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A paz, a mais formosa das tarefas que nos espera

30.08.2017 | Fonte de informações:

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A paz, a mais formosa das tarefas que nos espera

Escrito por Estado-Maior Central FARC

Se acabou a guerra, vamos todos e todas a construir a paz!

 

Camaradas:

Ao nos reunirmos neste Congresso, com o propósito de fundar o novo partido político que apresentaremos ao povo colombiano, estamos dando um passo transcendental na história das lutas populares em Colômbia.

As FARC-EP, o glorioso movimento armado revolucionário nascido em 27 de maio de 1964, nos transformaremos a partir deste evento numa nova organização exclusivamente política, que exercerá sua atividade por meios legais. Isto não significa que renunciemos de algum modo a nossos fundamentos ideológicos ou projeto de sociedade. 

Seguiremos sendo tão revolucionários como os marquetalianos, persistiremos em recolher as bandeiras bolivarianas e as tradições libertárias de nosso povo, para lutar pelo poder e levar a Colômbia ao exercício pleno de sua soberania nacional, e a fazer vigente a soberania popular. Continuaremos lutando pelo estabelecimento de um regime político democrático que garanta a paz com justiça social, o respeito pelos Direitos Humanos e um desenvolvimento econômico com bem-estar para tod@s @s que vivemos em Colômbia.

Assim o estabeleceu nossa Oitava Conferência ao revisar e ampliar o Programa Agrário, e tais previsões seguirão sendo parte de nosso arsenal ideológico e político.

Simplesmente agora damos cumprimento às conclusões aprovadas por nossa Décima Conferência. Sua declaração política adotou por título Se acabou a guerra, vamos todos e todas a construir a paz! Nela determinamos que o Acordo Final de Havana contém os mínimos necessários para dar continuidade pela via política a nossa aspirações históricas pela transformação da ordem social vigente.

E que por tal razão decidimos fornecer todos os aprestamentos necessários para o trânsito de nossa estrutura político-militar para um novo partido político. Dificuldades conhecidas na implementação impediram que este Congresso se celebrasse no mês de maio. O fazemos três meses depois, com a mesma meta traçada pela Conferência, dar continuidade a nossos propósitos de caráter estratégico pela construção social de poder para o povo.

Como as FARC sempre fizemos, a nossos contraditores num e noutro extremo do espectro político responderemos sempre com fatos, sem necessidade de nos envolvermos em complicados debates. Nosso melhor argumento serão as massas organizadas e em movimento nos mais diversos cenários, enfrentando com verdadeiro talento ao regime e ao sistema.

Se nosso compromisso é oferecer nossa força e energia pela unidade dos setores progressistas, democráticos e revolucionários do país, dos movimentos políticos e sociais, das múltiplas organizações setoriais e reivindicativas em nível nacional, regional e local, temos que tomar consciência real da amplitude com que devemos nos dirigir à nação, sem dogmas nem sectarismos, alheios a toda ostentação ideológica, com propostas claras e simples.

Isso deverá se manifestar em nosso nome, em nossos símbolos, em nossa atitude, em nossa maneira de tratar com o povo, em nossa plataformas e nossos programas. A Grande Convergência Nacional, com a qual pretendemos criar poder desde as bases e disputar os espaços institucionais, só será possível se atuamos com modéstia, sem soberbas ou suficiências, com respeito pelos demais. Não necessitamos nos convencer de que somos revolucionários mas sim de somar mais e mais gente ao processo pelas grandes transformações do país.

As marchas guerrilheiras costumavam se enfrentar com enormes limites, que uma vez coroados nos permitiam vislumbrar mais além, para outras ribanceiras e cimos que nos esperavam. É assim como devemos considerar o passo que estamos dando. Superamos no fundamental o obstáculo da guerra, celebramos este Congresso publicamente e na capital do país, uma vitória real impensável anos atrás. Temos por diante grandes desafios e múltiplas dificuldades.

Nada é fácil no mundo político, muito menos a atividade revolucionária. O regime e o sistema não estão feitos para nós, porém estamos imersos neles e dispostos a transformá-los. Necessitamos de cabeça fria e de massas que nos respaldem em todos os espaços. Nossa missão fundamental será ganhá-las, sem elas o adversário fará o que queira conosco, sem elas não conseguiremos mudar nada.

Façamos deste um Congresso histórico, do qual saiamos mais unidos que nunca a cumprir com nossos sonhos. Urge compreender e assumir a dimensão política estratégica do passo que estamos dando. Não se trata de saudosismo voltando o olhar para o passado, mas sim de extrair dele a experiência acumulada com vistas à construção de um futuro melhor para nosso povo. A paz terá que ser uma realidade certa em Colômbia, uma formosa tarefa que nos espera. 

Bogotá, 27 de agosto de 2017.

Tradução > Joaquim Lisboa Neto

 

 
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