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Recenseamento na Federação Russa: Dados

03.12.2002 | Fonte de informações:

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Apesar de os primeiros dados do recenseamento nacional da população só virem a ser conhecidos não antes do início de 2003 e os definitivos só em 2004, o presidente do Comité Nacional de Estatística da Federação Russa, Vladimir Sokolin, considera que já se pode falar do principal resultado: o recenseamento populacional, cuja realização fora adiada durante vários anos, principalmente devido a problemas financeiros, realizou-se, por fim.

Durante os preparativos e realização do próprio recenseamento os meios russos de comunicação social escreveram muito sobre o perigo de erros durante a sua realização. Em particular, falou-se muito da história dos recenseamentos soviéticos, que eram falsificados por motivos políticos. Estaline fuzilou os organizadores do recenseamento de 1937, pois os seus resultados tinham demonstrado o preço demográfico da sua política de repressão. Aos resultados do recenseamento de 1939 foram acrescentados milhões de "almas mortas".

Mais tarde foram falsificados alguns índices, por exemplo, o da mortalidade infantil ou da esperança de vida para mostrar ao mundo os êxitos do socialismo desenvolvido. Por considerações político-militares muitos dos dados demográficos foram incluídos na "Lista de informações cuja publicação é proibida na imprensa, rádio e televisão". A demografia como ciência estava sob suspeita e os cientistas queixavam-se constantemente do excessivo sigilo e da "correcção" dos dados que as autoridades permitiam publicar.

Hoje, no entanto, como consideram muitos especialistas, os erros podiam acontecer paradoxalmente pela excessiva democratização do processo. Acontece que contrariamente a muitos países, na Rússia não foram, por enquanto, introduzidas multas pela recusa de participar no recenseamento, quer dizer, a participação nele foi voluntária. O único argumento a favor da participação no recenseamento é a compreensão do indivíduo de que ele faz parte da sociedade e que esta necessita de informação sobre ele. Numa palavra, receava-se que o nível de consciência cívica dos habitantes estivesse sobrestimado.

Por este e outros motivos, inclusive devido aos erros, nenhum recenseamento pode ser absolutamente exacto. Mesmo assim, ele é necessário como um retrato momentâneo da nação. Partindo dos seus resultados prévios, apesar de muitos receios - diz Vladimir Sokolin - já se pode dizer que "durante o Recenseamento nacional da população os habitantes da Rússia manifestaram responsabilidade cívica". De acordo com uma sondagem, 93 por cento da população participou neste acto. Segundo as normas mundiais, o recenseamento é considerado como válido se nele participarem mais de 90 por cento dos cidadãos.

Há dias foram publicados também os dados prévios relativos as capitais da Federação Russa. Eles testemunham que a população de Moscovo é de cerca de 10,5 milhões de habitantes. No recenseamento participaram 98 por cento dos moscovitas. Na opinião dos técnicos, os que se recusaram a responder às perguntas dos questionários moram ilegalmente na cidade ou não desejam simplesmente participar em acções organizadas pelo Estado.

"Os dados já obtidos são suficientes para fazer o retrato da Rússia contemporânea" - afirma o chefe do Comité Nacional de Estatística. Entretanto, ele considera que a participação no recenseamento deve ser obrigatória para todos os cidadãos, devendo esta emenda ser introduzida na lei.

A Rússia continua a ser considerada por inércia como "uma sexta parte da Terra embora, na realidade, ela ocupe apenas um oitavo. além disso, uma grande parte da superfície da Rússia tem o solo permanentemente congelado.

A verdade é que as riquezas são muitas, mas para as explorar é necessária mão-de-obra. Se a Rússia tivesse ainda um oitavo da população da Terra - disse em conferência de imprensa em Moscovo Anatoli Vichnevsky, director do Centro de Demografia e Ecologia Humana do Instituto de Previsões Económicas da Academia das Ciências da Rússia. - De acordo com os dados da ONU, a actual população do planeta é de 6,2 bilhões de habitantes, dos quais os cidadãos da Rússia constituem uma ínfima parte: apenas 144 milhões. A incompatibilidade entre o território e a população é enorme.

Ele lembrou que o famoso cientista russo Dmitri Mendeleev considerava que a Rússia necessitava no mínimo de 500 milhões de habitantes para o seu desenvolvimento progressivo.

A conclusão é evidente: os milhões existentes actualmente na Rússia devem ser objecto de uma atenção especial. Nós, no entanto, desperdiçamo-los: bebemos, fumamos, não observamos as regras de segurança no trabalho e na estrada. O número de abortos é superior ao dos nascimentos na proporção de 7 a 3.

Ao mesmo tempo, os demógrafos predizem que os resultados do recenseamento confirmarão que a Rússia se encontra "no mesmo barco", neste caso, demográfico, com o resto do mundo compartilhando as tendências demográficas comuns de todos.

Elas testemunham que em todo o mundo se está a reduzir a natalidade а medida que cresce a urbanização e as mulheres são cada vez mais atraídas para a vida laboral e social. O ritmo de crescimento da população baixou, o seu acréscimo deve-se quase exclusivamente a 6 países, ou seja, а índia, China, Paquistão, Nigéria, Bangladesh e Indonésia. Nos países da Europa o índice de natalidade é inferior ao nível de reprodução da população. E a Rússia faz parte deste grupo. As reformas económicas são frequentemente culpadas pela queda da natalidade no país. Muitos especialistas consideram que o elevado nível de mortalidade foi provocado pela quebra psicológica provocada pelas reformas económicas, a que nem todos resistem e pelo nível extremamente baixo de vida. No entanto, a natalidade está-se a reduzir desde há muito.

A migração que se processa no mundo aproxima-se pela sua escala da Grande transferência dos povos nos tempos pré-históricos. Ela está a mudar a composição étnica da Grã-bretanha, França, Alemanha, Suécia. Nos EUA, o espanhol já se tornou a segunda língua do país. Quanto а Rússia, os problemas da migração são também excepcionalmente prementes.

Por fim, processa-se o "envelhecimento" do planeta: cresce o número de pessoas de idade avançada na estrutura etária da população, o que provoca sérias consequências económicas e sociais. Este problema afecta também a Rússia.

O Governo Russo aprovou a "Concepção da política demográfica". No entanto, não se espera que a situação demográfica do país se altere. De acordo com a previsão do Comité Nacional de Estatística, até 2020 a população do país reduzir-se-à para 131 milhões de habitantes, até 2030 a 122 milhões, até 2040 a 111,6 milhões, até 2050 a 101,9 milhões. Estes prognósticos levam em conta o aumento da população а custa da imigração.

Como o crescimento radical da população é impossível, a saída está em elevar a sua qualidade - consideram os peritos. É necessário destinar mais recursos a saúde, а educação e а cultura, para que cada habitante dá uma contribuição de peso para o desenvolvimento da nova Rússia.

© RIAN

 
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