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LUTA POPULAR NA AMÉRICA LATINA

24.08.2004 | Fonte de informações:

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Trata-se de um legado deixado pelos grandes homens de Nossa América como Simón Bolívar, Martí, San Marín, Juárez, Mariátegui, Farabundo Martí, Augusto César Sandino, el CHE, Camilo Torres, Jacobo Arenas, Jaime Pardo Leal, Gilberto Vieira, Rodni Arismendi, Salvador Allende, Omar Torrijos e tantos e tantos que deram sua vida nessa luta que podemos condensar em um denominador comum: a luta pela segunda e definitiva independência.

Podemos nos expressar desta maneira aqui em Nicaragua, terra do General de Homens Livres, Augusto César Sandino e de um povo que com ele fez de Las Segovias o início de uma luta que, digamo-lo de uma vez, é continuadora da obra de Simón Bolívar e de Martí pelo caráter antiimperialista que as irmana. Bolívar prognosticou ao dizer que “os Estados Unidos parecem destinados pela Providência a desgraçar de miséia a América em nome da liberdade”. Sandino combateu contra o Império ianque invasor e dominador de nossos povos. Todos sabemos que isso não é novo. Sandino o viu, sentiu e viveu na experiência concreta.

A origem das nefastas ditaduras, dos golpes de Estado, magnicídios, sabotagens, invasões, do Terrorismo de Estado e da Guerra Suja, onde a encontramos? De onde procedem todas as ações criminosas contra Cuba socialista desde há 45 anos e de onde procederam e procedem as ações criminosas contra processos de libertação como o da Revolução Sandinista, o de El Salvador, o da Guatemala, o de Santo Domingo, República Dominicana, Granada, entre outros. Onde elaboraram a Iniciativa Regional Andina, para regionalizar o conflito colombiano; o plano Puebla-Panamá, para fazer da América Central um corredor das multinacionais norte-americanas; a ALCA, para recolonizar nossa América; o sequestro do presidente Aristides; as diversas tentativas de derrubar o presidente Hugo Rafael Chávez Frías, e todos aqueles planos militares que estão procurando abrir espaço para as transnacionais se apoderarem de recursos estratégicos existentes em Nossa América.

Onde montam os criminosos Planos Colômbia, “Patriota”, para apoiar a classe dominantes que continua aplicando as receitas do Fundo Monetário Internacional e a política neoliberal a favor dos interesses das multinacionais, levada a extremo pelo atual governo através da entrega da soberania ao império dos Estados Unidos da América do Norte.

Planos de guerra com os quais pretendem consolidar a dominação e exploração de nossas riquezas e, para isto, aplicam contra o povo o Terrorismo de Estado e abrigam a vã pretensão de forçar a desmobilização e a entrega de nosso Exército Guerrilheiro que conta com propostas encaminhadas a solucionar a crise social, política, econômica e armada de nosso país. Somos organização guerrilheira revolucionária de oposição ao Estado e seu regime político, lutamos por transformações profundas que a nossa pátria requer com urgência para alcançar a paz com justiça social. Para isto é fundamental criar um Novo Governo, Amplo, Pluralista e Patriótico que reconcilie e reconstrua o país.

A resposta contundente que vem dando nosso exército do povo ao Plano Patriota do governo de Bush e Uribe mostra o fracasso dos planos do império, é parte da resistência que o povo colombiano vem dando a todas as medidas repressivas do atual governo, que reprime e se nega sistematicamente a um intercâmbio humanitário, impedindo que tanto prisioneiros de guerra da guerrilha como do governo se reúnam com seus familiares. Enquanto isso leva adiante uma negociação com as organizações paramilitares que deixará na impunidade centenas de massacres cometidos contra o povo colombiano.

Faz-se necessária a solidariedade internacional aos lutadores colombianos, que se denuncie o massacre de sindicalistas, dirigentes camponeses, defensores dos direitos humanos, indígenas e povo em geral; será a luta unificada dos latino-americanos que nos permitirá enfrentar os planos do imperialismo.

Até um cego vê o que contra os nossos povos tem feito e faz o império ianque. Como não ver o antiimperialismo na luta dos povos de Cuba, Venezuela, Equador, Colômbia, Argentina, Brasil, Peru, República Dominicana, entre outros. E que bom que essa bandeira se mantenha bem erguida desde o Rio Grande até a Patagônia; que possamos fortalece-la mais e mais através do estudo do legado de nossos próceres que nos serve de farol na missão histórica de fazer de Nossa América a Pátria Grande idealizada pelo Libertador, já que nele nos encontramos todos!

Atualmente podemos ver duas coisas: a luta de resistência, já que os povos não se rendem e, os indícios de um fenômeno político consistente em que nossos povos querem ser governados de outra maneira, querem governos que se empenhem em solucionar suas necessidades, querem espaços de participação e se levantam em luta após sua conquista, pois não basta somente querer. Além disso, salvo raras exceções, os governantes não podem governar como até agora e por isso a uns restou-lhes sair correndo, e a outros manobrar lançando mão inclusive da porta dos fundos.

É uma infantilidade permanecermos como simples espectadores ou pontificando sobre os acontecimentos cuja origem está na mobilização e no levantamento do povo que torna seu o direito de se insubordinar, à autodeterminação, à soberania econômica e política, à justiça social, que conceda o benefício que os bens e riquezas de nossos países possam gerar, hoje nas mãos das multinacionais.

Onde está a razão que leva um governante a dizer: “Não posso”, não porque no país não haja riquezas nem por falta de apoio de seus governados entre os quais existem milhões com fome, sem trabalho, sem teto, sem estudo, sem saúde, sem escola, sem poder ingressar à universidade. E o que acontece com o governante quando, interpretando o sentimento popular e apoiado nele diz: “Sim, podemos”.

É bom lembrar que a classe governante de nossos países teme que os povos descubram que ela é a origem concreta de seus problemas e que os direitos, como diz Martí, não se mendigam, mas se conquistam na luta, luta que inclusive leva homens e mulheres a dar seu sangue, sua vida, por uma sociedade nova e justa, por uma pátria livre, independente e soberana.

Daí que através do neocolonialismo mental, conceitos como ‘luta de classes’ tenha sido transformado em coisa ultrapassada. Agora somos sociedade civil, nada de você se meter a lutar por seus direitos, percebendo-se como parte viva e ativa da classe social à qual pertence, porque com isso o que está fazendo é criar o ódio de classe. Como tudo tem mudado, já não existe imperialismo mas globalização. A você o que resta é lutar por sua cidadania e o melhor mecanismo está na via eleitoral, transformada hoje pela classe dominante em um banquete com o qual engana o povo e mete os partidos e movimentos de esquerda em um labirinto.

E se algum candidato com o apoio popular chegar ao governo, tem que se dedicar a administrar o capitalismo. E como o sistema capitalista, por um lado, concentra hoje a riqueza de maneira nunca vista antes, e por outro, acaba com o meio ambiente, gera mais fome, mais desemprego, mais miséria, mais doenças, coisas que não poderão ser superar à custa de esmola, mas com projetos baseados na vontade do povo organizado e não em planos militares nem nas receitas do FMI, violadoras da soberania econômica, então através dos meios de comunicação se manipula a opinião pública para coloca-la contra o presidente e seu governo, transformados em bodes expiatórios. O curioso é que quase ninguém questiona abertamente o sistema capitalista como a causa da pobreza, da miséria, de todos os problemas que asfixiam os nossos povos.

Quando a classe dominante consegue fazer com que o banquete eleitoral dê os resultados esperados, então as eleições foram limpas, transparentes, consolidaram a democracia, as instituições, a ordem estabelecida e a paz. Mas se o povo transforma o voto em instrumento de luta e coloca as coisas a seu favor e portanto contra os interesses dessa classe dominante, esta desencadeia suas forças infernais e, apoiada pelo império ianque, se lança à tarefa de contra-atacar com todos os meios a seu favor com a finalidade de reverter a situação a seu favor. Isto estamos vendo, de modo especial, na Venezuela.

É prioritário na América Latina, incutindo-se um conteúdo político à luta popular, conteúdo sustentado em conceitos ideológicos básicos e imorredouros que têm a ver com a soberania econômica e política, a autodeterminação, a independência, o direito a criar um sistema econômico em cada país, compatível, que avance sobre seus próprios pés e assuma as necessidades de cada povo como prioridades do programa de governo. Isto está faltando na luta popular. Uma Plataforma mínima que seja assumida pelas maiorias e que tenha como elemento essencial transformar a sociedade, sua forma de governo, suas instituições e o exercício do poder. Daí que podemos nos perguntar por que grandes mobilizações e levantamentos populares, conhecidas por todos, tenham dado no que deu? Uma das cauas pode estar na falta de formação política.

Está em voga falar de batalha de idéias. Correto, e talvez por isso estejamos neste momento aqui em Managua. Mas não podemos esquercer que existem outros métodos de luta (com base ideológica firme) em resposta a outras formas de dominação caracterizadas por uma violência brutal. E na medida em que a resistência que surge da consciência política de classe se consolida, nessa mesma medida vai-se limitando para o império sua capacidade de manobra, pois ele não é invencível nem onipotente. Além disso, ele não pode criar uma correlação precisa entre seus planos militares de dominação e a expansão de suas transnacionais.

Por isso as grandes mobilizações populares que impedem privatizações, derrubam governantes, devem tornar sua a tomada do poder e criar os espaços que permitam aos povos instaurar uma nova realidade política de acordo com seus sonhos e esperanças.

COMISSÃO INTERNACIONAL DAS FARC-EXÉRCITO DO POVO

 
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