir do espaço, não da terra.

Por isso, a militarização do espaço pela Federação Russa é uma realidade necessária para garantir a segurança nacional do país. Um exemplo do tipo de concorrência que obriga Moscou a estar em constante estado de alerta é o programa FALCON da iniciativa conjunta DARPA/USAF (United States Air Force).

FALCON é a sigla de Force Application and Launch from CONtinental United States (Aplicação de Força e lançamento dos EUA Continental), enquanto DARPA significa Defense Advanced Research Projects Agency (Agência de Projectos Avançados sobre Pesquisa na Área de Defesa).

FALCON terá três fases: Fase 1 visa o desenvolvimento de desenhos conceituais, na qual os empreiteiros receberão cerca de 500.000 USD cada. Na segunda parte desta fase, os empreiteiros irão receber entre 1.200.000 e 1.500.000 USD cada para o desenvolvimento e teste dum sistema Hipersónico de Armamento que será transportado num veículo capaz de levar meia tonelada de munições para o espaço.

Na Fase 2 (2004-2007) os veículos são testados em vôos hipersónicos, para criar um veículo que pode destruir alvos a 9.000 milhas náuticas de distância em menos que duas horas.

Na Fase 3 (2007-2009) haverá demonstrações dos sistemas de armamento em vôo.

Por isso, a Federação Russa tem de reagir e estabelecer um equilíbrio perante um Washington dominado por uma elite neo-conservador que usa como combustível os sectores de energia e de armamento.

No entanto, o verdadeiro desejo de Moscou é outro. No ano passado, o antigo Ministro de Relações Exteriores, Igor Ivanov, disse que a Rússia apelava para uma desmilitarização do espaço e reiterou o pedido da Federação Russa para banir o uso ou colocação de sistemas de armamentos no espaço.

A resposta dos Estados Unidos da América foi de se retirar unilateralmente do Tratado sobre Mísseis Anti-Balísticos (sigla ABM, em inglês) que tinha assinado com a URSS em 1972, afirmando a necessidade de desenvolver um sistema anti-mísseis, proibido nos termos do tratado ABM.

Por isso o espaço há de ficar militarizado cada vez mais, enquanto não haja uma mudança de atitude por Washington.

Em conclusão, a cada acção, tem de haver uma reacção mas é importante frisar quem age e quem reage. Talvez a única vantagem desta corrida diabólica para sistemas que criam o Armageddon é que somos já capazes de nos proteger da ameaça dum meteorito ou pequeno asteróide. Só isso.

Não faria mais sentido estarmos a navegar juntos, na certeza que somos uma comunidade de irmãos que vivem nas margens dum lago comum? Ou isso seria bonito demais para o Homem aceitar?

Timothy BANCROFT-HINCHEY PRAVDA.Ru

 
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